Rio de Janeiro (AE) - Rafael Bussamra, que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, foi indiciado ontem por homicídio doloso (quando o réu assume o risco de matar) pela delegada Bárbara Lomba, da 15ª Delegacia de Polícia do Rio.
alessandro costa
Cissa Guimarães recebeu notícia do indiciamento com serenidade
O réu trafegava em alta velocidade dentro do túnel Acústico na Gávea, zona sul da cidade, que estava fechado ao trânsito. No local, Mascarenhas andava de skate com dois amigos. O acidente aconteceu em 20 de julho.
Segundo a delegada, ele foi indiciado por homicídio doloso porque há indícios de que estivesse disputando um racha com Gabriel Henrique de Sousa Ribeiro, seu amigo que estava em outro carro e também foi indiciado por homicídio doloso. "Os motoristas sabiam que o túnel estava interditado e os laudos apontam excesso de velocidade", disse a delegada.
O atropelador também foi indiciado pelos crimes de fraude processual (por ter levado o carro para a oficina com a intenção de consertar a lataria), fuga do local do acidente e corrupção ativa (pagamento de propina a policiais). A pena pode chegar a 34 anos de prisão.
Do último crime também foi acusado o pai do atropelador, Roberto Bussamra. Os dois admitiram ter pago R$ 1 mil a dois policiais militares para desfazerem o local do acidente e evitar a prisão em flagrante. Até o início desta noite, a reportagem não havia conseguido falar com o advogado da família Bussamra.
Os dois PMs, que respondem a inquérito policial militar, tiveram a prisão decretada na semana passada pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio. Eles foram denunciados por corrupção passiva, falsidade ideológica e descumprimento de função. Caso sejam condenados pelos três crimes, os policiais podem pegar de 3 a 8 anos de prisão.
O advogado Técio Lins e Silva disse que a atriz Cissa Guimarães recebeu "com serenidade" a notícia do indiciamento de Rafael Bussamra por homicídio doloso eventual (com intenção de matar).
Quarenta e quatro dias após a morte de Rafael Mascarenhas, atropelado na madrugada do dia 20 de julho no túnel Acústico, zona sul do Rio de Janeiro, a delegada titular da 15ª DP (Gávea) anunciou nesta quinta-feira (2) a conclusão do inquérito.
O que é dolo eventual
"Dolo eventual é dolo. É alguma vontade. É um impacto muito grave na vida de quem vai ser indiciado e julgado por isso. Então nós precisávamos ter o máximo de cuidado e de informações que fosse possível para chegar à conclusão", disse a delegada Bárbara Lomba, explicando que fundamentou a decisão nos indícios de que os ocupantes dos dois veículos sabiam da interdição do túnel e conduziam em alta velocidade. "Os autores previram o que podia acontecer e aceitaram aquilo como algo tranquilo", concluiu.