Argentina temia culto a Evita Peron

Publicação: 24 de Março de 2013 às 00:00

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Com a morte de Chávez ressurge a pergunta: Por que países como Rússia, China, Vietnã, e agora a Venezuela, vão tão longe para preservar os restos de seus líderes? “A decisão de embalsamar Chávez é uma tentativa de incluí-lo em um panteão de divindades comunistas”, acredita Nina Tumarkin, uma professora de história do Wellesley College e autora de “Lênin Vive! O Culto a Lenin na Rússia Soviética.”

“É um retrocesso a tempos soviéticos, comunistas, e pode parecer obsoleto, mas pode ser o único panteão ao qual ele pertença. Melhor pertencer ao clube errado do que a nenhum”, ressalta a professora.

Outros líderes políticos embalsamados após morrerem incluíram o ditador russo Josef Stalin, apesar de seu corpo ter sido removido mais tarde, e os líderes norte-coreanos Kim Il Sung e Kim Jong Il. Mas foi a famosa exibição do fundador soviético Lenin na Praça Vermelha, em 1924, que inspirou o costume entre os líderes de esquerda.

E houve também Evita, a atriz que casou com o então presidente argentino Juan Domingo Perón e passou a reivindicar seu triunfo na garantia benefícios para a classe trabalhadora, fundações de hospitais e ajuda para que as mulheres tivessem direito a voto. Quando Evita morreu jovem, de um câncer uterino em 1952, os líderes militares que derrubaram seu marido em 1955 estavam tão preocupados com um culto à personalidade que tomaram medidas desesperadas para evitar que isso ocorresse.

Por duas décadas, o corpo de Evita foi secretamente transferido dentro da Argentina e então enterrado em cova não identificada na Itália. Enquanto isso, vários cadáveres chamarizes de cera e fibra de vidro foram enviados ao redor do mundo. O cadáver verdadeiro permaneceu em Roma até ser entregue à casa de Perón em 1971,  no exílio na Espanha. Hoje, o corpo de Evita está enterrado na cripta da família no cemitério da Recoleta, um importante ponto turístico da cidade.

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