Artista retrata figuras em pedra, cimento e madeira
Publicação: 07 de Novembro de 2009 às 00:00
Não é só de pedra e cimento a composição de suas esculturas. É além. Desse material bruto, seu Francisco Nogueira constrói há mais de 40 anos sua arte. Quando criança fazia bonequinhos de argila e da delicia que era transformar seus pensamentos em personagens, seu Nogueira descobriu-se artista. A descoberta ficou sufocada pelo trabalho pesado até os 37 anos de idade quando trabalhou em funções ligadas a escritórios. Aos poucos foi realizando trabalhos para as Forças Armadas construindo soldados e bustos para Marinha, Exército e Aeronáutica. Ao passearmos os olhos por essas instituições militares encontramos a história do Brasil esculpida pelas mãos do artista.
Com armação de ferro, isopor, cimento, pedras e telas de aço, seu Nogueira compõe mundos. “Tenho em minha cabeça a imagem que quero esculpir e vou seguindo meus olhos internos. Com as mãos moldo cada detalhe sem olhar nenhum modelo”, contou seu Nogueira ao VIVER.
Com espátulas e estiletes ele vai modelando e compondo seus “bonecos”. Dessa vez mais sérios. São representações de nomes importantes da história da Nação Brasileira como Vilagran Cabrito, Dom Pedro e várias personalidades. “Quando criança gostava muito de esculpir Lampião e Maria Bonita. E dessa inspiração surgiram os soldados que se transformaram no meu ganha pão”.
E é de arte que vive e sobrevive Nogueira. Ele que traz nos olhos de menino um frescor mesmo tendo mais de 70 anos, consegue delinear soldados, histórias e um mundo pela frente.
A prova é a sua nova escultura recém-inaugurada de José Augusto localizada em frente a Assembléia Legislativa – próximo à prefeitura de Natal. Com detalhes dos olhos, de todo o rosto, cabelos, mãos e as dobras da roupa, a escultura é de chamar atenção de quem passa. E é assim em todo o Brasil, onde o escultor tem trabalhos em quase todas as cidades. “Minha vida é essa, de andarilho, escultor e criador de histórias antigas”. E através da escultura, ele vai delineando a história brasileira entre Estados, províncias e o instrumento mais nobre nisso tudo, sua criatividade.
Seu Nogueira se lamenta de em Natal acontecer diferente das outras cidades. “Aqui as pessoas tem a estranha mania de convidar pessoas de fora para fazer esse trabalho. Enquanto lá fora eles me convidam. Mas é assim, aos poucos as esculturas vão aparecendo e vou vivendo, pois elas são meu maior alimento”, finalizou o escultor.
Serviço
Seu Nogueira realiza suas obras também no atelier próprio. Quem quiser conhecer seu espaço ou entrar em contato com o artista o contato dele é 9126.1138