Um juiz federal, a mãe, a filha e um amigo da família foram feitos reféns durante mais de uma hora, no início da noite de quarta-feira (21), em Parnamirim. Dois homens armados aproveitaram o portão da casa aberto, entraram, anunciaram o assalto e fizeram um arrastão na residência. A polícia foi acionada, mas apesar das diligências não conseguiu prender os acusados. Os bandidos levaram eletroeletrônicos, aparelhos celulares e dinheiro, mas deixaram o medo. A família pensa em mudar para um condomínio fechado. Com receio de represália, o juiz preferiu não revelar a identidade e pediu para que não fosse divulgado o endereço da residência.
Roberta Trindade
Bandidos revistaram a casa e levaram eletroeletrônicos, celulares e dinheiro da casa do juiz federal
A dona de casa Maria Alzenira Pereira, 65, mãe do magistrado contou que estava no quarto da neta e iria dar mamadeira para a criança quando percebeu a chegada dos assaltantes. Eles amarraram as mãos do meu filho e do amigo com cadarço de tênis e levaram os dois para um dos quartos. Mandaram que ficassem sentados no chão. Depois obrigaram que eu fosse com minha neta para o mesmo quarto”.
Alzenira lembra que um dos bandidos colocou uma cadeira na frente da porta do quarto. “Ele ficou sentado olhando para nós com a arma na mão enquanto o outro fazia o arrastão”.
Os assaltantes queriam muito dinheiro e chegaram a perguntar para o juiz se ele tinha R$ 5 mil. Com a resposta negativa os bandidos passaram a revirar a casa à procura de objetos de valores. “Eles ficaram tanto tempo na minha casa que cheguei a perguntar se iriam demorar muito e um deles respondeu: “Nós estamos incomodando?”, conta a dona de casa que retrucou: “Minha neta está inquieta”. Com ar de deboche um deles mandou que dona Maria fizesse o leite para a criança, mas a mulher preferiu permanecer com a bebe no colo para protegê-la.
Mais de uma hora se passou quando um dos assaltantes telefonou para um cúmplice. Pelo celular, o bandido explicou o caminho que o comparsa deveria fazer para chegar até a casa. Enquanto o homem não chegava, a dupla fez um lanche. Comeram bolo, todos os chocolates (de uma marca famosa), tomaram licor e iogurte. “Um deles deu uma mordida em uma pera, mas acho que não gostou da fruta. Estavam despreocupados e disseram não ter pressa. É uma vergonha”, diz Alzenira.
Somente quando os bandidos fugiram, as vítimas conseguiram se livrar dos cardaços que amarravam as mãos e avisaram os vizinhos. “É uma sensação horrível. Vou conversar com meu filho para mudar daqui o mais breve possível”, conclui a dona de casa.