Acusado da morte de Glauco e de seu filho é conhecido da família
Publicação: 12 de Maro de 2010 às 16:55
Nem tentativa de assalto, nem vingança. O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e de seu filho Raoni, de 25, foram vítimas de uma tragédia. O assassino era conhecido da família e frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco inspirada nos cultos do Santo Daime. Segundo a polícia, trata-se do estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos.
O autor do crime vive no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital, e estava afastado dos cultos há cerca de seis meses. No fim da noite de quinta-feira, ele teria ido ao encontro de Glauco e Raoni. Levava uma pistola 765. Houve uma discussão e o rapaz disse que iria se matar. Pai e filho tentaram demovê-lo da ideia, quando acabaram sendo mortos. Depois de assassinar Glauco e Raoni, o rapaz fugiu em um Volkswagen Gol. O enterro, estava previsto para hoje, no Cemitério Gethsemani Anhanguera.
Na manhã de ontem, quando a morte de Glauco e Raoni veio a público, a primeira hipótese é de que se trataria de uma tentativa de assalto praticada por dois homens. Horas depois, foi divulgada a informação de que o boletim de ocorrência do crime indicava a participação de um terceiro suspeito, que estaria no Gol.
Uma testemunha reconheceu o suspeito como um frequentador da igreja. A partir dessa identificação, a polícia levantou informações sobre o carro e o endereço do rapaz. Até agora, a polícia não confirmou a localização do suspeito.
Repercussão
Em nota, o Conselho Consultivo do Salão de Humor, lamentou a morte do cartunista e seu filho, dizendo que "A violência em São Paulo, mais uma vez, mata e empobrece a cultura brasileira". Glauco tinha 53 anos e estava no auge de sua produção artística. Glauco, como era conhecido, foi descoberto pelo jornalista José Hamilton Ribeiro, então diretor do "Diário da Manhã", em Ribeirão Preto, interior paulista. Lá começou a publicar suas tiras cômicas.
Mas, foi na 4ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 1977, ao conquistar um dos prêmios, que Glauco foi projetado no cenário artístico brasileiro e internacional. Com seu imenso talento, criatividade, estilo único e, em especial, humor inteligente baseado no comportamento da nossa sociedade, que Glauco saltou, ainda no mesmo ano, para as páginas da "Folha de S. Paulo".
Em 1984, a mesma "Folha" abriu espaço diário para a nova geração de cartunistas brasileiros. Glauco estava entre eles e, assim, ficou conhecido em todo o País. Surgiram seus principais personagens: Geraldão, Zé do Apocalipse, Dona Marta, Doy Jorge, Casal Neuras, Geraldinho e outros. Multimídia, Glauco também era músico e se apresentava em bandas de rock. Integrou a equipe de redatores do "TV Pirata" e do "TV Colosso", programas apresentados pela TV Globo. Publicou livros de humor.