Após São Gonçalo, Inframérica arremata Aeroporto de Brasília
Publicação: 07 de Fevereiro de 2012 às 00:00
O consórcio Inframérica, que arrematou a concessão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), no ano passado, venceu ontem o leilão do Aeroporto de Brasília, avaliado como um dos mais atraentes do país, assegurando que o novo negócio não irá comprometer o projeto potiguar. "Não há como uma obra comprometer o andamento da outra", garantiu, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o diretor executivo do grupo Engevix, José Antunes Sobrinho.
Formado pela brasileira Infravix (braço do grupo Engevix) e a argentina Corporación América, o consórcio arrematou a concessão do Aeroporto Internacional de Brasília com um lance de R$ 4,5 bilhões, 673% superior ao mínimo de R$ 582 milhões, estabelecido pelo governo para o aeroporto. O ágio - a diferença entre o lance mínimo e o que o consórcio vai pagar - foi o maior registrado na disputa, em que também foram leiloados os Aeroportos de Guarulhos (Cumbica) e Campinas (Viracopos), ambos de São Paulo.
O leilão ocorreu de forma simultânea, na sede da BM&FBovespa, durou cerca de três horas e foi disputado por 11 consórcios, formados por 28 empresas, entre nacionais e estrangeiras.
SEM ATRASO
O diretor executivo do Engevix, José Antunes Sobrinho, assegura que o "imediatismo" necessário à elaboração e execução do projeto do Aeroporto de Brasília não implicará em atraso das obras do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o primeiro aeroporto federal a ser concedido e cujas obras o consórcio espera concluir antes da Copa de 2014.
As obras dos aeroportos serão tocadas simultaneamente para suprir a necessidade de acelerar investimentos em ampliação e melhoria dos serviços para a Copa, frente à incapacidade declarada de realização por parte do governo.
José Antunes Sobrinho ratifica que não há como comparar a natureza do lance entre os dois terminais (Brasília e São Gonçalo do Amarante) por se tratar de projetos diferentes, com características distintas e equipes separadas.
Ele justifica o ágio no leilão de ontem a "opções de receitas que podem ser geradas com o terminal de Brasília", conhecido pelo tráfego e transferência de passageiros. Estão previstos R$ 626,53 milhões em investimentos no aeroporto, incluindo um novo terminal que deverá abrigar 2 milhões de novos passageiros por ano. A primeira fase contará com R$ 436 milhões.
No caso do Aeroporto de São Gonçalo, o consórcio diz estar "aguardando somente a aprovação do projeto para dar início ainda neste semestre".
Como forma de antecipar as obras e acelerar a conclusão dos terminais de cargas e passageiros no RN, o projeto básico do novo aeroporto será entregue por partes, conforme mostrado pela TRIBUNA DO NORTE na semana passada. O consórcio entregará o projeto estrutural e de fundação à Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) dentro de dois meses, a contar do dia 26. A carta-consulta, que oficializa o pedido de financiamento para o projeto, foi entregue ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no dia 1º.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Benito Gama, os projetos executados pela Infravix e a Corporacion América, nas regiões Nordeste e centro-Oeste, pela característica de cada equipamento, irão complementar as operações. "Serão dois pólos de conexão direta, complementares e não excludentes", disse.
A ordem de serviço para São Gonçalo, lembra o secretário Benito Gama, foi emitida pela Anac no último dia 20 de janeiro.
Leilão rende R$ 24,5 bilhões ao Governo
O leilão dos Aeroportos de São Paulo e Brasília alcançou uma arrecadação de R$ 24,5 bilhões - quase cinco vezes o valor mínimo total de R$ 5,477 bilhões estipulado pelo Governo. Esse montante será recolhido em parcelas anuais, corrigidas pelo IPCA, de acordo com o prazo de concessão de cada aeroporto, em favor do Fundo Nacional de Aviação Civil. O dinheiro começará a ser pago pelos consórcios vencedores em 2013, conforme o cronograma estabelecido no edital da Anac.
Os recursos servirão para melhorar a qualidade dos aeroportos existentes e aperfeiçoar outros aeródromos. A presidente Dilma Rousseff, aliás, disse ontem esperar dos concessionários eficiência na administração.
No total, os três aeroportos devem receber R$ 18 bilhões em investimentos durante o período de concessão. A assinatura dos contratos deverá ocorrer em até 45 dias após a homologação do leilão. A partir da assinatura, as empresas administrarão os aeroportos durante seis meses, prorrogáveis por mais seis, em conjunto com a Infraero. Juntos, os três aeroportos respondem pela movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves no Brasil. Eles serão fiscalizados pela Anac.