Conta a "lenda" que, há cinco anos, um francês resolveu vender crepes na orla de Ponta Negra. Não o crepe suíço, no palito, mas aquele recheado numa massa macia, típico dos bistrôs. Foi sucesso imediato. O comerciante francês foi embora, mas deixou o gostinho de quero mais entre os frequentadores da praia e, principalmente, entre alguns comerciantes da área. A inspiração francesa se transformou em saborosas opções que hoje circulam pela orla, na forma de carrinhos bem equipados, de higiene correta, e cardápio saboroso. E não só de crepes. Essa nova cozinha praieira rebate o preconceito comum em relação ao comércio ambulante de praia, e proporciona uma razão a mais para pegar um sol no fim de semana. Vai um crepe aí?
Alex Régis
Estima-se que há cerca de 14 comerciantes de crepe nas areias de Ponta Negra hoje em dia
Crepe do KauãEstima-se que há cerca de 14 comerciantes de crepe nas areias de Ponta Negra hoje em dia, afirma José Cordeiro, que há dois anos toca o seu Crepe do Kauã na praia. Ele conta que chega a vender 90 crepes nos dias mais movimentados - domingo, principalmente. Tudo isso, em meio ao comércio habitual de milho cozido, água-de-coco, picolés, saladas de frutas, espetinhos de queijo coalho ou camarão, e caipifrutas. O carrinho de crepes do Kauã (homenagem ao filho de José) segue o padrão da área, com toldo, duas chapas para fazer a massa (na hora), e compartimentos para acondicionar os ingredientes.
O cliente vê o crepe sendo feito na hora, com o chapeiro preparando a massa, ralando o queijo e pondo os recheios. O crepe é servido num cone de papel. As opções que Kauã oferece são os sabores de frango, presunto, calabresa, camarão e hambúrguer - todos com queijo, tomate e orégano. Entre as opções doces, tem de banana, morango com chocolate, morango com doce de leite, e Romeu & Julieta. Todos ao preço de R$5, menos o de camarão, a R$7. Cordeiro conta que aprendeu as receitas via internet, comprou os equipamentos e foi à luta. Hoje, sua clientela vai além da praia. "Atendo encomendas para festas, e faço crepes em aniversários, reuniões caseiras, pra qualquer evento que me chamem", diz.
Zé aceita até cartãoJosé Janilson do Santos, paraibano com 13 anos de Ponta Negra, começou na área vendendo espetinhos de queijo coalho. Até que um carrinho de crepe passou na sua frente e, já há três anos, ele se firmou com o seu Crepe do Zé. Segundo o comerciante, a ideia emplacou por oferecer qualidade, limpeza, e uma comida diferenciada para a praia. "Agora não se acha crepe só em restaurante, a gente trouxe isso para o cliente e ele gosta. Natalenses, turistas e estrangeiros, sem exceção", explica.
O Crepe do Zé traz crepes salgados nos sabores queijo, presunto, carne de sol e frango, e doces com morango e chocolate, e de banana com chocolate, queijo, açúcar e canela (ao estilo das cartolas). Os crepes salgados levam azeitona, tomate, manjericão ou orégano. Todos, ao preço de R$5. O turista de Nova Iguaçu João Aragão confessa, enquanto espera Zé preparar seu crepe de frango, que ficou surpreso ao ver esse tipo de guloseima ser oferecida na praia. "Não esperava encontrar isso em Natal. Ainda não vi no Rio de Janeiro. É uma delícia, e o preço é ótimo. Em Pipa, paguei R$15 por um igual", conta. E completa: "Só sinto falta de açaí. Onde posso encontrar por aqui?". Fica a dica.
Alessander BritoO comércio praieiro de Ponta Negra não fica só no crepe padronizado. O goiano Alessander Brito decidiu, há três anos, servir o crustáceo mais desejado por turistas e nativos, o camarão. Mas, resolveu fazer de forma diferente: assim nasceu o Camarão do Chef, carrinho que serve o crustáceo no alho e óleo, com um tempero especial. Hoje, o Camarão do Chef é uma marca que conta com mais quatro carrinhos servindo a iguaria na praia. "Somos quase como uma cooperativa, mas com fins lucrativos", brinca Alessander. Sinal de que a ideia deu certo, e a procura é grande.
O carrinho do Camarão do Chef ganhou as areias seguindo os padrões de higiene indicados pelo Sebrae, diz Alessander. As cumbucas onde os camarões são preparados são de aço inox, para não deixar os resíduos no canto. O padrão é industrial. O camarão é fresco, comprado no dia, e conservado no gelo dentro do próprio carrinho. O preparo do camarão é puro toque gourmet na areia da praia: o crustáceo é flambado , depois leva um fio de óleo acrescido de uma pasta especial de cebola, alho e ervas finas.
Na hora de servir, o cliente pode escolher com ou sem casca. Há uma porção média a R$10, e uma porção grande a R$15. Ele também vende porções para viagem. O apelo é irresistível para um dia de sol à beira-mar. Alessander conta que, quando decidiu começar o negócio, queria algo que fosse inédito para a praia. "Todo mundo gosta de camarão. Só faltava oferecer isso com um toque de qualidade", afirma. Um certo tino pra gastronomia também fez parte da receita. Alessander já foi garçom e barman, e vendeu calzone e bolinho de macaxeira - e nas horas vagas ainda trabalhava com artesanato. Com o camarão no alho, óleo e ervas finas, ele contribuiu para deixar mais saboroso aquele domingo de praia.
ServiçoCrepe do Zé. Tel.: 3641-1528/ 3236-2459. Aceita Visa.
Crepe do Kauã. Tel.: 9607-8659.
Camarão do Chef. Tel.: 8714-0084/ 9177-2430