A missa do padroeiro de Angicos, São José, marcou, na manhã desta sexta-feira (19), um dia de esperança para os agricultores, que têm no 19 de março um divisor para o começo do inverno, imprescindível para quem vive numa região semi-árida. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Natal, dom Matías Patrício, para quem a ocasião tem um gosto especial: "Venho aqui todo ano" disse ele, pois nasceu em Santana do Matos, mas se criou em Angicos: "Aqui cheguei aos cinco anos e aprendi o bê-a-bá". Além de dom Matias Patrício, participaram da homilia, que começou às 9h30, o administrador paroquial de Angicos, padre Vicente Fernandes da Silva Neto e cinco párocos de municípios da região do Sertão Central do Rio Grande do Norte.
Emanuel Amaral
Centenas de pessoas foram à missa de São José em Angicos
Às 6h foi celebrada a primeira missa do dia, presidida pelo padre Francisco das Chagas Pereira Pinto, enquanto às 15h é prevista a celebração da terceira missa do dia de São José presidida pelo vigário geral de Natal, Aerton Sales, e em seguida a realização da procissão pelas principais ruas da cidade. O encerramento das festividades do padroeiro de Angicos ocorrerá às 18h, com a última missa na matriz de São José.
Durante a liturgia, a leitura do Evangelho coube ao senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) e do prefeito do município, Clemenceau Alves. Outros políticos norte-rio-grandenses prestigiaram a missa campal do meio da manhã, na Praça Capitão José da Penha, como a deputada federal Sandra Rosado (PSB), os deputados estaduais Walter Alves, Nelter Queiroz, Poti Júnior (PMDB) e Márcia Maia (PSB), que representou a governadora Wilma de Faria (PSB) ao lado do secretário estadual do Trabalho e Ação Social, José Gercino Saraiva Maia e ainda o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves e prefeitos de municípios vizinhos a Angicos.
No meio da homilia, dom Matias Patrício disse para os fiéis que se aglomeravam em frente ao palanque, que todos deviam "sair dali convencidos de que São José nos estimula ao encontro de Deus". A ocasião também levou fiéis ao pagamento das tradicionais promessas, todos vestidos de amarelo, que é a cor das vestimentas de São José, como Dalvanira Fonseca de Souza, que veio do sítio Mulungu, no município de Pendências, no Vale do Açu: "Todo ano a gente vem, faz dez anos", disse ela, a respeito da promessa que fez para se curar das dores que sofria pelo corpo.
Severino Martins de França, 80 anos, chegou amparado pela mulher e parentes, porque já sofre do mal de Parkinson e tem dificuldades de andar. "Vim colocar a oferta de São José para pegar um lugar melhor lá fora", disse ele, diante do altar de São José. Já Ana Raimunda da Silva diz que vai pagar a penitência, que não pode revelar, "até morrer", mas vestida de amarelo, disse que vem para a missa assim há três anos.
Os celebrantes ainda pediram aos fiéis que rezassem pelas almas dos ex-prefeitos Zélias Alves e Jaime Batista e ainda pelo jovem Vágner Silva dos Santos, que morreu de acidente de carro na noite da quinta-feira, dia 18, na entrada de Angicos, cujo corpo foi velado na Câmara Municipal e enterrado à tarde no cemitério público municipal.
Afora o ato religioso, há quem aproveite os festejos de São José para ganhar algum dinheiro com peças de cunho religioso. Valclécio Pereira de Castro é de Juazeiro (CE) e sempre vem a Angicos vender escapulários, "com a volta de vários santos" que os fiéis pegam para benzer e que custa apenas R$ 1. Já uma fitinha, tipo aquelas do Senhor do Bonfim, com o nome do santo de devoção, é vendida por somente R$ 0,25. Uma das peças mais caras, o rosário de louça, é vendido a R$ 5.