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Natal

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 14:45

Agnelo Alves - o repórter

Publicação: 25 de Outubro de 2009 às 00:00
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Estudo político-eleitoral mostra áreas de maior poder na eleição

O que será mais forte entre os núcleos eleitorais, em 2010, para governador do Estado? Para o Senado da República, a eleição se afigura mais difícil para uma decisão em bloco, já que tudo faz crer que os três chamados ícones eleitorais do Estado vão disputar sem formação de chapa. O DEM com Agripino, o PSB com Wilma e o PMDB com Garibaldi Filho.
O único problema, até agora, está acontecendo com a candidatura de Garibaldi Filho, considerando-se a sua posição de discordância da orientação do deputado Henrique Eduardo de apoio à sua candidatura de "Base" da governadora Wilma de Faria, na mesma linha de orientação nacional de apoio dos candidatos que tiveram, nos estados, o apoio do presidente Lula.
Garibaldi está praticamente em campanha, a favor da candidatura de Rosalba Ciarlini, adiantando-se ao próprio DEM, partindo da senadora, que ainda não manifestou-se, salvo de maneira considerada utópica. Henrique vem mantendo sua posição de apoio ao candidato da "Base" da governadora.

OS NÚCLEOS ELEITORAIS
São os seguintes os núcleos eleitorais mais fortes do Estado, capazes de definir qualquer eleição:
O mais forte é o formado pela região metropolitana do Rio Grande do Norte, constituído por Natal, Parnamirim, São Gonçalo, Macaíba, indo até Ceará-Mirim. Só o eixo Natal/Parnamirim representa 30% do eleitorado do Rio Grande do Norte.
O segundo mais forte núcleo eleitoral é formado pela chamada "Grande Mossoró", incluindo aí a região do Vale do Açu;
O terceiro núcleo eleitoral forte é formado por municípios cabeças de área, como Caicó e Currais Novos, no Seridó. Nova Cruz e São José do Mipibú, no Agreste, a região central e a região do Mato Grande, na linha de Lages, João Câmara, Angicos.
E os chamados "grotões", pequenos núcleos eleitorais isoladamente, mas unidos, somados, formando força eleitoral.

PODER DA INFLUÊNCIA
O Governo, em si, tem uma influência maior na região dos "Grotões". Mas a pressa da governadora Wilma de Faria em definir imediatamente a escolha do candidato de sua "Base" quando a governadora, a partir de sua decisão, espera liderar não apenas para o seu nome ao Senado, mas para o candidato que tiver a sua liderança ao Governo.
A região do Grande Mossoró tem a predominância, segundo as pesquisas, da candidata Rosalba já praticamente definida. Somente o alto percentual de maioria da candidata do DEM, em Mossoró, já representa uma grande vantagem para ela em todas as pesquisas com influência, sobre as demais regiões, do "já ganhou".
A região do Grande Natal tem uma influência grande da própria governadora Wilma de Faria, do ex-prefeito Carlos Eduardo, no eixo Natal/Parnamirim e a partir daí, com penetração de vários outros líderes nos diversos municípios.
Os municípios chamados "cabeça de área" sofrem influência dividida entre os líderes locais, como regionais - cada eleição menor - e os líderes estaduais.

INDEFINIÇÃO
A verdade é que, politicamente, as coisas começarão a tomar rumos mais nítidos, a partir da declaração oficial da governadora Wilma de Faria, esperando para este fim de semana. Ela vai falar pelo PSB. Mas deverá fazer uma sucessão de pronunciamentos, contra ou a favor, por parte dos demais partidos e candidatos a candidatos.
Eleitoralmente, os rumos só começarão a ser definidos com a aproximação das convenções partidárias, em junho do próximo ano e com o início da campanha propriamente dita. Se a governadora anunciar este fim de semana o candidato do PSB, a "Base" deverá se pronunciar. E aí vão ter início os chamados "traumas" com rompimentos e manifestações de solidariedade, manhas... Enfim, de um tudo, que, em política, é possível. E em política, tudo é possível.

VICE
A batalha do vice vai estar ligada diretamente à escolha do candidato. E aí caberão aos próprios candidatos capitanear a escolha dos seus respectivos companheiros de chapa, ouvidas, naturalmente, as lideranças dos partidos que formarão as bases partidárias de apoio.

PEGA PRA CAPAR
Está começando a corrida para as definições que poderá ter um curso sem maiores tumultos.

Notas... Notas...

PESQUISA
A última pesquisa conhecida apresentava um resultado curioso. A candidata do DEM somava 40 pontos. Os candidatos a candidato da "Base" da governadora Wilma de Faria somavam juntos 41 pontos. Sugestão de todos: disputarem conforme as pesquisas, cada candidato com seu respectivo partido para uma disputa final entre os dois mais votados, num jogo de aliança? A pensar.

GARIBALDI E HENRIQUE
A indagação constante em todas as conversas entre duas ou mais pessoas é de haver mesmo um rompimento entre o senador Garibaldi Filho e o deputado Henrique Eduardo. Todas as opiniões sim e não. Mas ninguém topa uma aposta, nem no sim nem no não.

PORQUE
A gente vendo, ouvindo ou lendo não tem dificuldade de saber por que a prefeita Micarla vai tão em franca "desescalada".  Na descida. Lamentável por Natal.

ENFRAQUECE QUEM?
A divisão entre Garibaldi e Henrique enfraquece qual dos dois? Uma observação é pertinente. Garibaldi concorre a uma eleição majoritária, a reeleição para o Senado. Mais difícil. Henrique concorre à reeleição para disputa federal. Mais fácil.

FEBRIL
A corrida sucessória ganhou um calor febril nos últimos dias com os termômetros subindo e descendo. Hoje, domingo, deve aumentar a temperatura, chegando ao nível de fervura.

VOX POPULI
Corre, à boca pequena, no Plano Palumbo e arredores, o resultado de uma pesquisa atribuída ao Vox Populi. Quem encomendou? Por que não divulga?

CASAS BAHIA
Estaria para acontecer a chegada das Casas Bahia, campeã de vendas em eletrodomésticos e móveis, em tempo para pegar o Natal.

QUEDA NA
ARRECADAÇÃO
Nova queda na arrecadação federal anunciada como resultado do mês de setembro. Quase oito degraus na queda. A recuperação é esperada entre os meses de outubro e novembro, com a volta da cobrança do IPI dos automóveis.

O que se diz...

...QUE não mudará em nada a composição da bancada estadual da "Base" na Assembléia Legislativa, caso o deputado Robinson Faria rompa com o governo para continuar candidato...
...QUE mudam alguns procedimentos, mas a formação da bancada, quase unânime na Assembléia, continuará a mesma...
...QUE, pelo sim ou pelo não, há quem acredite que a luta sucessória ganhará novos contornos já, a partir da próxima...
... QUE os palpites são os mais variados, mas nenhum que tenha diferença dos que já existem, desde há muito tempo e nunca aconteceram...
...QUE o deputado João Maia receberá orientação do PR nacional para manter o apoio ao candidato que tiver o apoio da governadora Wilma de Faria, em nome da unidade do palanque  pró-Dilma Rousseff...

Caro leitor...

Bilhetissimo, escrito em cima das pernas. Apenas para não atentar contra o hábito. Novidades? tem e não tem. Fico na faixa do não tem, para elastecer o bilhete anunciado numa carta, como acontece toda a semana.
Didinha, vai muito bem, obrigado. ABC e América cumprindo a tabela na disputa, ora da lanterna, ora "do cai, não cai", também "do sai, não sai" e nós outros, torcedores, sofrendo mais do que nos alegramos.
Estive com o nosso filósofo Vulgo da Silva, todo cheio de razão, quando repete que a vida  ensina que a gente tem que ter paciência porque imagine só! a mentira tem pernas curtas. O vulgo nunca deixa para dizer amanhã o que deve dizer hoje. Falou.
A Margarida manda um abraço para você, reafirmando que, nesses dias que não chegam, nunca vai convidá-lo para um almoço sem tempo para levantar da mesa. Jogar conversa fora, com direito extensivo ao charutinho de que só me reservo a ter esse direito aos sábados.
Amigo, você aposta em quem será o próximo governador do Rio Grande do Norte? E os dois Senadores? Não entro na seara dos deputados federais e estaduais. Mas, arrisco perguntar sobre quem será o sucessor de Lula. Algum palpite? Tenho "imeio", mas não sei soletrar o endereço. Mande pela via normal do SEDEX.
Um abração, NECO.

Estória da história

O GRANDE TRAUMA DA CAMPANHA DA ESPERANÇA COM AS CANDIDATURAS DE ALUÍZIO E DJALMA  (1)
A sucessão do governador Dinarte Mariz representou, talvez, o divisor de águas na política do Rio Grande do Norte de todos os tempos. Foi a mais traumática de todas as sucessões governamentais e também a que provocou o maior movimento popular.
Era visível, a olho nu, que o candidato preferencial da UDN era o deputado Aluízio Alves. Sua votação extraordinária para deputado federal era crescente, de eleição a eleição, culminando com a de 1958, quando conquistou arrebatadora posição em Natal. E no tocante a UDN, tinha a preferência das principais lideranças do interior do Estado. 
Infelizmente, os dois grandes protagonistas, Dinarte e Aluízio, morreram sem deixar depoimentos do que foi e porque ocorreu o grande cismas que dividiu o Rio Grande do Norte de maneira radical, separando amigos, a partir de duas famílias, com o povo correndo para as ruas, as estradas, festejando o "candidato da Esperança".
Dinarte tinha como candidato preferencial Dix-sept Rosado, que fora eleito Senador, ou, opcionalmente, o deputado estadual Vingt Rosado. Sentiu, entretanto, que fazendo um dos dois, ambos do PR, abriria para Aluízio as portas para penetrar mais fundo na UDN, cuja dissidência estava cada dia mais clara.
O deputado Djalma Marinho esperava o convencimento, por parte de Dinarte, dessa verdade. Há quem afirme que estimulou. Não posso afirmar, porque, entre outras razões, eu já morava no Rio de Janeiro e não acompanhei de perto o desenrolar dos acontecimentos, na UDN. Aluízio, por sua vez, sentia que, por mais que provocasse o sentimento de esperança do povo, não poderia antecipar a campanha, por causa dos seus custos, mas, igualmente, não poderia retardá-la ante a ansiedade popular.
Em 1958, com Erivan França, fizemos a campanha "Um Amigo em Cada Rua" para deputado federal, com êxito estrondoso, mesmo competindo com o prefeito Djalma Maranhão, também candidato. Dois anos depois, em 1960, nos reunimos, Aluízio, Erivan e eu, para um balanço a partir de informações que nos mandara Aristófanes Fernandes, exigindo que a campanha fosse iniciada imediatamente.
Da reunião, uma conclusão: era preciso evitar o apoio do PSD a Djalma. Mas era preciso que Djalma fosse o candidato adversário. Aluízio retardou a vinda para Natal, mas mandou instruções claras, objetivas, para Aristófanes e amigos. Aristófanes reuniu os amigos em sua casa, na Rua Mossoró. As instruções seriam cumpridas, nos disse Aristófanes, pessoalmente, ao chegar ao Rio de Janeiro, para onde fora mandado pelos amigos, entre os quais, muitos que jamais supúnhamos que pudessem se engajar numa campanha política, principalmente de oposição. Por exemplo: Ulisses de Góes.
Fui com Aristófanes almoçar no restaurante do aeroporto Santos Dumont para uma conversa franca. Mas, franca seria impossível. Com melhores resultados, também, não poderia ter. Mas, Aluízio e eu aguardávamos uma "démarche" que José Aparecido ficara de fazer junto ao presidente JK, através de Geraldo Carneiro, seu secretário particular, para evitar o acordo UDN/PSD, como Djalma prometera a Dinarte conseguir via Teodorico Bezerra.
Sinal verde, recebemos. Lembro como se fosse hoje. Politicamente, era o importante e indispensável. Po pularmente, Aluízio saberia criar. Marcamos sua viagem para Natal e na praça Gentil Ferreira, no Alecrim, perante uma multidão jamais vistas falou ao povo: "Vim para ficar, para lutar, para vencer". Aguardem o próximo capítulo.

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