Rodrigo Sena
Ben-Hur passa por tratamento no departamento médico Alvinegro
Felipe Gurgel - repórter de Esportes
Os Departamentos Médicos dos maiores clubes do Rio Grande do Norte tiveram que trabalhar dobrado em 2009. Como nunca tinha acontecido antes, vários jogadores de ambos os times, sofreram com lesões ao mesmo tempo, deixando os DM lotado por várias semanas. Algumas contusões corriqueiras, como as musculares, e outras mais graves, como a do volante Júlio Terceiro do América, que ficou cinco meses afastado dos gramados, tendo como "casa", o Departamento Médico americano, como também o caso do zagueiro abecedista Ben-Hur, que precisou operar o joelho e virou frequentador assíduo do setor médico alvinegro.
O excesso de jogadores contundidos com a falta de dinheiro dos clubes potiguares poderia ser considerado um problema para os médicos responsáveis pela saúde dos atletas. Mas, de acordo com homens de branco, a situação atual dos Departamentos Médicos, tanto do ABC, quanto do América, é satisfatória.
Médico do América há 38 anos, o doutor Maeterlink Rêgo conta que, hoje em dia o Departamento Médico do seu clube não fica devendo nada para os outros clubes do Brasil. "Posso afirmar tranquilamente, que em relação aos exames paramédicos, nosso Departamento não fica devendo em nada aos outros que vejo por aí. Isso não quer dizer que temos tudo que é preciso, mas, com o que temos, conseguimos tratar de quase todas as contusões dos atletas", afirma Maeterlink.
Atualmente a área médica americana é composta por dois médicos, um fisioterapeuta e dois massagistas. De acordo com o chefe do setor médico alvirrubro, ainda faltam algumas peças para que os atendimentos, e o rendimento dos atletas fluam de maneira mais eficaz. "Até 2006, quando o América estava na série A do Campeonato Brasileiro, nós tínhamos uma nutricionista, que desempenha um papel muito importante para os atletas. Infelizmente, por questões financeiras, hoje não contamos com esse especialista. Sinto falta de um profissional de nutrição, de um fisiologista e de mais um fisioterapeuta. A integração desses médicos com os que já estão aqui, facilitaria ainda mais o nosso trabalho", revela Rêgo.
Fora a contratação de mais médicos, o chefe do departamento médico americano, revela que a compra de alguns aparelhos ajudaria nos diagnósticos de lesões. Mas, a falta de recursos financeiros, faz com que a compra de aparelhos fique em segundo plano. "Lógico que, se pudesse, compraria um Cybex, que é um aparelho altamente avançado, que nos dá a condição de fazer o diagnóstico da lesão sofrida pelo atleta e ainda nos dá um roteiro do que devemos fazer para curar essa lesão. Um aparelho desse nível seria muito bem vindo aqui. O problema é o alto custo dele, cerca de US$ 50 mil", lamenta.
Pelos lados do ABC, a situação do Departamento Médico do clube não é muito diferente do seu maior rival. Atualmente passando por reformas, o DM alvinegro ainda tem muito que melhorar para se tornar exemplo para os clubes potiguares. Mas, de acordo com Roberto Vital, chefe do setor médico abecedista, e funcionário do clube há 21 anos, as instalações melhoraram bastante depois da construção do estádio Maria Lamas Farache. "Antes as coisas aqui eram meio complicadas. Não tínhamos recursos físicos, humanos e os aparelhos eram poucos, e tínhamos que dar conta de tudo. Se fosse hoje em dia, não sei o que iria fazer", revela Vital, referindo-se ao enorme número de contusões que os jogadores do ABC sofreram nesta temporada.
Atualmente, o quadro médico do ABC conta com oito profissionais. Um médico, três fisiologistas, dois fisioterapeutas e dois massagistas. Fora os três estagiários e os médicos eventuais do clube. Somando-se tudo, o alvinegro chega a marca de 14 médico à disposição. "No quesito humano, nós temos uma boa equipe. O que acaba faltando, na verdade, são os recursos materiais. Mas, com o que temos a nossa disposição, dá para cuidar dos atletas sem maiores problemas", afirma Roberto Vital.
São Paulo é a referência no PaísOs médicos dos dois clubes mais importantes do estado foram unânimes em afirmar que ainda falta muita coisa para os Departamentos Médicos, tanto de ABC, quanto de América chegarem a um nível alto de excelência. Segundo ambos, São Paulo, Cruzeiro/MG e Atlético/PR, nessa ordem, são os clubes que possuem os setores médicos mais desenvolvido dos times brasileiros. A equipe paulista vai além. Com a construção do seu centro de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica, ou Reffis, como é conhecido no meio do futebol, o São Paulo se tornou referência mundial em tratamento de lesões e recuperação de jogadores.
A ideia da construção do Reffis surgiu no ano de 2003, quando o médico são-paulino, Luiz Rosan, desenvolveu um projeto que tivesse como núcleo a excelência na recuperação dos atletas. A princípio, na sua inauguração, em 2004, apenas jogadores do tricolor paulista poderiam utilizar as novas instalações. Devido ao enorme sucesso na recuperação dos atletas, o Reffis do São Paulo ganhou fama internacional e a direção são-paulina se sentiu na obrigação de abrir as portas do seu moderno centro de recuperação para jogadores de outros clubes, principalmente da Europa.
"Pude conhecer vários centro de recuperação de atletas espalhados pelo Brasil e o do São Paulo é uma coisa fantástica. Todos os aparelhos são de última geração, os atletas contam com o que de melhor existe na medicina esportiva para tratarem suas contusões", atesta Maeterlink Rêgo, médico do América.
Com uma aparelhagem de ponto, a direção do São Paulo investiu pesado na compra de máquinas de última geração. As principais são uma esteira especial, que custou US$ 20 mil e um dinamômetro isocinético, que realiza avaliações articular e muscular. Serve também para desenvolver musculatura e promover equilíbrio muscular, quando encontra-se deficit em grupos musculares ou de um membro em relação ao outros. O valor: US$ 80 mil.
"Infelizmente não tem como competir com os times do sul do país. Eles prezam pela saúde do atleta, que, no final das contas, é o grande patrimônio do clube. Por isso, investem tanto na área de saúde. Não só o São Paulo, mas a ala médica do Cruzeiro e do Atlético/PR também podem ser consideradas de ponta. Espero que um dia, consigamos ter no estado um Reffis", revela Roberto Vital, médico do ABC.
Alvinegro sai na frente em fisiologiaNão são todos os times do Rio Grande do Norte que possuem fisiologistas no seu quadro médico. O ABC vai contra esse déficit e consegue manter três especialistas no Departamento Médico. Mas, nem sempre foi assim. De acordo com o chefe de fisiologia do ABC, Flávio Paiva, que trabalha no clube há 12 anos, antes, o trabalho era bem mais difícil. "A gente nem tinha sala para trabalhar. Tínhamos que nos ajeitar em qualquer canto que tivesse espaço. As vezes, ficávamos no mesmo espaço do treinador. Hoje em dias as coisas estão melhor. Já temos um espaço para trabalhar e toda aparelhagem necessária para monitoramos os jogadores", afirma Paiva.
Tudo começou a mudar no ano de 2007, quando o médico responsável pelo setor médico, Roberto Vital, teve que reivindicar junto a diretoria, a melhora da área destinada aos fisiologistas. "Conseguimos realizar uma grande reforma na nossa área e isso melhorou sensivelmente o nosso trabalho. Não só na parte física, como também em relação aos aparelhos necessários para desenvolver nossos projetos. Chegaram aparelhos de última geração", revela Flávio Paiva.
Mesmo com todo esse avanço, ainda falta muita coisa para que tudo seja considerado o ideal. "Quando chegamos aqui, só existia o campo de futebol e o alojamento para os atletas. Lógico que não posso ser ingrato de dizer que melhorou e muito nossa situação, mas, ainda faltam algumas coisas para que nosso trabalho seja realizado em sua plenitude. Mas, entendo que o presidente tem outros compromissos para honrar e sei que, quando puder, ele vai dar uma contribuição para o Departamento Medico em geral", finaliza Paiva.