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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:45

Bióloga levanta hipóteses para a mortandade de moreias

Publicação: 11 de Maro de 2010 às 00:00
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A causa da morte de moreias e peixes, ocorrida no litoral Norte no último fim de semana, ainda não foi desvendada. Porém, uma hipótese do que teria provocado essa mortandade se fortalece cada vez mais. Segundo a bióloga da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Liana Mendes, o que chama a atenção é o fato de a água ter apresentado temperaturas entre cinco e seis graus acima da média.

 Em Maracajaú, onde a UFRN mantém uma base de monitoramento permanente, a água tem, em média, 28 graus, e chegou na semana passada a 33 graus. "Mergulhamos em Pirangi semana passada e estava muito quente: 32 graus a sete quilômetros da costa, 15 metros de profundidade. Não sabemos porque subiu tanto, foi uma elevação anormal".

Liana Mendes disse ainda que 80% das espécies eram moreias, que teoricamente são menos susceptíveis a níveis baixos de oxigênio e alto nível de toxinas. "Mas elas naturalmente abrigam muitos microorganismos, nos dentes, nas escamas, etc. Talvez tenham ficado debilitadas por algum motivo que ainda não sabemos e que pode ter facilitado uma infecção generalizada".

Outra hipótese possível pode ter sido ainda um eventual boom de algas tóxicas. "Mas permanece a dúvida porque a maioria são moreias. A contagem não foi concluída, mas os registros em Maracajaú mostram que havia aproximadamente 100 bichos mortos por quilômetro de praia". Liana contatou outros biólogos de todo o país, da região Sul ao Nordeste.

"Eles falaram de eventos parecidos que acontecem esporadicamente, de peixes que morrem e podem ser associados a algas tóxicas. Teve um caso em aquário no Havaí em que moreias morreram com infecção bacteriana", lembrou.

Mas ela destacou que as investigações são demoradas e muitas vezes ficam sem explicação. O mini-projeto emergencial em parceria com o Idema, UFRN e Ong Oceânica começa a partir da semana que vem. A investigação, que envolve 10  pesquisadores, incluirá visitas de campo para mais coleta de material, como areia, raspagem e outros elementos que ajudarão a nortear uma hipótese mais precisa.

"Estudar material biológico agora é inviável, a menos que encontre bichos em melhor estado de conservação, que aí poderão ser congelados para se analisar os tecidos, por exemplo", completou.

Essa também é a preocupação do coordenador do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL) da UFRN, Guilherme Fungêncio. Ele está responsável pelas análises ecotoxicológicas da água, que  começaram ontem e vão demorar cinco dias para serem concluídas.

"O estado da água pode mudar do que era no dia em que o fato ocorreu. O Idema está montando uma equipe para ir ao local para coletar mais água, mas está demorando demais", disse. Parte das análises será realizada no laboratório de Biologia Pesqueira do DOL. As espécies marítimas que apareceram mortas entre Rio do Fogo e Muriú estavam em estado avançado de putrefação.

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comentários

ed340ms@...11/03/2010 @ 11h23
Muito bom a participação da nossa UFRN. Recentemente derramaram criticas ácidas nos seus laudos sobre o Morro do Careca. Laudos são atividades técnicas, científicas e responsabilidades profissionais. O desastre ecológico merece ser mensurado pela vertente econômica e social.
iangjr@...12/03/2010 @ 01h46
Com o intuito de auxiliar os biólogos e pesquisadores, sugiro que sejam feitas coletas de moreias vivas (se ainda restar alguma), para identificar se existe algum indício de toxinas em menores quantidades do que as encontradas nos animais mortos. Soube de um evento parecido com esse do RN em Maceió nesse final de semana passado, porém em menor quantidade. Pode-se investigar e solicitar informações de especialistas locais. Não sou biólogo ou oceanógrafo, apenas um mergulhador preocupado com o meio ambiente. Eventos como esse nos fazem parar para pensar sobre o que estão fazendo com o meio ambiente e com o planeta de um modo geral.
Tribuna do Norte