Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 25°Natal - 25°

esportes

abc alecrim america santacruz

Acusado de racismo, Antônio Carlos é rejeitado por vascaínos

Publicação: 10 de Dezembro de 2009 às 07:53

Gazeta Press - Parte dos torcedores do Vasco reagiu mal à confirmação do interesse pelo técnico Antônio Carlos Zago, do São Caetano, dada pelo presidente Roberto Dinamite no início da semana. Em comunidade da rede social Orkut, os cruzmaltinos revelaram sua desaprovação, chamando o treinador de "Racista".

A inscrição "Racista, Não!" aparece ao lado da foto do ex-jogador na capa da comunidade 'Vasco da Gama', que tem mais de 370 mil membros. A acusação faz menção ao episódio com o volante Jeovânio, do Grêmio, em março de 2006, pelo Campeonato Gaúcho.

Então zagueiro do Juventude, Antônio Carlos desferiu uma cotovelada, foi expulso e deixou o gramado esfregando o braço com os dedos, em referência à cor da pele do rival. Pelo caso, o ex-jogador chegou a ser suspenso por 60 dias. Por isso, a torcida não vê com bons olhos a possível chegada do treinador ao Vasco, clube historicamente ligado à luta contra o racismo.

Em 1904, o Vasco elegeu o primeiro presidente de origens negras da história dos clubes esportivos no Rio de Janeiro, o mulato Cândido José de Araújo. E foi com o elenco recheado de negros e operários, vindos dos subúrbios cariocas, que o time conquistou seu primeiro título, em 1923, no ano de estreia na elite carioca. Depois disso, passou a sofrer resistência na temporada seguinte.

Assim, em 1924, a recém-criada Associação Metropolitana dos Esportes Atléticos (Amea), que passou a organizar as competições no Rio de Janeiro, recusou a inscrição do Vasco. Na 'contraproposta' feita pela entidade, estava a exclusão de 12 atletas cruzmaltinos, negros e operários. O presidente do clube, José Augusto Prestes, anunciou a desistência da filiação por meia de carta.

A polêmica chamou a atenção para a discriminação racial e social vigente no futebol carioca e brasileiro. Depois de passar a temporada atuando em campeonatos menores, o Vasco acabou admitido pela Amea. O lastro permanece até hoje. A torcida não quer um treinador com passado ligado a acusações de racismo.

Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

tbdomingos@...10/12/2009 @ 10h55
Quero deixar claro que não sou torcedor do Vasco, o que não me impede de achar muito bonita à sua história no tocante à sua identidade racial e como espaço para trabalhadores em um instante quando o futebol era, praticamente, exclusivo para as elites. Ameniza um pouco a atitude preconceituosa de Edmundo que, quando o clube carioca esteve em uma oportunidade aqui na "terrinha", referiu-se ao árbitro e à nossa população ao usar de forma jocosa a expressão "paraíbas" após sua expulsão de campo, uma atitude individual, mas que não houve repercussão maior na imprensa.
Tribuna do Norte