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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Câncer de mama: novas diretrizes

Publicação: 25 de Outubro de 2009 às 00:00
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Alex RégisMinistério da Saúde estima que 2009 termine com uma média de 49 mil novos casos no BrasilMinistério da Saúde estima que 2009 termine com uma média de 49 mil novos casos no Brasil
Isaac Ribeiro
- repórter

O Governo Federal, através do Ministério da Saúde, tem realizado mudanças na legislação relativa ao atendimento de pacientes com câncer de mama, dando ênfase à prevenção, na tentativa de conter o avanço da doença no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o problema atinge cerca de 50 mil mulheres por ano no País, provocando uma média de 11 mil mortes. As principais mudanças no Sistema Único de Saúde estão na portaria 1.183, de 3 de junho deste ano, que determina a realização de mamografia em mulheres que não apresentem sintomas de câncer de mama, como forma de prevenção - antes só era realizado em quadros sintomáticos. A outra medida é a Lei 11.664, de 29 de abril de 2008, já em vigor, que assegura a realização gratuita, no SUS, do exame de mamografia para mulheres acima dos 40 anos de idade.

O câncer de mama é a doença que causa mais mortes entre mulheres brasileiras e o segundo tipo mais frequente. O exame de mamografia é considerado o melhor meio para o diagnóstico precoce da doença, por detectar o tumor antes mesmo que ele se torne palpável e seja perceptível no auto-exame de toque.

O Rio Grande do Norte é o terceiro estado nordestino com mais casos registrados. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira  de Mastologia no Rio Grande do Norte, cirurgião mastologista Eliel de Souza, estimativas do Ministério da Saúde indicam um total de 49 mil casos até o final deste ano no Brasil. Para o Estado, o número é de 529 novos casos; 190 apenas em Natal.

"São números muito altos, ainda mais se considerarmos que para cada cem mil mulheres brasileiras cinquenta e uma desenvolvem a doença. No Nordeste são quarenta e dois casos para cada cem mil", comenta o mastologista, acrescentando serem os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul os detentores dos maiores índices.

Segundo dados da Sociedade Americana de Câncer, aproximadamente 1,3 milhão de mulheres recebem diagnóstico de câncer de mama todos os anos no mundo, sendo que 465 mil morrem.

Estado se prepara para cumprir o que determina nova lei

Está em vigor desde o último mês de abril, a Lei 11.664, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer mamografia anual a todas as mulheres acima dos 40 anos de idade. Cumprir a lei representa um grande desafio para o serviço público, que precisa estar devidamente equipado e com pessoal capacitado para a tarefa.

De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Juliana Araújo, o Rio Grande do Norte ainda está se adequando para cumprir plenamente o que determina a nova legislação. Mas segundo ela, o atendimento às mulheres já vem obedecendo uma nova rotina, baseada na portaria 1.183, de 3 de junho deste ano, que determina realizar mamografia unilateral no rastreamento do câncer de mama entre mulheres assintomáticas e com mamas sem alteração.

"Antes o exame era realizado apenas quando existia sintomologia ou alterações", diz Juliana, enfatizando que a adequação à Lei 11.664 no Estado será em etapas. "Estamos fazendo um rastreamento por região e tentando enquadrar as mulheres nos exames que temos disponíveis."

Outro passo é a capacitação de pessoal nas regionais de saúde espalhadas pelo Estado. "Estamos buscando o quantitativo de casos em cada região", comenta a coordenadora, acrescentando ainda que o objetivo é descentralizar o serviço além da capital e incentivar a população feminina a procurar os seus direitos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio Grande do Norte, mastologista Eliel de Souza, para que a lei funcione de fato será preciso o poder público "comprar a ideia" realmente e haver uma cobrança por parte das entidades, da classe médica e da sociedade. "A lei sozinha não vai funcionar. Mas a população ainda não sabe dela."

Mas em meio a isso tudo há uma questão? O serviço público de saúde está realmente estruturado para cumprir o que diz a lei? Após receber o diagnóstico de um nódulo na mama, a paciente assistida pelo SUS chega a esperar de três a quatro meses por uma cirurgia ou outro procedimento semelhante - comprometendo as expectativas de cura. Todos sabem que quanto mais cedo o problema for tratado, mais chances a mulher tem de ser curada.

"É preciso que as dinâmicas de atendimento sejam melhoradas e que haja uma maior facilitação nas autorizações dos exames. Mas existem muitos entraves burocráticos e o funcionamento é precários nos postos de assistência básica", avalia Eliel de Souza.

Homens também são vítimas do câncer de mama

Câncer de mama não é exclusividade do sexo feminino. Para cada 100 casos da doença em mulheres, há um em homem.  Embora seja bastante raro, o número de homens com o problema tem crescido bastante e preocupa os especialistas da área.

A incidência maior da doença é em homens acima dos 35 anos e o risco aumenta com o avançar da idade. Os fatores de risco são semelhantes aos das mulheres: histórico familiar, surgimento de tumores pré-malignos no passado, excesso de peso e dieta com muita gordura. Os sinais podem ser nódulo, secreção com descarga mamilar, retração do mamilo e ulcerações. O tratamento também é similar ao feminino, dependendo do grau da doença e do estado de saúde do paciente: biópsia, mastectomia, radioterapia e quimioterapia.

A estimativa do câncer de mama masculino, hoje, no Brasil, é de 250 novos casos por ano. Da mesma forma, quanto mais precoce iniciar o tratamento, melhor o resultado.   

Mitos e verdades sobre o câncer

É CONTAGIOSO?

MITO - Ainda que seja causado por um vírus, o câncer não é contagioso. Mas alguns vírus oncogênicos (aqueles capazes de gerar a doença) podem ser transmitidos através do contato sexual (como o papiloma, que pode causar o câncer de colo de útero), de transfusões de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas.

DESODORANTE ANTIPERSPIRANTE PODE CAUSAR CÂNCER DE MAMA?

MITO - Não procede. O boato circula na internet há algum tempo, mas sem fundamento. Na axila não existem células mamárias e não há estudos que comprovem tal afirmação. Em tempo: antiperspirante é o mesmo que antitranspirante.

MELHOR TER VÁRIOS NÓDULOS QUE APENAS UM?

MITO - Ter um ou vários nódulos não tem influência direta na gravidade da doença, como indicam alguns estudos científicos. Vale lembrar que nódulo nem sempre indica câncer.

AUTOEXAME DE MAMAS MENSAL DISPENSA O EXAME DE MAMOGRAFIA?

MITO - Se a mulher fizer o autoexame todos os meses e visitar o médico anualmente, submeter-se a uma mamografia por ano é suficiente. Porém, nenhum deles é suficiente sozinho. Alguns cânceres de mama são detectados apenas pela mamografia; outros só com o exame médico. A American Cancer Society recomenda a mamografia, juntamente com autoexame e exame físico feito por um profissional de saúde.

AMAMENTAR PROTEGE O PEITO DO CÂNCER DE MAMA?

VERDADE - Ao mamar, as células mamárias são ocupadas pela produção de leite e acabam se multiplicando menos, reduzindo o risco de contrair a doença.

CÂNCER TEM CURA

VERDADE - A medicina indica, porém, que o tratamento seja individualizado e cada paciente responde de forma diferenciada às terapias. O câncer tem cura, desde que diagnosticado precocemente e com acompanhamento correto.

O Instituto Datafolha realizou uma pesquisa, a pedido da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, com mais de 500 mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. Confira alguns resultados:

- 79% citaram, de forma espontânea, o câncer de mama entre as doenças que trazem sérios riscos à vida.

- 96% das entrevistadas acreditam que a detecção em fase inicial aumenta as chances de cura da doença.

- 82% das mulheres ouvidas na pesquisa acreditam que o auto-exame seja a principal forma de detecção do tumor.

- 35% apontaram a mamografia como a principal forma de detecção da doença.

- 51% não sabem que existem diferentes tipos de câncer de mama.

- 68% citaram quimioterapia como método de tratamento mais conhecido.

- 38% citaram radioterapia

- 30% citaram cirurgia

- 4% citaram os medicamentos biológicos.


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