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Natal, 23 de Maio de 2012 | Atualizado às 12:40

Chuvas alagam 108 ruas em Natal

Publicação: 25 de Maio de 2011 às 00:00
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Natal amanheceu ontem sob forte chuva. A água que caía na cidade agravou os problemas já existentes em decorrências da série de greves deflagradas durante a semana passada. Os alagamentos vistos dificultavam ainda mais a vida de passageiros, que disputavam as escassas linhas de ônibus - uma vez que a categoria dos Rodoviários é outra paralisada por reivindicações. Pontos tradicionais voltaram a dar dor de cabeça à população.

Adriano AbreuMorador de rua no conjunto Pajuçara coloca placa no muro apontando a verdadeira Morador de rua no conjunto Pajuçara coloca placa no muro apontando a verdadeira "piscina" que se transforma a rua em dias de chuva
Apesar da aparente força das chuvas, a Defesa Civil esclareceu que não existiram ocorrências de maior gravidade em virtude disso. A informação foi repassada pelo coronel Marcos Pinheiro, coordenador da Defesa Civil do município. Segundo ele, foram contabilizados 108 pontos de alagamento, número já constatado em outros períodos chuvosos.

Moradores de pontos próximos a locais como a avenida capitão Mor Gouveia, no bairro de Lagoa Nova, e a avenida da Integração, em Candelária, voltaram a ficar temerosos com a invasão das casas pela água. No Alecrim, no cruzamento das avenidas Amaro Barreto com Alexandrino de Alencar, a chuva também dificultava o andamento do trânsito.

O local mais crítico constatado pela reportagem fica na avenida Abel Cabral, no bairro de Nova Parnamirim. A lagoa formada prejudicava comércios e o acesso às residências da localidade. Há pouco menos de um mês teve início a obra de drenagem na região. Enquanto isso, o comerciante Manoel Neto, de 42 anos, tem que levantar a barra da calça e tirar os chinelos para chegar à sua copiadora. "Coloquei uma mureta de 60 centímetros de altura para tentar evitar que o meu negócio seja invadido pela água. Mesmo assim, já teve vezes que isso ocorreu", disse.

Segundo ele, qualquer chuva que caia por mais de vinte minutos já causa estragos. O proprietário do comércio vizinho, que preferiu não se identificar, também construiu há seis meses uma mureta para se proteger dos alagamentos constantes.

Perto dali, na avenida Virginópolis, o ajudante Nilson da Silva segurava a placa de um veículo. "Moro perto daqui e vi quando a placa caiu de um carro, enquanto passava pela lagoa formada pela chuva. Vou entregar ao porteiro daquele prédio caso alguém venha pegar de volta", afirmou enquanto ria da situação.

Na avenida da Integração, o transbordamento recorrente da lagoa de captação forçava o desvio por parte dos motoristas. Alguns se arriscavam e conseguiam passar. Outros, não tinham sucesso. Um veículo tipo van estava parado com sinais de problemas mecânicos em meio à água.

Problemas se espalharam por todas as regiões da cidade

Os moradores do bairro Pajuçara amanheceram a terça-feira enfrentando problemas em decorrência das chuvas que caíram durante a madrugada e início do dia, nessa terça-feira. Na rua Gumercindo Saraiva, no loteamento Vilage das Dunas, uma imensa lagoa se formou, impedindo o acesso a três casas e ilhando os moradores.

Emanuel AmaralNa Zona Sul, uma das áreas mais afetadas é a avenida Abel CabralNa Zona Sul, uma das áreas mais afetadas é a avenida Abel Cabral
O técnico em telecomunicações Severo Ferreira, um dos maiores prejudicados pela situação, aproveitou a oportunidade para colar um cartaz no muro da casa com os dizeres "piscina". "Essa é a piscina da prefeita, que não resolve nossos problemas", reclamou, destacando que há 26 anos vive na rua e o quadro piorou depois das obras de calçamento. A rua foi calçada sem que fosse feito qualquer projeto de drenagem. Hoje, ao invés de infiltrar, a água se acumula sobre os paralelepípedos. "Aí se junta a água que desce das ruas (como a avenida Moema Tinoco) com a que vem dos currais dessa fazenda (localizada próximo à Gumercindo) e fica tudo aqui parado, feito um Piscinão de Ramos", critica a dona de casa Francisca Figueiredo. Ainda no Pajuçara, a avenida Moema Tinoco se encontrava mais uma vez inundada nas proximidades do cemitério do bairro. O alagamento  dificultava a passagem dos veículos e alguns motoristas preferiram seguir por um caminho alternativo, de barro, a enfrentar o nível d'água que chegava às portas dos carros menores.

Os bairros de Cidade Nova e Felipe Camarão registram alagamentos em decorrência das chuvas de ontem. Em Cidade Nova, casas ficaram ilhadas devido ao acúmulo de água, nas ruas Santo Amaro, São Miguel e da Divisão. "Faltou pouco para a água entrar em minha casa, mas muito pouco mesmo", relata a dona de casa Maria Amélia Cardoso, apontando o nível de meio metro na parede de fora de sua residência.

Na rua onde ela vive, a da Divisão, em Cidade Nova, algumas famílias simplesmente ficaram impossibilitados de deixar suas residências, mesmo com as calçadas de mais de um metro de altura já construídas devido aos constantes alagamentos nos períodos de chuva. Os próprios moradores ajudavam na limpeza, como o morador Sebastião Gonzaga Neto, que realizava o trabalho com a ajuda de uma vassoura.

Já em Felipe Camarão, as ruas calçadas se tornaram uma sucessão de buracos, com os mais diversos tamanhos. Na da Sereia, uma verdadeira cratera existente desde o início do ano dá "boas vindas" ao motorista que vem da pista da BR-226. Diversos outros pontos estão esburacados e aflora água da rede de saneamento. A situação pior, porém, é observada nas ruas não calçadas no bairro. Na Leonardo Gama, um rio se forma durante os temporais e as casas, muitas delas já parcialmente soterradas pelo barro da rua, são protegidas apenas por sacos de areia.

Já nas Quintas, a manhã foi de tensão para a recicladora de lixo Marilda de Lima. Em sua pequena travessa, ao lado da avenida Industrial João Mota, foi preciso furar um buraco no muro vizinho, para evitar de a casa ser invadida pelas águas. "Graças a Deus não aconteceu este ano, mas esse murinho (para desviar a água) que a Prefeitura colocou aqui na frente não segura se a chuva for mais forte", teme.

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