Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 25°Natal - 25°

Natal

Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:56

Augusto James Pinto Mafaldo: "Crio em situações engraçadas"

Publicação: 14 de Maro de 2010 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

Ana SilvaNo dia a dia, ele  é funcionário público, nos dias de espetáculo, ele é dar cor e história a Mafaldo PintoNo dia a dia, ele é funcionário público, nos dias de espetáculo, ele é dar cor e história a Mafaldo Pinto
Quando observava o humorista Davi Cunha, o Espanta, nos palcos, Mafaldo Pinto sonhava que um dia também poderia fazer as pessoas sorrir. Era um sonho! Que anos mais tarde ele veria começar a se transformar em realidade. Mafaldo Pinto enveredou pelo humor quando fez um trabalho de universidade, como aluno do curso de Comunicação Social. Em seguida começaram os convites para se apresentar em confraternizações e o capítulo mais recente da vida profissional desse potiguar, que nasceu em Natal e se orgulha das raízes familiares em Viçosa, é o Teatro Alberto Maranhão. Em todas as apresentações que fez lotou o TAM, o "santo de casa fez milagre".

No dia a dia, Mafaldo é funcionário público, atua como técnico de raio x dos hospitais Onofre Lopes e Coronel Pedro Germano (hospital da Polícia Militar). Nos dias de espetáculo, Mafaldo Pinto dar cor, luz, brilho e muita história para personagens do humor. Depois dos espetáculos na capital ele segue para o interior potiguar e avisa: "Quero fazer a lição de casa, fazer com que os de casa (do RN) conheçam e acreditem que existem pessoas que fazem um trabalho bem feito, que se dedica a fazer as pessoas riem".No show que apresenta, Mafaldo Pinto dá vida a vários personagens, mas como criar esses "tipos"? "Busco personagens o mais próximo possível da nossa realidade. Tem o "pinta" que é o malandro da periferia. Tem os políticos que a gente tenta jogar no show. Tem o matuto que veio da fazenda, do pé da serra; eu levo para o show o linguajar dele. Também tem o bêbado que é um personagem característico. O bêbado é engraçado de todo jeito, se ele não lhe perturbar é engraçado", responde.

Mafaldo Pinto é daqueles artistas simples, de fala fácil, tranqüilo e modesto. Alguns o apontam como o sucessor de Espanta no Rio Grande do Norte; muitos aplaudem o seu talento, milhares sorriem com ele.O técnico em radiologia que leva para os palcos alguns dos pacientes com os quais se depara. O funcionário público que coloca nos personagens um pouco dos próprios perfis dos colegas de trabalho. O natalense, que passou a infância em Viçosa, começa a brilhar no riso.O convidado de hoje do 3 por 4 é um cidadão centrado, um potiguar orgulhoso da sua terra, um funcionário público consciente das dificuldades da rede de saúde, um humorista que encanta no palco.

Com vocês, Mafaldo Pinto:

Como começou sua identificação com o humor?
Eu sempre fui muito gaiato. Fui o moleque das turmas, nas farras sempre fui o animador, contava piada, brincava. A partir de um trabalho na unidade (ele fez o curso de Comunicação Social)  nós fomos para Praça Gentil Ferreira fazer um personagem e eu criei Waleska Fashion (em 2002). E eu percebi que todo mundo gostou. Depois comecei a fazer aula da saudade. Aí veio um programa de rádio. Depois desse trabalho as pessoas começaram a incentivar, em 2005 fiz um programa na 96 FM, era o programa Bagaço. A partir daí intensificaram os convites para confraternizações. No final de 2008 eu participei do Festival de Piadas do Show do Tom (Tom Cavalcanti). Essa aparição veio a fortalecer, deu notoriedade. No Show do Tom são várias etapas, mas eu cheguei na final.

Não é comum artistas locais lotarem espetáculos do Teatro Alberto Maranhão como ocorreu com você, em duas apresentações feitas no final de semana passado. "Santo de casa fez milagre"?
Acho que faz dependendo do trabalho que ele desenvolve e a seriedade que a gente impõe no trabalho da gente. Por exemplo, já fiz quatro shows no Teatro Alberto Maranhão e Graças a Deus tive a felicidade de todos lotarem. É muita luta, muita dedicação, trabalho sério, organizado, com pessoas competentes e acima de tudo uma ajuda muito grande vem dos amigos. Eles ajudam de certa forma porque prestigiam, acreditam no trabalho, vão divulgando no boca a boca. 

Como sobreviver da piada em um Estado pequeno como o potiguar?
É uma luta constante. Primeiro a gente tem que provar que é bom. Fazer as pessoas acreditarem que a gente é bom. É um trabalho constante, uma luta constante, sempre buscando fazer, produzir o próprio show, buscando patrocínio, metendo a cara. A gente tem que acreditar. Mas é preciso muita perseverança. Acima de tudo perseverança.

O que você leva do hospital para o show e do show para o hospital (ele é técnico em raio X)?
Além dos amigos para assistir (risos). No hospital a convivência com os colegas de trabalho, com os amigos gera muita coisa engraçada. O atendimento ao paciente gera coisa engraçada. Vem muita gente do interior e em determinadas situações a gente pode aproveitar. O matuto que vem do interior para fazer o exame, até mesmo a luta que essas pessoas passam, a dificuldade delas gera coisas engraçadas. Quando chegam, as vezes, fazem o exame, as vezes a ambulância quebra no meio do caminho. Tudo se forma e se a gente garimpar dá para tirar riso disso aí.

Ou seja, você "leva" para o show alguns dos pacientes que atende?
Se não inteiramente, eu busco coisas engraçadas desses pacientes, dessas pessoas. Tem os trejeitos. Por exemplo, tem médicos que tem coisas engraçadíssimas, tem o mais alvoroçado, o mais calmo...O paciente idoso tem um  jeito de falar próprio.

O humorista "chega" ao hospital?
Fica difícil de chegar porque a gente vê muita coisa, muito sofrimento, muita dificuldade de quem procura o serviço público. Hoje ainda é muito difícil (o serviço público de saúde). A gente tenta animar o ambiente, busca levar o humor, contar piada, brincar. Essa é a intenção sempre.

No seu show você apresenta vários personagens. Como se cria um personagem?
Como estou começando uma carreira tento fazer o possível para agradar o público local. Busco personagens o mais próximo possível da nossa realidade. Tem o "pinta" que é o malandro da periferia. Tem os políticos que a gente tenta jogar no show. Tem o matuto que veio da fazenda, do pé da serra, eu levo para o show o linguajar deles. Também tem o bêbado que é um personagem característico. O bêbado é engraçado de todo jeito se ele não lhe perturbar é engraçado. Veja o bêbado andando, as saídas são muito interessantes. A gente observa, convive com essas pessoas. Aí tem a bicha, por exemplo, a Waleska Fashion (personagem do show). Outra coisa muito engraçada é a bicha declarada porque ela é solta, descontraída. Isso a gente tenta buscar particularidades desses personagens para fazer as pessoas sorrir.

Em qual desses personagens você se sente mais a vontade?
Gosto muito de fazer o bêbado e a bicha. Porque são personagens fáceis de fazer rir. A característica desses seres já traz riso. A boa piada é importante, mas eles por si só, o jeito de se vestir, de falar, o trejeito, ajuda muito. Me sinto muito a vontade quando estou fazendo o bêbado e a bicha.

O Rio Grande do Norte ficou meio "órfão" do humor com a morte de Davi Cunha, o Espanta. Você seria o sucessor de Espanta?
Existe esse comentário. Espanta para mim é o marco do humor do Rio Grande do Norte. A gente vem numa luta. Se o nome é ser sucessor eu gostaria muito de ser. Sei que a luta é grande. Espanta é uma referência muito positiva. Toda vez que me comparam eu fico muito feliz porque é sinal que as coisas estão caminhando para o lado correto, para o lado bom, para o lado profissional. Tenho Espanta como uma das grandes referências do humor. Eu costumava muito ir aos shows dele e algumas vezes cheguei a conversar com ele. Ser o sucessor de Espanta para mim é o prazer maior do mundo. Se conseguir chegar perto dele, da importância que ele teve seria uma honra.

Em quem você se espelha no humor?
A grande referência do humor sempre foi Chico Anísio, Tom Cavalcante. Gosto muito do estilo de Shaolin, ele é muito bom. Gosto muito de Zé Lesin que é o matuto perfeito. Agora como disse minha primeira referência de humor próximo foi Espanta. Acho que peguei a vontade de dizer que era capaz de fazer e acreditar vendo ele (Espanta). Vendo Espanta eu pensei "pode sair outro (do Rio Grande do Norte)". Agora tem também a herança que trago do meu pai. Meu pai é muito gaiato, muito bem humorado. Acho que eu herdei essa coisa dele. Ele é sempre muito alegre, sempre contando piada, anedota. No mundo profissional vejo Espanta como a primeira referência. Mas na vida pessoal acho que papai foi um marco, uma referência sempre de animação, de se confraternizar, de animar.

Como se faz uma boa piada?
As piadas que eu pego sempre vejo alguém contando. Se a pessoa contar de forma simples e eu achar graça é porque a piada quando for trabalhada vai render dez vezes mais. Geralmente, não faço piada. Crio algumas coisas em situações engraçadas. Eu atualizo, contextualizo a piada.

Nos shows qual foi o momento mais delicado que você precisou apelar para o improviso?
Improviso é super importante. Graças a Deus tenho facilidade de improvisar em determinadas situações. O momento mais difícil é quando alguém da plateia resolve interagir mais do que o normal. Se for show aberto é difícil porque as vezes tem o bêbado, o doido e ele pode atrapalhar seu show e tirar você do sério. No teatro é mais tranquilo, mas sempre tem um gaiato que quer ficar participando do show. Nesse (dia 5 de março, quando esteve no Teatro Alberto Maranhão) teve uma mulher que ficava querendo "dar a deixa", até perguntei se ela queria rachar o dinheiro do show. 

Qual o plano de Mafaldo Pinto? Você pretende deixar o técnico de raio X e seguir só com o humorista?
Não. Eu pretendo somar e nunca diminuir. Meu objetivo é fazer com que o RN me conheça mais. Tenho projetos para ir a Mossoró, Caicó. Tem também um convite maravilhoso de ir para Santa Cruz e se Deus quiser estarei lá. Tem também Pau dos Ferros. Quero fazer a lição de casa, fazer com que os de casa conheçam e acreditem que existem pessoas que fazem um trabalho bem feito, que se dedica a fazer as pessoas riem. Se eu conseguir, se Deus quiser, fazer sucesso a nível nacional, eu tenho em mim a mentalidade do orgulho do RN, de vir de uma cidade pequena como Viçosa. 


Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

mariarosariosp@...14/03/2010 @ 12h55
Todas as informações dadas por este artista são verdadeiras, pois o acompanho a algum tempo e conheço a sua família.Porém, senti falta na sua fala de uma pessoa magnífica, o seu pai( o Sr. Jaime)um grande contador de piadas,mas parabéns e sucesso.
luizdenatal@...14/03/2010 @ 18h51
Parabéns Mafaldo Pinto, você tem tudo pra vencer no cenário do humor nacional, até mesmo por que já trabalha com a saúde pública no Brasil que não deixa de ser uma piada. Perseverança que você está no caminho certo, mesmo com essa sua cara de "xixi na areia".
elizaleeds@...14/03/2010 @ 18h35
Gostei muito quando ele diz:"Quero fazer a lição de casa..." É importante essa fala para ñ acontecer o q aconteeceu com o nosso CAMARA CASCUDO. Pois têem pessoas q ñ sabem quem foi nem o q ele fez. PARABÉNS, MUITO SUCESSO E Q DEUS TE ABENÇOE, VOU REZAR PARA VC CRESCER.
edmilsondemelo@...14/03/2010 @ 22h45
Esse é o cara da vez, é nosso e estar protegido por "DEUS", e a quem "DEUS" promete ão falha, vá em frente Mafaldo o mundo é seu o riso é nosso.
alexandremafaldo@...07/04/2010 @ 09h17
É isso ai primo! Pé no chão e muinta humildade, o resto você sabe como fazer. A minha torcida é toda sua!!!
Tribuna do Norte