China será líder nas exportações
Publicação: 20 de Maro de 2010 às 00:00
Rio (AE) - A China deverá recuperar novamente a liderança como destino das exportações mensais do País nos próximos meses, após perder o posto para os Estados Unidos desde outubro do ano passado, segundo acredita o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Segundo ele, o mercado norte-americano não deverá acompanhar o aumento esperado de 11% para as vendas externas brasileiras este ano. Além disso, o executivo explica que a posição de líder da China nos resultados mensais das vendas externas, conquistada em abril de 2009, só foi perdida a partir do quarto trimestre do ano passado por causa da redução dos embarques de soja, que deverão ser retomados com mais força agora, quando sazonalmente aumentam as vendas externas do produto.
De acordo com Augusto de Castro, os números mostram claramente a "estagnação" no comércio entre Brasil e Estados Unidos desde o início do governo Lula. Segundo ele, enquanto em 2002, um ano antes do novo governo, os EUA eram destino de 25% das exportações do País, em 2009 a fatia tinha caído para 10%. Além disso, enquanto em 2009, em relação a 2002, as exportações totais do Brasil tinham aumentado 153%, as vendas com destino aos EUA subiram apenas 1,5%.
Segundo Augusto de Castro, como "nada mudou" em relação às promoções comerciais do Brasil para os Estados Unidos nos últimos meses e prossegue, ainda que em escala mais branda, a crise econômica que ainda assombra a economia americana, a China vai retomar logo o posto de líder como destino das nossas vendas externas, como ocorreu entre abril e setembro do ano passado e no acumulado de 2009.
Ele lamenta que, segundo a sua avaliação, o governo brasileiro não esteja investindo em promoções comerciais junto ao mercado dos EUA que, de acordo com ele, acumula cerca de US$ 2 trilhões anuais em importações. "É um super mercado. A China compra basicamente nossas commodities, enquanto nos Estados Unidos haveria mais oportunidades para manufaturados, se houvesse maior manifestação de interesse em elevar o comércio com o país".
RN identifica novas oportunidades
O Rio Grande do Norte pode ter brevemente mais investimentos chineses, motivados pela expansão do mercado chinês em busca da ampliação da economia para outros países, como o Brasil. Essa foi a mensagem que os consultores Vladimir Pomar e Marcelo Mello apresentaram durante o 1° Workshop de Negócios RN-China na quinta-feira passada, na Casa da Indústria.
Durante toda a tarde, os empresários participaram de palestras com foco no tema "Identificação de Oportunidades e Investimentos com a China" e receberam informações sobre uma das maiores economias do mundo, com crescente número do Produto Interno Bruto (PIB).
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Segundo de Paula, o evento é importante para aumentar a interação do mercado chinês com o mercado potiguar. "Essa é mais uma oportunidade que os empresários têm de conhecer um mercado em expansão e modificar os produtos potiguares para atender as novas tendências mundiais", afirma o secretário.
O consultor Vladimir Pomar, acredita que o Rio Grande do Norte pode ser um alvo para os chineses e ganhar muito com os investimentos. "A China investe mais de 50 bilhões de dólares por ano em países em desenvolvimento como África do Sul e pode ampliar essa injeção para o território do Rio Grande do Norte", destaca.
Ele identificou como atrativos para os chineses os setores de infraestrutura, energia, construção civil e mineração, e garantiu facilidade de entrada no mercado chinês de produtos agrícolas como os grãos, cultivados no Rio Grande do Norte.
Durante o 1° Workshop de Negócios, os empresários receberam informações sobre o mercado da China e ainda dicas de como transformar os produtos potiguares em mais atrativos para os chineses.
O evento faz parte da política de atração de investidores do Governo do Estado e foi idealizado pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e Secretaria de Energia e Assuntos Internacionais (Senint).