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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:38

Apagão ou blecaute ?

Publicação: 15 de Novembro de 2009 às 00:00
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Antoir Mendes Santos - Economista 

O Brasil volta a sofrer com a falta de energia elétrica que movimenta indústrias, que ajuda no funcionamento do dia-a-dia das cidades, e que proporciona à população o mínimo de conforto pelo simples ato de ligar um equipamento elétrico.

Muito embora o atual governo tenha alardeado que não haveria mais esse tipo de problema no país, e que os investimentos estariam sendo feitos para suprir a demanda por energia, eis que a economia brasileira volta a sentir os efeitos do apagão que se instalou na noite/madrugada do dia 10 do corrente, sem que se tenha uma justificativa plausível para esse fato.

Ao se ouvir as primeiras explicações do presidente da binacional Itaipu, hidrelétrica responsável pela geração de 20% de toda a energia consumida no país e responsável do problema, o blecaute não teria sido na usina e sim causado por fatores climáticos (raios, tempestades etc) que teriam atingido o sistema de transmissão. O inusitado nessa desculpa é que sempre o governo encontra em São Pedro a razão para todas as falhas que acontecem em problemas dessa ordem. Em todo caso e na hipótese disto ser verdade, não é possível que um sistema "robusto" de transmissão fique sujeito ao que se chama de "efeito dominó", ou seja, o que acontece em um trecho do sistema vai se transmitindo para os demais.

O fato é que estados importantes como Rio, São Paulo, Minas e outros que dependem diretamente do fornecimento de energia de Itaipu amargaram a falta de luz, em alguns casos por mais de quatro horas. É importante lembrar que a geração de energia no país depende, fundamentalmente, das hidrelétricas situadas nos grandes reservatórios d'água, as quais estão cada vez mais distantes dos centros consumidores: é o caso de Itaipu, de Jirau em Rondônia e das usinas que estão sendo construídas no rio Madeira.

Esse distanciamento entre a geração e o consumo de energia, exige que tenhamos sistemas de transmissão cada vez mais longos e, por conseguinte, susceptíveis a falhas. Ou seja, na opinião de analistas da área o problema do setor elétrico estaria no modelo de gestão empregado na transmissão de energia, que não consegue administrar as sobrecargas do sistema. Essas sobrecargas podem ocorrer entre as usinas e as empresas distribuidoras (Furnas, Eletropaulo etc), como aconteceu agora, e entre estas e os consumidores finais.

 A experiência mostra que dificilmente o governo irá admitir que existem problemas de gestão na área de transmissão. A nota oficial expedida por Itaipu fala "de tempestades, árvores com 50 anos arrancadas como se fora guarda-sóis de praia, que o sistema é seguro e finaliza com o famoso efeito dominó já referido acima". Não há dúvidas que o apagão ocorrido mostra que existe fragilidade no sistema elétrico brasileiro e que os investimentos do governo em infraestrutura, hoje centrados no Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, ainda são insuficientes (isto sem se falar nos apagões das estradas, dos portos etc).

Pela repercussão internacional do fato, há quem diga que se esse desastre tivesse ocorrido na época em que o país disputava para ser a sede dos Jogos Olímpicos e a decisão do Comitê Olímpico Internacional, talvez, não tivesse o mesmo desfecho. Como garantir a realização de um evento mundial dessa magnitude se o país não consegue suprir o fornecimento ideal de energia elétrica ?

Lamentavelmente, a síndrome do apagão já é um problema recorrente: em 1985 ficamos três horas no escuro; em 1999 a falta de energia durou 40 minutos levando, posteriormente, o governo a criar o seguro-apagão; em 2005 a escuridão atingiu os estados do RJ e ES, enquanto que em 2007 esses mesmos estados também foram prejudicados, ficando sem luz por duas horas. Se o charme era reclamar do governo FHC, o senhor Luiz Inácio que se cuide, pois, já vai emplacando o seu terceiro apagão. Enquanto a ministra Dilma não resolve se foi apagão ou blecaute, o negócio é rezar para não chover!


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