Natal é a capital nordestina na qual a cesta básica está mais cara, desde o início de 2010. O resultado foi mostrado por uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levantou os valores dos produtos em 17 capitais do Brasil, sendo seis da região Nordeste. Em janeiro deste ano, a cesta básica custava R$ 186,72 para o natalense, valor 0,36% mais alto do que em dezembro passado. Entretanto, em comparação com janeiro de 2009, o valor sofreu um recuo de 8,05%. A cesta mais cara do país, cujo valor é 26% maior do que a natalense, foi encontrada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ao preço de R$ 236,55.
Júnior Santos
O açúcar subiu em 16, das 17 capitais pesquisadas. Em Natal, a alta foi de 16,7% no preço do produto
Segundo o Dieese, a alta observada nas capitais em janeiro em relação a dezembro foi provocada pela elevação de preços de produtos de grande peso na composição da cesta básica, como o açúcar, que subiu em 16 das 17 capitais pesquisadas. Natal foi uma dessas capitais, com uma elevação de 16,7% no preço do produto. “O açúcar faz muita diferença no total da cesta básica, por ele ser um produto de uso diário na vida das pessoas”, explica o diretor da Associação de Supermercados do estado (Assurn), Eugênio Medeiros.
Medeiros chama a atenção para a variação no preço da cesta em Natal ter sido de 0,36% em janeiro, comparando com o mês anterior. “É uma variação pequena e podemos dizer que o preço na capital potiguar se manteve semelhante ao de dezembro. Acredito que a variação nos preços pesquisados ocorrem por flutuações naturais no mercado, talvez em função da disponibilidade em estoque”, avalia o diretor da Assurn.
Dos 12 produtos que compõem a cesta básica pesquisada em Natal, tiveram alta nos preços o açúcar, farinha, banana, carne bovina e óleo de soja, enquanto a outra metade mostrou redução. Em janeiro, os natalenses pagaram menos por tomate, feijão carioquinha, leite integral, café em pó, manteiga e arroz, do que no mês anterior.
BrasilO Dieese registrou alta na cesta básica durante janeiro deste ano em 10 das 17 cidades brasileiras pesquisadas. A mais cara foi apurada em Porto Alegre, enquanto as mais em conta estavam em Aracaju e João Pessoa, custando R$ 169,13 e R$ 171,97, respectivamente.
Foi levantado também que o em janeiro passado, a compra da cesta exigia 39,80% do rendimento do trabalhador que recebe um salário mínimo, enquanto em dezembro de 2009 eram necessários 43,49% do salário. Em janeiro do ano passado, o comprometimento chegava a 53,18% do mínimo líquido.
MínimoO Dieese calcula que em janeiro deste ano, mês em que o salário mínimo brasileiro passou a ser de R$ 510,00, o ideal é que ele fosse 3,9 vezes maior. O mínimo necessário, de acordo com o órgão, seria de R$ 1.987,26. Apesar de ainda distante do ideal, essa diferença vem diminuindo nos últimos anos. O órgão lembra que em dezembro de 2009, o salário mínimo era de R$ 465,00, quando o necessário era R$ 1.995,91, o que corresponde a 4,29 vezes o valor que estava em vigor. Em janeiro do ano passado, o salário mínimo necessário era estimado em R$ 2.077,15, correspondendo a 4,62 vezes o mínimo da época, de R$ 415,00.
O salário mínimo necessário foi calculado em janeiro, com base no valor da cesta observado em Porto Alegre, e considerando a determinação constitucional que estabelece um salário capaz de suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.