Casos suspeitos crescem no RN

Publicação: 12 de Fevereiro de 2011 às 00:00

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Roberto Lucena - Repórter

Esse ano, o número de suspeitas de dengue aumentou mais de 350% em relação ao mesmo período do ano passado. A informação consta no Sistema de Informação de Agravos Notificados (Sinan) da Secretária de Estado da Saúde Pública (Sesap) e foi divulgada ontem. Em 2010, foram notificados 181 casos de dengue no Rio Grande do Norte. Até o último dia cinco, esse número saltou para 835. Apesar de alarmante, o número não corresponde à realidade do estado. Até agora, apenas 71, dos 167 municípios potiguares, enviaram os dados para a Sesap. Os dados são referentes a quinta semana epidemiológica.

emanuel amaralA permanência de apenas um turno de seis horas diárias dos agentes não cobre a necessidade de Natal e a situação pode ficar críticaA permanência de apenas um turno de seis horas diárias dos agentes não cobre a necessidade de Natal e a situação pode ficar crítica
Das 835 notificações no estado, cinco são de casos confirmados. Há ainda, a notificação de um óbito com suspeita de dengue, mas sem confirmação. Os municípios que estão classificados com incidência alta da doença são: Pau dos Ferros (84), Equador (41), Doutor Severiano (41), Luís Gomes (39), Rafael Fernandes (28) e Paraná (12).

No boletim da quarta semana epidemiológica, Natal aparecia entre as cidades com incidência alta em dengue com 35 casos suspeitos notificados. Dessa vez, a capital não apareceu no relatório porque a secretaria municipal de Saúde (SMS) não enviou os dados em tempo hábil. Assim como Natal, mais 70 municípios deixaram de enviar seus levantamentos. A falta de informação preocupa a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Juliana Araújo. “É muito importante sabermos como está a situação de cada município. Só assim podemos planejar ações de combate a uma possível epidemia”, relata.

De acordo com a coordenadora do programa de dengue no RN, Kristiane Fialho, as secretarias municipais de saúde precisam enviar os dados até toda terça-feira. “Precisamos saber desse números toda terça-feira. Infelizmente os municípios não estão nos enviando essa informação”. Para tanto, a Sesap disponibiliza três meios: e-mail, telefone ou fax. “Mesmo com todas essas opções, as secretarias deixam de nos apresentar os números”, lamenta Juliana Araújo.

De acordo com Juliana, a situação das vigilâncias sanitárias nos municípios do interior do estado é preocupante. “Sabemos que as vigilâncias não são bem estruturadas”, diz.

Já na capital potiguar, a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap ver dificuldades no trabalho dos agentes de combate a endemia. Essa semana, a categoria ensaiou um movimento grevista. Após um acordo com o secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, a paralisação foi descartada. Porém, a recomendação do Ministério Público que orienta uma carga horária de 40 horas semanais continua sendo descumprida pelos agentes.

Segundo Juliana Araújo, a permanência de apenas um turno de seis horas diárias não cobre a necessidade de Natal. Segundo ela, na prática, cada agente só trabalha quatro horas por dia. “A Sesap fez um trabalho de acompanhamento e constatou que o agente perde cerca de duas horas entre o deslocamento de casa para o local de trabalho e o intervalo entre a visita de cada residência”, explica. A subcoordenadora explica que cada agente tem como meta visitar, em média, 25 residências diariamente. “Com apenas um turno de seis horas e com o número de agentes disponíveis, essa média caiu para 18”.

Para solucionar o problema, Juliana  afirma que a SMS deveria dobrar o número de agentes em campo. Atualmente, Natal conta com 330 agentes de combate a endemias. “O que não pode é deixar de cumprir a meta de pelo menos seis ciclos de visitas ao ano para tentar impedir a epidemia”, ressalta.

A TRIBUNA DO NORTE tentou entrar em contato com a SMS. Através da assessoria de imprensa da prefeitura, a reportagem obteve o contato de Maria Perpétuo do Socorro. Segundo a assessoria, essa pessoa podedira falar sobre o assunto. Porém, o número de celular fornecido só chamava. A reportagem também tentou contato com o titular da pasta, Thiago Trindade, mas o celular do mesmo estava desligado.

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