Agnelo Alves - o repórter
Publicação: 22 de Novembro de 2009 às 00:00
O Rio Grande do Norte acaba de perder mais um dos motores para o seu desenvolvimento econômico e social. Já não é maior produtor de petróleo em terra do Brasil. Quem está no trono agora é o estado do Amazonas. O Rio Grande do Norte produzia cem mil barris por mês de petróleo em terra. Hoje produz em torno de 51 mil barris. O Amazonas produz em volta de 52 mil barris por mês.
Uma luz, entretanto, surge no horizonte. A energia limpa, a grande pedida do momento em defesa da climatização e do meio ambiente. O Rio Grande do Norte reúne todas as condições para produzir o equivalente a uma Itaipu e meia, quase duas, de energia eólica. O Brasil todo pode produzir algo em torno de dez Itaipus. O Rio Grande do Norte pode produzir não apenas a energia que precisa, como poderá exportar o excedente.
Duas matrizes energéticas fazem a sedução. A energia produzida pelos ventos e a energia produzida pelo sol. A energia produzida pelos ventos, industrialmente, está num estágio mais adiantado. É uma energia limpa. Porém exige mais investimento, dispêndio financeiro, na sua implantação. A partir daí, a operacionalidade fica mais barata, extremamente competitiva, com a vantagem, para a energia limpa, eólica.
AS ÁREAS
As áreas consideradas mais próprias para a instalação de usinas de geração de energia eólica no Rio Grande do Norte são as mais próximas do litoral. Mas ainda não existe nenhum estudo conclusivo. Não havendo, por outro lado, uma manifestação de interesses por parte do Poder Público e também não da iniciativa privada.
O empresário Bira Rocha é um dos maiores entusiastas da energia eólica por razões muito simples de serem entendidas, desde o charme do momento internacional - energia limpa - até as razões de ordem econômica e estratégicas, também.
Bira cita, inclusive, a chance de se produzir todos os equipamentos, aqui mesmo, no Rio Grande do Norte, abrindo um espaço enorme para o estabelecimento de novos ramos da industrialização. Nesse sentido, o efeito multiplicador para o desenvolvimento econômico e social é incalculável, precisando ser quantificado através de estudos técnicos que não demandam tempo para serem pesquisados e elaborados.
PRÉ-SAL
A abertura do leque com o advento do petróleo nas camadas do que se convencionou chamar de "pré-sal" demanda investimentos poderosos, tempo e o resultado só vai aparecer a partir de 2015. Com o desenvolvimento de estudos de outras matrizes energéticas, ante a pressão dos ambientalistas no mundo inteiro, aguarda-se também que o petróleo - energia suja - originário das camadas do pré-sal, seja valorizado como está sendo no Brasil.
As duas matrizes energéticas que fizeram a alavancagem do desenvolvimento em todo o mundo, partindo, inicialmente, da Europa e chegando aos Estados Unidos e a América do Norte, como um todo, foram o carvão e o petróleo, ambas consideradas como finitas. E essa condição começa a ser sentida também no mundo inteiro, com o carvão sem representar, por essa razão, mais uma alavancada da energia com força motriz preponderante.
A China e os Estados Unidos ainda são, hoje, os maiores produtores e consumidores da energia chamada de "suja". Daí, em acordo recente, assinado em Pequim, a substituição da energia suja pela energia limpa, tenha sido considerada fatal para a reunião internacional que está marcada para Copenhague - a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009, marcada para 7 de dezembro - quando os ambientalistas do mundo inteiro esperam pressionar os dois gigantes a marcar metas, datas e estabelecimentos de políticas públicas convincentes para a substituição da energia suja pela energia limpa.
Estória da história - Desafiadora a viagem a Cuba
As estórias que estou reportando, ao sabor da memória, não obedecem a uma seqüência sistematizada. Em outro capítulo anterior, já narrei episódios da viagem a Cuba, ao tempo que o Regime Militar considerava "crime de lesa pátria" qualquer referência a Fidel Castro e ao regime comunista que implantara na bela e romântica ilha da memória sentimental de todo nós.
A viagem, como já disse, nasceu de uma brincadeira que se tornou fato verdadeiro entre companheiros que faziam a cobertura da Câmara e do Senado. Eu, só um visitante. Morava em Natal. Mas todas as vezes que viajava a Brasília, fazia meu ponto na sala de imprensa que também fora minha, quando da inauguração da nova capital.
Da brincadeira para a coisa séria, fomos fazer as primeiras sondagens. O plano só teria viabilidade se a caravana tivesse a participação de senadores e deputados federais. Nenhum senador e nenhum deputado recusou. Elegemos, de imediato, o deputado Roberto Freire, comunista de pé vermelho, para líder dos deputados e o senador Marcondes Gadelha para líder dos senadores.
Embarcamos como se a viagem fosse para o México, até porque os contatos com Cuba só seriam feitos a partir da capital mexicana. O deputado Roberto Freire faria todos os contatos. Nos espalhamos por hotéis diversos da cidade do México para não chamar atenção da embaixada brasileira no México. Do Rio Grande do Norte, incluímos o senador Martins Filho e o deputado Antônio Câmara. A senha para a reunião foi dada. O local, o aeroporto, a hora tal. Não podendo haver atraso. Um avião viria de Cuba nos apanhar.
Caramba! Que avião! Um turbo-hélice de fabricação russa. Entramos numa área de turbulência. Chovia dentro do avião. Não nos serviram sequer um pedaço de pão. O medo se instalara entre nós, jornalistas e parlamentares. Desconforto total. Não havia pressurização. Finalmente, chegamos. Será que vamos voltar no mesmo avião? Era melhor não pleitearmos a mudança de avião. Poderia ser pior. Agüentamos firmes.
Viajamos pela Ilha toda. Nada de um encontro prometido com o comandante Fidel Castro. Deixamos de cobrar. Na véspera de embarcarmos de volta, um convite para uma recepção com mil recomendações não comuns nas recepções anteriores. Desconfiamos da presença do El Comandante. Mas nenhuma confirmação. Ao chegarmos à rua onde seria a recepção, todo o sistema de seguranças estava montado. Ao entrarmos na casa, uma recomendação final: não irmos até às janelas que davam para a rua principal.
Criou-se o suspense até que todas as janelas foram fechadas e havia só uma porta guardada por seguranças. As demais foram trancadas para não sair nem entrar ninguém. Alguém então anuncia a presença de Fidel, uma homenzarrão de quase dois metros de altura. Fomos apresentados, quando um colega chegou desesperado. Os seguranças tomaram o gravador dele. O senador Marcondes comunica o insólito ocorrido, com o apelo para que o gravador fosse devolvido, mesmo que a conversa não fosse gravada.
Não percebi nenhum sinal de Fidel. Mas, incontinente, o gravador foi devolvido. Uma conversa de duas horas e cinqüenta minutos. Todos nós de pé, com atenção absoluta que rendeu uma reportagem de página inteira em "O Globo". Mas no amanhecer do dia da viagem estávamos todos vibrando com a conversa com "El Comandante" e com a preocupação da chegada de volta ao Brasil.
- Agnelo, pelo amor de Deus, roubaram a fita do meu gravador!
- Roubaram, como? Você tem certeza? Perguntei já recomendando falar mais baixo.
- Falar mais baixo coisa nenhuma. Vamos embora desta terra maldita, antes que nos aconteça coisa pior...
No café da manhã, combinamos todos que o assunto ficara encerrado naquele instante. Devíamos partir para o aeroporto. Um medo maior do que o medo do avião tomara conta da comitiva. Fiquei junto ao companheiro roubado, não só para contê-lo, se necessário, mas para estar solidário a qualquer instante. Felizmente, tudo bem, até o trajeto Havana-México e daí, cada um tomou o destino de volta ao Brasil.
EPISÓDIO
Gostaria de reportar alguns episódios. Vários dos quais pitorescos, digamos assim. Outros sérios. Exemplo: eu conversava na recepção com Fidel Castro, quando percebi que o senador Zezito Martins alterara a voz na conversa que estava tendo com uma senadora cubana. Tomei aproximação dos dois.
- Ela está dizendo que sou fruto político da ditadura militar no Brasil - disse-me o senador Zezito, acrescentando que reagira. Quem ela pensa que é? Eu disse a ela que no Brasil temos eleições, enquanto aqui, em Cuba a ditadura do Fidel Castro está no poder há mais de 40 anos sem eleição...
A senadora cubana não entendera bem o "portunhol" do senador Zezito. Mas ele repetiu e em voz alterada, para não ter dúvida do que ela ouvira e entendera.
Resolvi quebrar o ritmo azedo da conversa. Afinal, nãa que um riso cordial não contribua para resolver, uma velha lição de Vulgo da Silva nos meus tempos de Angicos. E no "portunhol" a três, nos entendemos ou não nos entendemos. Mas deixamos pra lá o que devia ser levado na conta de incidente sem maior importância.
Percebemos, posteriormente, que a senadora cubana entendia tão bem o nosso português quanto nós entendíamos o espanhol dela, valendo o comentário final do senador Zezito: "Comigo é assim, respondo na hora, doa em quem doer".
Notas... notas...
NOME DA CHAPA
Não de boa sugestão o nome da chapa - "Erre-Erre" - para governador e vice, formada por Rosalba Ciarlini e Robinson Faria. O eleitor não pode errar.
SUBMARINO
O Governo do Estado insiste em não dar uma satisfação aos natalenses sobre o emissário submarino de Ponta Negra. E esse silêncio é comprometedor. Os dejetos por baixo e os objetos por cima. Terra, mar e o ar de Ponta Negra comprometidos.
MACHADÃO
Embora o Governo e a Prefeitura de Natal não façam nenhum pronunciamento, a derrubada do "Machadão" e do Centro Administrativo do Estado poderá não acontecer. A governadora Wilma é contra a derrubada do Centro Administrativo. E a prefeita Micarla já não está convencida de que o "Machadão" deve ser derrubado. É esperar para ver.
VENTO E SOL
O Rio Grande do Norte tem condições de produzir, em energia elétrica, o equivalente ao que gera uma Itaipu e mais meia Itaipu, instalando os campos de energia eólica. Já o Nordeste, como um todo, tem condições de produzir o equivalente a dez usinas de Itaipu.
PEEME E DEBÊ 1
A bolsa de apostas ainda não registra nenhum desafio sobre quem ficará com os restos mortais do PMDB, se Henrique Eduardo ou Garibaldi Filho. Um ficará com o PEME e o outro ficará com o DEBÊ?
PEEME E DEBÊ 2
Exceção dos adversários de velhas datas existirão, no Rio Grande do Norte, iras e lamentos se os dois primos irmãos Garibaldi e Henrique decretarem o fim do histórico PMDB. Se isto acontecer, não há, nem mesmo, como se apelar para o diretório nacional. Já há braços com outros diretórios regionais divergindo da linha nacional do partido.
CIRO OU DILMA
O PSDB do Rio Grande do Norte está como se diz, pedantemente, silente em relação a Dilma Rousseff e Ciro Gomes. Mas, vai chegar a hora de se definir.
VIAGENS
A prefeita Micarla continua com o velho hábito. Todas as semanas ela viaja, no roteiro: Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Mas, sem noticiar.
EQUÍVOCO
A "Casa dos Nove Governadores" cometeu um equívoco. A governadora Wilma, quando morou lá, não foi como governadora e, sim, como "Primeira Dama". Na época era mulher do então governador Lavoisier Maia.
PAZ
Nem Garibaldi recuou do DEM, nem Henrique recuou do PSB. Mas não brigaram. Falta a decisão de quem fica com o "Peeme" e quem fica com o "Debê".
DECORAÇÃO
O restaurante Mangai agradece, certamente, a decoração do Carnatal, do Natal, do Ano Novo e do Carnaval que a Prefeitura de Natal está fazendo na cidade. Só está faltando a figura de Lampião.
O que se diz...
...Que, nem Rosalba e nem Robinson gostaram do nome atribuído, na pia batismal, formada por ele para governador e vice...
...Que o nome falado nos meios políticos é "Erre-erre", um "erre" para Rosalba e outro "erre" para Robinson...
...Que a razão de desgosto de ambos, Rosalba e Robinson é que o eleitor poderá recusar, com medo de errar votando nos dois...
...Que dois motivos fizeram adiar o anúncio da chapa "erre-erre", o primeiro pela necessidade de Robinson manter seus indicados nos cargos do Governo por mais tempo...
Caro leitor...
A sucessão estadual, tanto quanto a nacional, indefinida, apesar de precocemente provocada. Quando surge uma novidade, logo surgem várias versões. E, não raro, outro tanto de boatos. Tudo numa confusão que parece mais coisa do absurdo. Ninguém se entende, exceção, parece, de Garibaldi, Agripino e Rosalba.
No mais amigo, só confusão. E quando parece o outro lado tomar rumo, com posições até, de certa forma, estremadas entre a governadora Wilma de Faria e o presidente da Assembléia, Robinson Faria, com demissão de um lado e demissão do outro, se reconciliam, estacionam.
Política não é fácil não, hein amigo? Deixemos para lá, que nessa mesma página e outras desta edição, as notícias, se houver, parecem mais frescas, isto é mais atualizadas. Embora não acredito que aconteça. É bem verdade que o nosso presidente Lula esteve na terrinha do sal e do petróleo. O avião estava carregado - é esse o termo - com a bancada federal e Lula resolveu demorar o mínimo possível.
Já viu o amigo que estou escrevendo na quarta-feira, antes da chegada do nosso presidente Lula. No futebol, escrevo também antes da rodada programada para o sábado, ontem. O ABC terá jogado como no sábado anterior com a camisa do América? E o América, terá jogado com a camisa do ABC? Estou curioso pelos resultados.
Na área de nossa convivência pessoal, tudo bem. Estive com a Lindoca, feia paca, mas de alma boa. O Perácio não tem como mentir mais. Acho hoje uma graça enorme nas estórias dele. O Maguito está numa boa. Não precisa fazer nada, o prato chega às suas mãos. A Dindinha, cara, está no esplendor! Luzinete está esbanjando o que tem. Há, o Sanduba é um craque. Tem camisa para usar de acordo com o resultado. Já comprou camisa do ABC, do América e do Alecrim.
Um abraço, amigo. O "próximo verão" já começou. Entenda. Até domingo,
NECO.