Sílvia Ribeiro Dantas - repórter de EconomiaAo contrário do que era esperado pelo setor turístico do Rio Grande do Norte, o início da operação de voos charteres entre Madri, na Espanha, e Natal não tem sido suficiente para aumentar consideravelmente o fluxo de turistas estrangeiros na capital potiguar. De acordo com entidades ligadas ao setor, o turismo na cidade vem sendo sustentado pelos visitantes brasileiros, que serão responsáveis pela manutenção da média de 70% na ocupação dos hotéis da cidade, durante este mês de julho.
Alex Régis
Expectativa dos hotéis era manter uma ocupação de 70%, só garantida este mês pela SBPC
Com operação iniciada no dia 7 deste mês e prevista para continuar até abril de 2011, o voo Madri-Natal, operado pela empresa Iberojet, já está passando por reformulações. A intenção era trazer 388 passageiros da capital da Espanha diretamente para Natal, mas a rota agora inclui uma parada em Salvador, pela demanda para a capital potiguar ser inferior à prevista, antes da realização do contrato. Além disso, o charter foi transformado em voo regular, ocorrendo às terças-feiras, e deve continuar a existir até o final do próximo ano.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis (ABIH RN), Enrico Fermi, a mudança ocorreu pela quantidade de turistas interessados em visitar Natal não ser suficiente para ocupar toda a aeronave. Para ele, é necessário fortalecer a divulgação nos países europeus e ações já estão sendo planejadas nesse sentido. “Pretendíamos fazer com que o avião trouxesse cerca de 380 passageiros, mas a realidade é que estão vindo entre 150 e 180 passageiros para Natal, a cada voo”, contabiliza.
Segundo o presidente da ABIH, o retorno dos estrangeiros ao Rio Grande do Norte deverá ocorrer lentamente, ao longo dos próximos anos, uma vez que a Europa está enfrentando uma forte crise financeira. “Com os voos charteres e ações de promoção do destino em países da Europa, deveremos voltar a receber muitos estrangeiros. Mas atualmente, para boa parte dos europeus, está muito caro vir ao Brasil e o fluxo só deverá aumentar futuramente, com a continuidade dos investimentos”, prevê.
NacionalApesar de manter esforços em continuar atraindo turistas de outros países, Fermi ressalta que o cenário econômico atual favorece uma maior captação de visitantes oriundos do território nacional. Em parte, isso ocorre porque durante o ano de 2009 houve um fortalecimento do real, em relação ao dólar, o que permite que os brasileiros viagem mais, inclusive dentro do próprio país. “E os esforços vêm dando resultado. Tanto que em 2009, o fluxo de turistas nacionais para o Rio Grande do Norte teve um aumento de 9%”, completa.
Um dos fatores que vem contribuindo para esse incremento é a realização de eventos nacionais e regionais, como a 62ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que está ocorrendo durante esta semana em Natal. E o impacto do encontro da comunidade científica tem sido responsável por uma ocupação de cerca de 90% nos hotéis da cidade, o que irá reverter o baixo movimento registrado durante a Copa do Mundo da África do Sul. O presidente da ABIH no estado explica que o fraco movimento durante o evento esportivo é um fato recorrente, pelo hábito que o brasileiro tem de assistir aos jogos em companhia dos amigos.
Foco dos investimentos vai para turismo internoConfirmando que o maior fluxo hoje é de turistas nacionais, o presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Gustavo Porpino, diz que isso ocorre pelo setor estar se adequando à conjuntura econômica atual. De acordo com Porpino, como o brasileiro está viajando mais e outros países ainda sentem efeitos da crise financeira iniciada no final de 2008, o mais indicado é que o foco seja o turismo doméstico.
Ele explica que a nova realidade, que tomou forma ao longo dos últimos dois anos, tem sido responsável por fazer com que hotéis que antes eram voltados quase exclusivamente para estrangeiros, hoje tenha 90% do seu público formado por brasileiros. Na avaliação do presidente da Emprotur, hoje é fácil viajar dentro do país, porque as agências de viagem oferecem parcelamento nos pacotes e as promoções das companhias aéreas estão cada vez mais frequentes, o que faz com que as classes sociais mais baixas tenham acesso ao serviço. “Principalmente a classe C se fortaleceu em 2009 e uma companhia aérea verificou que 10% dos passageiros que viajaram no ano passado estavam fazendo isso pela primeira vez”, exemplifica.
Para atrair o público interno, a Emprotur tem investido em uma segmentação, buscando interessados em ecoturismo, turismo de aventura, cultural, religioso, bem como nas já conhecidas belezas de sol e mar do estado. “Com isso, terminamos conseguindo não nos restringir à capital e promovemos também localidades do interior potiguar”, afirma Porpino.