CGM investe R$ 15 milhões na exploração de minérios
Publicação: 17 de Janeiro de 2012 às 00:00
Andrielle Mendes - repórter
A Casa Grande Mineração (CGM), maior empresa de beneficiamento de feldspato no Brasil, inaugura sua unidade no Rio Grande do Norte na próxima sexta-feira, em Parelhas. O "boom" na construção civil fez a empresa multiplicar por dez o valor investido no Estado. O plano era investir R$ 1,5 milhão. A empresa investiu R$ 15 milhões. A CGM, empresa fundada em 2001 no Piauí, já planeja ampliar a unidade no RN e exportar parte da produção pelo Porto de Natal. "Tudo vai depender do mercado", pondera o diretor presidente, João Leal. Outras sete empresas de mineração já se instalaram ou demonstraram interesse em instalar-se no RN. O setor, segundo cálculos da secretaria estadual de desenvolvimento econômico, deverá investir R$1,5 bilhão no Estado nos próximos três anos.
A CGM, que atua há cinco anos no ramo de pesquisa mineral no Ceará, Piauí, Paraíba, Maranhão e RN, vai explorar e beneficiar vários tipos de minérios industriais não metálicos, como por exemplo, argila, caulin, feldspato, quartzo - matérias-primas para indústria de plástico, tinta, creme dental, louça de mesa e sanitária, pisos, revestimentos. A produção, segundo o diretor-presidente, será comercializada no Nordeste, Sudeste e Sul. A meta é começar a exportar para países da América Latina já a partir de 2013. Entre os clientes da CGM no Brasil, estão empresas como Deca, Celite e Tortuga.
A primeira unidade no RN terá capacidade de produzir e beneficiar 5 mil toneladas/mês (60 mil por ano). A CGM atuará em parceria com outras três empresas. Juntas, conseguirão produzir e beneficiar até 180 mil toneladas por ano. A empresa também planeja explorar minério de ferro. O RN, explica João Leal, foi escolhido pela quantidade e qualidade de seu minério. Leal reclama, porém, da burocracia em obter licenças no Estado, seja no órgão que cuida da produção mineral ou no órgão fiscalizador. Ele prefere não comentar a infraestrutura do estado. Diz apenas que "já esteve pior".
A empresa enfrentou dificuldades para contratar mão de obra especializada no Estado. A CGM teve de terceirizar parte dos serviços e trazer profissionais de fora. Com a estratégia, o diretor preencheu boa parte do quadro de funcionários (algumas vagas ainda estão abertas), mas atrasou a operação da fábrica em sete meses. "A ideia era inaugurar a unidade em julho de 2011, mas não foi possível". O adiamento, resultado da escassez de mão de obra qualificada no RN, encareceu o projeto em 15%, afirma João. "A unidade já deveria ter sido inaugurada. Mas a gente não encontrou carpinteiro, pedreiro, marceneiro. Isso elevou nosso custo de produção e quase extrapolou nosso orçamento".
Empresas demonstram interesse de operar no RN
Outras empresas de mineração já se instalaram ou demonstraram interesse em instalar-se no Rio Grande do Norte. A Ical, por exemplo, assinou protocolo de intenções com o governo do estado em julho de 2011. A expectativa é produzir 400 mil toneladas de cal e 1,5 milhão de tonelada de calcário por ano. A empresa planeja investir R$ 300 milhões e iniciar as obras em abril deste ano. Já a Cal Norte Nordeste planeja investir R$ 100 milhões no RN. A empresa já obteve licenciamento ambiental e quer iniciar as obras em maio deste ano. A Crusader, por sua vez, pretende extrair de três a cinco toneladas de ouro por ano na região Seridó. Sozinha, pretende investir cerca de R$ 150 milhões.
A Susa Mineração já extrai minério de ferro em Cruzeta. A empresa já exportou pelo Porto de Natal, numa operação inédita, e está na primeira fase de investimentos. Já investiu R$200 milhões no estado. A meta é investir R$ 700 milhões nos próximos três anos. A empresa quer exportar, inicialmente, 1 milhão de tonelada por ano e atingir de 3 a 5 milhões de toneladas por ano até 2014. Enquanto isso, a Prime Mineração atua na exploração de feldspato, argilas, caulim, calcita e dolomita (minérios utilizados na indústria de vidro, tinta e verniz, papel, revestimento de louças). Está instalada na região Seridó e investiu R$ 6,5 milhões.
Pode parecer pouco, mas só a Prime, segundo dados da secretaria estadual de desenvolvimento econômico (Sedec), gera 163 empregos diretos e 400 indiretos nos municípios de Santana do Seridó, Equador e Parelhas.