Yuno Silva e
Tádzio França - Repórteres
O Maloqueiro High-Society se encontra com Olinda Original Style em Natal nesta sexta-feira, a partir das 23h, durante lançamento do projeto Studio Peppers, na boate Pepper's Hall, onde as bandas Eddie e DuSouto abrem uma sequência de programações alternativas e independentes promovidas pela casa. A noite ainda incorpora discotecagem do DJ Zé Caxangá. Os ingressos antecipados custam R$ 25 e estão à venda na Oculare, Midway Mall - na hora o valor será ajustado para R$ 30.
Divulgação
O encontro de Olinda e Natal marca os shows da banda Eddie, que está com novo disco Veraneio e dos potiguares DuSouto, em vias de lançar o novo trabalho Cretino, hoje no Peppers Hall
Os pernambucanos estão de volta a Natal após uma extensa temporada entre shows e gravações no Sudeste, e apresentam seu novo e elogiado álbum, "Veraneio", o quinto da carreira, lançado no começo deste ano com grande festa em Olinda. Como de praxe, "Veraneio" se esbalda nas misturas sonoras habituais de forma livre e arejada - entre dub, frevo, samba, rock, disco music e funk, há pérolas como "Delírios espaciais" e "O saldo da glória". Também não faltarão hits de trabalhos anteriores como "Quando a maré encher", "Pode me chamar", "Eu sou Eddie", "Futebol e mulher", "Guia de Olinda", "Sentado na beira do rio", entre outros.
Formada em 1989 por Fábio Trummer (guitarra, craviola e voz), a banda passou por mudanças na formação, vivenciou de perto a explosão criativa do Movimento Manguebeat capitaneado por Chico Science (Nação Zumbi) e Fred 04 (Mundo Livre S.A), e contabiliza no currículo o lançamento de outros quatro discos: "Sonic mambo" (1998), "Original Olinda style" (2002), "Metropolitano" (2006) e "Carnaval no inferno" (2008). Além de Trummer, que concedeu entrevista ao VIVER por telefone, a escalação completa traz Rob Meira no baixo, Kiko Meira na bateria, Andrét Oliveira nos teclados, trompete e samples, e Alexandre Urêa na percussão e voz. O percussionista veterano Erasto Vasconcelos, sexto elemento da banda, não virá a Natal.
Já o DuSouto, formado por Paulo e Gabriel Soulto e Gustavo Lamartine, seguem levando o samba pra dançar com o samba, funk, ragga e jungle. A música "Cretino" já virou um dos hinos da noite natalense - assim como "Black point" e "Aonde está meu outro par da sandália havaiana?". No embalo de "Cretino", o trio faturou os prêmios Hangar de Música, Vídeo Clipe e Banda. Com público cativo em Natal, o DuSouto tem atravessado fronteiras, com animados shows recentes em Brasília, Recife e João Pessoa.
ENTREVISTAFÁBIO TRUMMER - VOCALISTA DO EDDIE
Fábio, vocês lançaram o novo disco "Veraneio" pela internet antes do CD físico? Acredita que essa tendência é um caminho sem volta?Lançamos as duas versões (virtual e física) de uma vez, e divulgamos e distribuímos de forma independente, esse formato funciona muito bem. É muito interessante para a banda que o público ouça as músicas antes dos shows, então diria que o caminho é de mão dupla.
Os discos e shows do Eddie são tidos como momentos de celebração, de diversão. A banda tem consciência disso?Temos sim, e essa é a intenção! [risos] Sentíamos falta de uma música para festejar. Lembro que no começo da carreira, paralelamente ao trabalho musical, produzíamos eventos, festas de blocos de Carnaval, e naturalmente fomos moldando nosso som, que acabou atrelado a essa coisa de dançar, de celebrar, da alegria. Esse entusiasmo é uma característica do nordestino, e quando rola prazer no trabalho que está sendo feito a coisa fica melhor ainda. E que bom que o público é contaminado! Antes tínhamos dois repertórios diferentes para cada época do ano, agora é frevo o ano inteiro. É uma música maestra, impossível ficar parado, onde o prazer está em não se repetir, em processar as referências sem soar parecido.
Erasto Vasconcelos (irmão de Naná) virá para esse show?Dessa vez não, ele tem compromisso no Recife sábado, será homenageado pelo bloco Chocalho do Neno. Erasto está com 75 anos, e como não costuma dormir durante as viagens de ônibus preferimos poupá-lo para estar inteiro nos dois shows que temos por lá neste fim de semana.
Há possibilidade de um encontro no palco entre Eddie e DuSouto? Ainda mais que são bandas que mantêm uma ligação desde os tempos do General?É bem possível mesmo que aconteça, afinal uma banda conhece o repertório da outra, mas só saberemos quando chegarmos aí. O General Junkie nos influenciou muito, estava no (bar) Chernobyl quando Paulo Souto fez um de seus primeiros shows, gravamos uma música de Gustavo Lamartine ("O Amargo") no nosso segundo disco, então temos essa ligação forte com Natal por causa disso e estar aqui é como completar um ciclo afetivo.
Entre as características do Eddie estão as referências à Recife e Olinda, ao Carnaval. São temas recorrentes nas músicas da banda...Cara, essa é uma busca quase inconsciente. A partir de Recife e Olinda espelhamos o mundo, e vice-versa. Apesar das diferenças sociais e econômicas, as cidades são muito parecidas, principalmente quando pensamos em música. A parcela do público que se identifica com o rock, que curte bandas independentes e vai aos nossos shows é semelhante em todo lugar. Então o desafio é descobrir e acessar essas pessoas. Mas temos um plus, que é atiçar a curiosidade e a vontade das pessoas em conhecer Pernambuco de que tanto que falamos. Antes de ser músico profissional, lembro que adorava ouvir coletâneas para imaginar as cidades de onde os artistas vinham, qual seria o ambiente urbano que resultaria em tal estilo. Fiquei com isso na cabeça e levanto a bandeira.
Este ano marca os 15 anos da morte de Chico Science e Eddie tem tudo a ver com o movimento. Até que ponto vocês estão conectados a estética mangue?A diversidade é o principal ponto em comum com o mangue. Cresci influenciado pelo Chico, pelo Fred 04, e quando a coisa toda estava acontecendo o Eddie consolidava sua identidade. Concordo totalmente com eles quando dizem que é muito mais fácil conquistar espaço se estivermos juntos. Na época (1993/1994) Chico estava assinando contrato e chegou a dizer para incorporarmos mais percussão, que deveríamos ir todos de uma vez, mostrou que havia possibilidade de abrir portas se tivéssemos personalidade, se apostássemos nessa fusão do pop com as tradições pernambucanas. Somos músicos populares urbanos, e nossa música é a de Carnaval, cresci ouvindo Clara Nunes e tantos outros no rádio. O rock, pra mim, só pintou na adolescência, e se formos ver ele só funciona enquanto mercado se tiver identidade.