Auditor fiscal será julgado dezoito anos após acidente
Publicação: 09 de Setembro de 2010 às 00:00
A juíza Daniela do Nascimento Cosmo, que responde interinamente pela 1ª Vara do Tribunal do Juri de Natal, negou ontem o pedido de adiamento do júri popular contra o auditor fiscal Lúcio Flávio Barbosa de Andrade. Diante da decisão, o auditor fiscal senta hoje, às 8 horas da manhã no banco dos réus, no fórum Miguel Seabra Fagundes, em Lagoa Nova.
O advogado Gilvan Freire que defende os interesses de Lúcio Flávio, por meio de um fax pediu o adiamento do júri por estar em campanha política, no Estado da Paraíba e por entender que o processo é complexo.
De acordo com informações do promotor de justiça Augusto Flávio Azevedo - peça acusatória no processo- a juíza indeferiu o pedido porque não há somente um advogado que atua em favor de Lúcio Flávio. "Ele tem mais de um advogado, portanto, estamos prontos para o júri popular", reforçou o promotor.
Lúcio é acusado de ter provocado um acidente de trânsito no dia 12 de julho de 1992 em que morreu Maria José de Vasconcelos Alves, causando lesão grave em José Gobat Alves, que morreu em 2004. Após 18 anos, o réu poderá definitivamente ser julgado pelo crime que cometeu.
No dia 22 de julho passado o júri popular que iria ser realizado no fórum Miguel Seabra Fagundes foi adiado. O oficial de justiça do Estado da Paraíba não teve tempo hábil para entregar a carta precatória ao réu. Funcionários da justiça daquele Estado (onde Lúcio reside) estavam em greve.
No início deste ano uma carta enviada por meio de anonimato à justiça do Rio Grande do Norte caiu como uma bomba e causou reviravolta no caso. A denúncia mostra que Lúcio está burlando a justiça. A partir das informações recebidas, a promotoria, pediu à juíza que fossem apurados os fatos, onde foi constatado que a denúncia era verdadeira.
No começo de 2010, Lúcio renovou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no Estado da Paraíba e entrou com pedido na justiça contra a interdição. O acusado foi interditado quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). A justiça do RN entendeu que se foi feito o pedido ele já está em ampla condições físicas - era como se ele estivesse dizendo que teve problemas, mas agora está bem. O processo havia sido suspenso porque Lúcio argumentou não ter condições físicas para enfrentar um julgamento.
Consta na denúncia um CD com inúmeras fotos que comprovam que Lúcio viajou recentemente para Gramado e que chegou a ser padrinho de um casamento.