O Rio Grande do Norte poderá virar parceiro comercial e o principal alvo de investimentos, no Brasil, da província chinesa de Henan, uma das maiores fabricantes de equipamentos para a indústrias de energias renováveis do país mais populoso do planeta. Atraídas pelo potencial energético potiguar, empresas da província deverão estudar a viabilidade de fabricar produtos como aerogeradores no estado, disse ontem em Natal o conselheiro superior do governo, Liu Huailian. Ele não soube informar quanto os empresários estariam dispostos a investir, mas reforçou que o apetite, no Brasil, é pelo RN. "Os recursos eólicos abundantes interessam muito".
Emanuel Amaral
Representantes do governo e comitiva da China: energia renovável no RN atrai empresários
Huailian fez parte da comitiva que veio ao estado conhecer oportunidades de investimento, com foco, principalmente, no setor energético. "Nosso interesse é energia nova. É essa a principal motivação para querermos investir aqui", disse o conselheiro.
Com uma população estimada em 100 milhões de habitantes, Henan concentra grande parte da indústria de energias renováveis da China. No Brasil, empresas da província tem pulverizado, no entanto, investimentos em diversos setores. Já teriam estabelecido negócios no Rio Grande do Sul, por exemplo, na área termoelétrica, e mantém entendimentos para participar da construção de gasodutos do Rio de Janeiro a Bahia e em fábricas de vidro em Santa Catarina.
"No caso do Rio Grande do Norte, eles identificaram a possibilidade de o estado ser um dos principais focos de atração de investimentos na área energética. Claro que estão interessados em vender equipamentos, mas, eventualmente, também de investir em fábricas e projetos de geração", observa o consultor Marcelo Oliveira, da ATL, especializada em estreitar laços comerciais entre os dois países.
CooperaçãoEm reunião com representantes do governo do estado, a comitiva firmou um termo de cooperação de comércio e energia, o que pode ser o primeiro passo para que a província invista concretamente no Rio Grande do Norte. "Temos interesse em trocar informações nas áreas tecnológica, social, científica, comercial e de agricultura, mas, claro, queremos que eles, de fato, invistam aqui", frisou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Francisco de Paula Segundo.
O secretário de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária, Paulo Henrique Macedo, que também participou da reunião, apontou, entre outras possibilidades, a de os chineses entrarem como parceiros no projeto que está sendo esboçado para gerar energia solar em áreas de crédito fundiário. A energia seria gerada por agricultores familiares para uso próprio e venda do excedente. "Eles entrariam como parceiros trazendo tecnologia e placas solares com custos mais baixos, considerando que o problema da energia solar é o alto custo", diz. Durante a visita ao estado, a comitiva também conheceu a estrutura do centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGÁS-ER), além dos projetos do estado para a Copa do Mundo de 2014 e detalhes do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.