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Natal, 04 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:12

Ao longe pisca um farol

Publicação: 18 de Abril de 2010 às 00:00
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Nelson Mattos Filho - velejador

Dias atrás li uma matéria na revista Náutica sobre como matar um clube náutico. Fiquei intrigado com o que o autor escreveu, mas reconhecendo que tudo não passava da mais pura verdade. Mas, também me reservei o direito a fazer algumas críticas as suas idéias, mesmo que em pensamento. A partir dali comecei a pesquisar sobre os clubes náuticos, para saber de suas histórias e também de suas lutas para se manter ativo e atraente aos seus sócios e para a sociedade, que vêem um clube náutico como um lugar aprazível para um gostoso almoço em família ou mesmo um jantar romântico, estando junto ao mar e com uma paisagem das mais belas.

Na minha navegada na net pelos meandros iatianos, a partida se deu na história do Iate Clube Brasileiro, primeiro iate clube do Brasil, fundado pelo Almirante Alexandrino de Alencar, primeiro Comodoro e na época Ministro da Marinha, em 10 de Setembro de 1906. Uma bela história de amor pela vela e um drama intrigante de muitas paixões nesse que foi o berço do iatismo brasileiro.

A história desse clube carioca se confunde com a da grande maioria dos seus irmãos espalhados pelo Brasil a fora. Históricos de ingerências administrativas, egos inflados, eterna briga entre velejadores e lancheiros, polêmicas, discussões entre a parte social e a náutica, muito bairrismo e terríveis indecisões.

Outrora grandes clubes, se perderam nas teias de confusões geradas na trama de burocracias e decisões mirabolantes e inconseqüentes. Manter o rumo de um clube náutico não é fácil. O timoneiro precisa ter uma sensibilidade muito aguçada para que um bordo não se transforme num perigoso jaibe chinês.

Tenho freqüentado quase todos os iates clubes situados entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Em algumas cidades presenciamos situações muito difíceis e muitas vezes sem solução. Tudo gerado pela capacidade do homem de se achar possuído de um dom supremo.

Vários clubes sobrevivem apenas em suas estruturas físicas, mas jogados num ostracismo tão elevado que até suas histórias afundaram nas profundezas abissais do oceano. Seus Comodoros ainda se sentem altivos e donos de um mundo que é somente deles. Ninguém é capaz de lhes mostrar o horizonte que se descortina a frente. Quem assim o fizer, passa a receber toda ira incontida em sua alma defasada. Vivem do passado e tiram suas idéias de grandes baús enterrados em lugares tão extravagantes que nem mesmo o mais temível pirata consegue descobrir.

Mas, felizmente esse vírus que atacou e destruiu clubes náuticos num passado recente, esta muito bem preso em tubos de ensaios de laboratórios e as vacinas que controlam seu poder de destruição são de fácil aplicação.

Um clube precisa de seus sócios, mas também não pode se fechar para a sociedade que o cerca. Fechar essa equação não é fácil. Existe toda uma infra-estrutura montada para satisfazer os desejos das pessoas, sem interferir na razão e direito de outros. Não se vive um clube náutico sem a vibração de seus sócios e muito menos sem a curiosidade de pessoas que vêem o mundo náutico com esplendor.

O esporte náutico, principalmente a vela, precisa de uma eterna renovação e essa renovação passa primeiramente nos Iates Clubes e suas regatas. Uma regata sem vibração, sem uma boa flotilha, sem competitividade, sem novos barcos, sem novos velejadores e sem público, não passa de um mero acontecimento formal e sem interesse.

Depois de muito navegar cheguei ao Iate Clube do Natal que hoje faz parte do grupo de clubes que procuraram se renovar, mas não pode baixar guarda para o vírus do ostracismo que sempre ameaça o mundo náutico. Renovamos nossa flotilha de vela com um grupo unido e com muito sangue para doar. Na pesca de oceano vivemos um momento de gloria. Na subaquática estamos aparecendo em mais de 50% dos aparelhos de TVs do Brasil. Na área social temos um dos mais belos espetáculos de música e poesia do Estado, invejado pelos grandes clubes do Brasil, elogiado e indicado por todos que tem a oportunidade de assistir, inclusive estrangeiros. Na gastronomia temos um excelente restaurante com um cardápio delicioso e muito bem equipado.

Vamos manter o rumo!

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