A diminuição das chuvas e o aumento do calor provocaram perdas na colheita do tomate e, com a redução da oferta, uma elevação de 19,18% no preço do fruto em fevereiro, em relação a janeiro deste ano. O produto foi, no entanto, só um dos dez que chegaram mais caros à mesa do natalense no período. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o aumento também foi percebido em itens como açúcar, leite, feijão e arroz e teve como consequência uma alta de 3,63% no valor total cobrado pelo conjunto de principais gêneros alimentícios. O avanço significou ter de desembolsar R$ 193,50, na cidade, para adquiri-los. Foi o segundo valor mais alto entre as seis capitais nordestinas acompanhadas pelo Dieese, atrás apenas do registrado em Salvador, que chegou a R$ 198,24.
Júnior Santos
Açúcar teve a 2ª maior alta em fevereiro. Dez itens compõem a ‘lista negra’ para o consumidor
O economista e diretor da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Eugênio Medeiros, diz que, nacionalmente, a tendência de alta tem sido mais forte para os chamados hortifrutis em razão das mudanças climáticas. Para se ter uma ideia, o quilo do tomate, que em janeiro podia ser encontrado nas prateleiras por R$ 0,50, R$ 0,60, nesse período dificilmente está saindo por menos de R$ 2.
“Quando há escassez o preço sobe para os supermercados. E, como não dá para estocar esse tipo de produto, o impacto acaba sendo inevitável para o consumidor”, diz o economista. O consumo dos produtos reajustados chega a cair mais de 50% durante os picos, segundo calcula. “Enxergando o preço mais alto, as pessoas reduzem o consumo ou vão substituindo o que aumentou”, explica Medeiros, prevendo que, aos poucos, os valores irão se regularizando.
PesquisaA pesquisa do Dieese mostra que, nos dois primeiros meses do ano, o custo dos produtos básicos subiu 4% na capital. Além do tomate, ficaram mais caros o açúcar (6,67%), o leite (6,25%) - com o maior aumento entre as 17 capitais que entram na pesquisa do órgão - o feijão (3,26%), a banana (3,03%), o café, (1,81%), a carne (1,60%), a manteiga (1,33%), o arroz (0,99%) e o pão (0,61%). Os alimentos estão, porém, 4,38% mais em conta em relação a fevereiro de 2009.
Para o consultor do Sebrae e economista, Henderson Oliveira, em tempos de alta ou não, o consumidor deve pesquisar preços entre estabelecimentos e diferentes marcas, além de evitar o desperdício dos alimentos na hora de prepará-los. Para reduzir a necessidade de novas compras, vale também buscar caminhos alternativos aos supermercados, hiperes e mercadinhos, como as feiras livres e a Ceasa. “É possível economizar de 20% a 30%, seguindo esses passos”, afirma o economista. Outra recomendação é não esquecer de levar a lista, para não colocar no carrinho além do necessário. “O consumidor deve colocar no papel quanto está gastando e em que está gastando. É importante acompanhar isso mês a mês para saber se todos os gastos são necessários”, orienta, acrescentando que os supérfluos podem ter peso enorme no caixa.
A pesquisa é realizada uma vez por mês, incluindo 12 itens de alimentação. Ela aponta que o custo da cesta básica, para o sustento durante um mês, foi de R$ 580,50 em fevereiro, contra os R$ 560,16 de janeiro.