Araken Farias, advogado de defesa do principal acusado de ter matado a estudante Maisla Mariano dos Santos, 11, entra hoje na justiça com um pedido de revogação da decretação de segredo de justiça do processo que apura a morte da menor. A decisão foi tomada pelo advogado com o objetivo de poder se manifestar diante do processo e, principalmente, tornar público os detalhes do resultado do laudo do perfil genético realizado em pelos encontrados no colchão do ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar, 55, acusado de matar e esquartejar Maisla em 11 partes. Apesar da Tribuna do Norte ter divulgado o resultado, com exclusividade, na quarta-feira passada, o advogado não pode se pronunciar, já que o processo tramita em segredo de justiça.
Alex Régis
Araken Farias contesta declarações da delegada Adriana Shirley
Há 38 dias, o juiz Rosivaldo Toscano, titular da 2ª Vara Criminal, do Fórum Varella Barca, na zona Norte de Natal determinou segredo de justiça no processo para evitar "histeria e exposição" do caso, a fim de "resguardar também a intimidade e a dignidade do acusado".
Araken contesta as declarações da delegada Adriana Shirley Caldas que presidiu o inquérito policial e também do promotor público Edevaldo Alves Barbosa que concederam entrevista à Tribuna do Norte, na quinta-feira (26).
O advogado afirma que Adriana apenas esteve à frente do inquérito policial que na época tinha cerca de 300 páginas, mas que o processo hoje possui mais de mil páginas, além de mais de oito horas de gravações de audiências. "O processo na base em que está demonstra que tudo o que foi levantado pela polícia contradiz com a verdade dos fatos apurados até agora".
Araken diz que não entendeu a afirmação da delegada quando ela se refere ao laudo onde verifica presença de esperma no colchão do acusado. "Adriana afirma que "é obvio que Osvaldo não ejaculou ou então lavou o corpo da menor, após a ejaculação". Como ela tem tanta certeza disso, se foi ela mesma que solicitou ao Itep que o exame fosse realizado no colchão?
Segundo o advogado, Adriana disse, na entrevista, que há fortes indícios de que indicam Osvaldo com o local do crime. "Indícios não são provas", afirma Araken.
O advogado rebate a delegada: "Ela só tem conhecimento do inquérito, do que foi apurado no início das investigações". Araken também contesta a declaração do presentante do Ministério Público Edevaldo Alves Barbosa. "O promotor disse que se resultado do exame fosse positivo de uma forma direta estaria evidenciando a participação do ambulante no crime e sendo negativo não comprova que ele não cometeu o delito? Quero poder me pronunciar sobre o que consta nos autos e por isso entro com esse pedido hoje", conclui.
Estudante foi morta e teve o corpo cortadoNo dia 12 de maio deste ano, a estudante Maisla Mariano dos Santos, 11 saiu de casa, na avenida Aluísio Alves, no Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante para levar o almoço para o pai, em Igapó, na zona Norte de Natal. Na volta para casa, a jovem desapareceu. No dia 13 de maio partes do corpo da menor foram encontrados em um terreno baldio dentro de um saco plástico, em Igapó. No dia 14, em outros dois sacos foram localizados outras partes das vítimas, também em um terreno baldio, no mesmo bairro. Logo em seguida, o ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar foi indicado pela família da vítima como sendo o autor do crime. Marisa Mariano, mãe da estudante afirmou à polícia que Osvaldo havia lhe prometido chorar "lágrimas de sangue", após a mulher ter denunciado Osvaldo à polícia por ter tentado aliciar jovens na igreja Adventista do Sétimo dia. A denuncia fez o ambulante perder o cargo de diácono na igreja.
No dia 30 de setembro saiu o resultado do laudo sobre o DNA dos pelos encontrados no colchão de Osvaldo. O resultado foi negativo, ou seja, não pertencem à Maisla. Osvaldo está preso na Penitenciária Estadual de Alcaçuz.