Agnelo Alves - o repórter
Publicação: 11 de Outubro de 2009 às 00:00
Lula plantando sua volta em 2014, mas quer Dilva Roussefs em 2010
Não tendo alavancado, ainda, a candidatura preferencial de sua Chefe da Casa Civil e "mais" do PAC, Dilma Rousseff, o presidente Lula está preparando a sua volta ao governo, em 2014?
Faria novamente a Lula essa pergunta que, com outras palavras e por outras razões - não quis mudar a Constituição para um terceiro mandato consecutivo - Carlos Eduardo lhe fez, num almoço na Base Aérea, quando veio lançar o PAC, no Centro de Convenções.
Anote-se os eventos seguidos a partir de 2014 - ano da eleição do sucessor de Lula - todos previsíveis com certa doze de irreversibilidade:
1 - 2014, o Brasil sedia a Copa do Mundo, Fatível que seja campeão;
2 - 2015, ano em que o pré-sal começará a apresentar lucro na contabilidade com o Brasil deixando de ser importador para ser exportador de petróleo;
3 - 2016, ano das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
DILMA x CIRO
O presidente Lula, dono do maior índice de popularidade, jamais alcançada por qualquer outro político no plano nacional e, sobretudo, por um presidente da República, está a braços com o surgimento da candidatura do político Ciro Gomes, do PSB, alcançando a candidatura Dilma Rousseff, em queda, no IBOPE.
Nas pesquisas qualitativas, o presidente Lula sabe das razões, o que anima na retomada da liderança de Dilma nas próximas pesquisas. Ciro não está fazendo um bom mandato de deputado federal. Não se conhece um parecer que tenha dado sobre qualquer projeto. Não se conhece um só discurso que tenha pronunciado, opinando sobre qualquer assunto, problema ou solução. Apenas subsiste na memória dos eleitores o fato de ter sido candidato por duas vezes à Presidência da República.
Nas qualitativas em relação à candidata Dilma Roussefff, como motivação para a sua queda nas pesquisas aparece, em primeiro lugar, a ausência do presidente Lula do país. Tem sido muito bom mesmo, ótimo, para ele e para o Brasil. Mas a candidatura de Dilma parece aos eleitores como abandonada, principalmente, em face do tiroteio que sofreu em pleno vôo, como foi o caso do embate com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. O câncer de que está, felizmente, curada já não aparece entre as motivações da queda nas pesquisas.
RETOMANDO O LEME
Uma unanimidade entre os analistas, os políticos e os que, de mais perto, acompanham os acontecimentos relativos às prematuras tentativas, visando a sucessão presidencial, agora que Lula retomar o leme da nau presidencial, a tendência revelada nas pesquisas é o aprofundamento da queda de Dilma e alta de Ciro.
A dificuldade maior de Ciro, politicamente, é ser filiado ao PSB. E o PT não abre mão de que o candidato à sucessão de Lula seja pestista. Lula tentou fazer Ciro, candidato pelo PT ao Governo de São Paulo. Ainda não conseguiu. O partido reagiu. Mas, em face do seu crescimento nas pesquisas, ameaçando gravemente a candidatura de Dilma Rousseff, Lula teria obtido de Ciro transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, no apagar das luzes do prazo para, uma vez habilitado, ser candidato a governador.
Está estabelecida a luta entre Ciro e Dilma com expectativa de definição nas próximas pesquisas. Eles estão empatando com 14 pontos no IBOPE, cada um. No próximo IBOPE, Ciro terá ultrapassado Dilma ou vice-versa, Dilma terá desempatado, ultrapassando Ciro? Eis o nó da questão.
TRABALHANDO
Para interromper a queda nas pesquisas de sua candidata, o presidente Lula vai dedicar grande parte do seu tempo ao fortalecimento da candidatura de Dilma Rousseff, a começar pelo PMDB e as viagens, levando-a na sua companhia. Uma estratégia cujas linhas gerais deixou com a sua assessoria formatar antes de sua viagem a Dinamarca.
O PMDB topa sair na frente, pró-Dilma. Mas quer a vice-presidência para seu presidente licenciado da Câmara, Michael Temer. Mas Lula já foi avisado de que o PMDB não é muito religioso no cumprimento com o voto aos seus candidatos a partir do doutor Ulisses Guimarães. Além do mais, o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, já concedeu entrevista, dizendo que qualquer decisão passa, antes, por análise e debate, no PMDB.
O PSB também tem problemas. Como é que abrirá mão de candidato dos seus quadros - Ciro Gomes - sem ficar, ao menos, com a vice-presidência? E o PDT, como é que fica? E os demais partidos da "Base"? Nesta primeira hora, essas manifestações, mesmo surdas, servem a Lula como argumento para conter o PMDB. Uma boa o adiantamento da decisão?
Pelo sim ou pelo não, Lula vai para as ruas com Dilma Rousseff já a partir da próxima semana, numa agenda de inaugurações e participações, ignorando os problemas regionais ou de cada Estado, que não são poucos, como é o exemplo: o que ocorre no nosso Rio Grande do Norte de cada dia. Não terá tempo. Mas terá força e prestígio.
Notas..
DECISÃO DE GOVERNO
A decisão para a construção do emissário em Ponta Negra deve ser do Governo do Estado. Da própria governadora Wilma de Faria. A Caixa Econômica examina se o projeto está em conformidade com os preceitos do meio ambiente, dentro da verba disponibilizada. Ao Ministério das Cidades, não cabe decidir se a destinação final dos dejetos será pelo emissário submarino de Ponta Negra ou pela construção de uma estação de tratamento. Ciosa dos seus deveres, a governadora deve assumir os ônus ou bônus da decisão.
CHANCE
A soma de todos os pontos no IBOPE dos candidatos a candidatos da "Base" governamental dá empate técnico com a candidata do DEM, Rosalba Ciarlini, mas com um ponto a mais. O problema é saber se todos os candidatos estarão unidos em torno de um deles que for o escolhido. A propósito: quais os critérios da escolha?
DIA 14
Será no próximo dia 14, a audiência do senador Garibaldi Filho com o presidente Lula. Na pauta, a posição de Garibaldi face à sucessão presidencial e à sucessão governamental, no Rio Grande do Norte. Estará presente o deputado Henrique Eduardo.
DADOS IMPRESSIONANTES
A assessoria da candidata Rosalba Ciarlini está colhendo dados realmente impressionantes, com comparações entre os Governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria, para ter o líder do PMDB como seu aliado e, também, para detonar a candidatura de Wilma ao Senado contra José Agripino.
PARQUE DA CIDADE
Perguntar não ofende. Depois de "reinaugurar" a Maternidade da Zona Norte e o Ginásio Nélio Dias, também na Zona Norte, quando é que a prefeita Micarla de Souza vai "reinaugurar" o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte?
POSIÇÃO DE GARIBALDI
O senador Garibaldi Filho parece tranqüilo se vier a tomar uma posição contrária ao PMDB/RN, na sucessão estadual. Terá todos os seus direitos preservados para o uso do rádio e da televisão e, não indicará ninguém para o Governo do Estado e nem para o segundo voto para o Senado da República. Os garibaldistas acreditam que os eleitores entenderão a "mensagem do silêncio".
MUNICÍPIOS
Os prefeitos municipais do Brasil inteiro estão se movimentando para uma solução definitiva para o que chamam de "evasão fiscal" promovida tanto pelo Governo Federa, como pelos governos estaduais, que "põem e dispõem" do que não lhes pertencem, para resolver problema de desemprego em São Paulo, ou para incentivo à instalação de indústrias num determinado município, em detrimento dos demais. Faz sentido.
WILMA E CIRO
Como a história de um dia atrás do outro, chegou o dia e a hora da governadora Wilma de Faria dar a resposta a Ciro Gomes que, como "provas de competência" nos governos do PSB, listou apenas os governos do Ceará e de Pernambuco, excluindo o Rio Grande do Norte que também é do PSB. Mas, Ciro demonstrou pouco ou nenhum interesse de uma reaproximação com Wilma. Sabe dos compromissos da governadora com Dilma Rousseff. Vem bala por aí.
... o que se diz...
...QUE não existe, nem por curiosidade, expectativa sobre quem desistirá para apoiar quem...
...QUE começa a aparecer, na Bolsa de Apostas Políticas, os primeiros desafios sobre a posição de Garibaldi Filho, depois da conversa que terá com o presidente Lula, quarta-feira próxima...
...QUE ninguém duvida mesmo é que sairá da audiência apoiando o nome de Dilma Rousseff para Presidente da República, mas para governador do Estado não haverá nenhuma definição...
...QUE, pelo sim pelo não, ninguém sabe em quem Garibaldi votará para governador, até porque, nenhum candidato a governador que quer o seu voto anunciou, até agora, que votará nele, Garibaldi, para Senador...
... caro leitor...
Ouvi de quem tem direito de ser ouvido que, com o tempo passando, os prazos estão encurtando e nenhum candidato a candidato aparece disposto a renunciar. E uma curiosidade não pode passar despercebida. O PMDB fala que o preferencial para os peemedebistas é a reeleição de Garibaldi Filho para o Senado. O DEM, por sua vez, fala que o preferencial para os democratas é a reeleição de Agripino para o Senado.
Somente o PSB fala que quer a eleição de Wilma de Faria para o Senado e Iberê para o Governo do Estado. Exceção de modéstia do PMDB e do DEM ou dose para elefante do PSB, com uma circunstância que também não pode passar desapercebida. A candidata do PSB ao Senado, Wilma de Faria, é a terceira colocada nas pesquisas, onde só tem duas cadeiras na disputa. E o candidato ao Governo, Iberê, é o último colocado nas pesquisas.
Amigo velho, não é mole não. É preciso muita habilidade de Wilma e de Iberê para convencer seus concorrentes daquela máxima que Vulgo da Silva se apropriou e popularizou, segundo a qual "os últimos serão os primeiros". Habilidade e argumentos, sabe como é? De minha parte, não sei, não sei não. Política é uma panela, onde um chega joga o sal dentro, outro joga o açúcar, um terceiro sopra o fogo, enquanto um cara, com ar de quem não quer nada, chega e enche a pança. E sei lá, não falta quem passa fome.
Olhaí, a semana passada estive com Margor. Está bem. Feliz. A Luzinete também. Bote felicidade nisso. A Margor, com um certo travo. Percebe-se. A Luzinete, não. Feliz mesmo. O Macário é que fez concurso para delegado de polícia. Não sabe fazer um inquérito. Se soubesse, abriria um, ouvia a todas as testemunhas juntava recibos de pagamento de taxas e representava, junto ao Ministério Público, a OAB, e o escambal. Cara, o Governo está fazendo quem quer ser delegado de trouxa e os que querem ser delgados não reagem.
Boa praça o ministro Carlos Lupi. Bom de papo, hein? Tem uma história de vida curiosa, própria de quem vem das camadas mais baixas da sociedade e vai galgando degrau a degrau. O cara era jornaleiro no Rio de Janeiro e hoje é ministro de Estado. Bom orador também, sabe? Expositor, idem. Relembramos amigos comuns, dentre tantos o Doutel de Andrade, figura humana extraordinária de quem me lembro com saudade.
Fico por aqui. Recomendo-me a quem perguntar por mim com carinho. Um abraço afetuoso do seu amigo, NECO.
Estória da história - Lances do lançamento do meu nome para prefeito de Natal
Divulgado o meu nome para prefeito de Natal, indicado por Erivan França, fui procurado pelos colegas jornalistas. Não me sentia seguro da nova situação que as circunstâncias políticas criaram para mim. Na conversa que havíamos tido, Aluízio Alves, Monsenhor Walfredo, Erivan e eu, ficou combinado que etapas seriam cumpridas para consolidar, primeiramente, a chapa governamental.
O nome de Monsenhor Walfredo estava consolidado, politicamente, mas dentro do próprio PSD, alguns setores guardavam a esperança de que a Igreja não daria a "licença canônica e eclesiástica". O próprio Walfredo condicionara a essa licença a sua candidatura, pois entre o governo e a Igreja, ele ficava com a Igreja. Além do mais, outro problema. A escolha do candidato a vice-governador pelo PTB. Quem, Radir Pereira ou Clovis Mota?
Rui Paiva, presidente do diretório municipal do PSD, me procurou. Resolvera convocar o partido para uma reunião na sua casa naquela mesma noite. Decidira não esperar mais pelos acontecimentos. A sucessão estadual estava resolvida. Conhecia Aluízio e tinha consciência de que o "governador não iria para uma aventura". O candidato era o Monsenhor. E a faixa que amanhecera nos postes do Grande Ponto e da Praça Gentil Ferreira o convencera definitivamente.
- O que dizem estas faixas, Rui? Perguntei.
- "Deus foi quem mandou Monsenhor Walfredo para governador". Essa frase é sua, não me negue, porque não adianta. Vou lançar o seu nome oficialmente, hoje à noite. Cerca de Nove horas, uma comissão vem convidá-lo para comparecer lá em casa, já como candidato a prefeito de Natal.
- Uma comunicação? Ainda perguntei.
Aluízio e todo o comando da Cruzada da Esperança viajara, a Caicó, para conversar com Dom Manoel Tavares. Aluízio, certo, absolutamente certo, da licença da Igreja. Estivéramos, Aluízio e eu, alguns dias antes, com o bispo diocesano (quando conheci o padre João Medeiros Filho) e pelo andar do andor, tudo acertado. Sem problema. Apenas Aluízio não queria que a comunicação fosse feita somente a ele, mas a toda a Cruzada da Esperança.
Procurei me comunicar com Aluízio em Caicó. Não havia como. Erivan, a quem relatei a conversa de Rui Paiva, apoiava a decisão do lançamento o quanto antes da minha candidatura. Não havia razão. Concordava, portanto, com a atitude de Rui Paiva. Apenas queria estar ao meu lado na oportunidade da comunicação.
Já quase dez horas da noite, chegou todo o PSD, à frente Rui Paiva, em minha casa com a comunicação oficial da homologação do meu nome pela convenção. O edital fora publicado sem que ninguém se lembrasse. E Rui me falara em reunião. Começava ali mesmo a batalha - outra - da escolha do vice-prefeito. Entre cochichos, quando não ouvidos, perfeitamente percebidos. Mas como escolher um dentre tantos?
A decisão deveria ser minha, embora devesse partilhar com toda a liderança da Cruzada da Esperança. Fui dormir com essa preocupação. Acordei cedo como de costume mantido até hoje. Resolvi tomar café da manhã em casa, mas convidando alguns amigos para uma troca inicial de idéias, análises do quadro. Não concluí. Tinha um nome. Ernane Silveira.
Telefonei para Wodem Madruga. Primeiro voto a favor. Abelírio Rocha, segundo voto. Geraldo Ramos dos Santos, terceiro voto. Firmino Moura, quarto voto. Matei a charada. Faltava apenas o general, Ulisses Cavalcante. Quinto voto.
Wodem, Abelírio e Firmino marcaram o encontro meu com Ernane, em Parnamirim, no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes. Menos de meia noite e Aluízio estava dormindo. Acorda. Concordou. Desci para a TRIBUNA DO NORTE e eu mesmo redigi a notícia.
Ganhamos a eleição com 68 por cento dos votos válidos.