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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 22:30

Circular da UFRN - um relato cômico dessa problemática

Publicação: 16 de Novembro de 2011 às 18:23
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Nome: Jéssica Morais de Moura

E-mail: jessica_morais_moura@hotmail.com



Era uma terça-feira, fazia sol e por volta das 12h00min horas, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte estava em pleno desenvolvimento de atividades. Próximo ao prédio da Reitoria uma multidão de alunos se aglomerava no ponto de ônibus, disputando uma brecha de sombra provenientes das árvores e provavelmente esperando o único meio de transporte coletivo público que é utilizado na UFRN, o circular. Eu, observadora da cena, havia saído do setor de aulas para almoçar http://tribunadonorte.com.br/areadoleitor/vocenoticia.phpem minha casa, e como já estava próxima a parada de ônibus, resolvi esperar o circular me juntando aquelas várias pessoas no aguardo do ônibus.

Diante da chegada deste, o caos se formou. A correria, os empurrões e as filas. E o resultado da minha inexperiência quanto a "pegar o circular" foi o fim da fila. Aos poucos, os estudantes se enlatavam naquela lata sardinha, se espremiam num constante sentimento de solidariedade. Até o motorista se comovia com a situação apertada dos alunos. Faltavam três pessoas e finalmente chegaria a minha vez de subir no ônibus, exclusivamente subir porque sentar era algo impraticável naquelas circunstâncias. Constatei que a situação estava complicada quando ouvi os gritos: "afasta, afasta", "ocupa o meio, ocupa o meio", "tá lotado, lotado", "vamos motorista, aqui não cabe mais nem uma formiga". Inevitavelmente e com bastante dificuldade as portas do circular se fecharam. O ônibus partiu levando aquelas pessoas como se fossem objetos, como se elas não tivessem o direito de se locomover com qualidade.

Aquele cenário me fez refletir sobre a qualidade do sistema de transporte coletivo utilizado dentro da Universidade Federal. A frota de ônibus é inferior a sua demanda, o descaso dos responsáveis é superior a quantidade de alunos que precisam utilizar aquele meio de transporte. A cada ano, milhares de novos estudantes ingressam na faculdade, porém não se constata alterações no número de circulares disponíveis. Diante disso, enquanto não se implementar uma infraestrutura de mobilidade em consonância com o número de usuários, o cenário se repete : estudantes se amontoam no espaço físico limitado daquele meio de transporte.

Quanto a mim? Bem, me restou ligar para a minha irmã e fazê-la compreender que eu precisava que ela fosse me buscar. Diante daquelas circunstâncias e do horário já avançado recorri a soluções mais próximas da minha realidade. Porém, fica a dúvida: quanto a quem não tem outro meio de transporte para utilizar, o que fazer para chegar ao seu destino? Acredito que essa resposta vai além da simples submissão humana aquelas condições. Ou os estudantes desenvolvem estratégias bastante ágeis para conseguirem ser o primeiro da fila ou, de modo menos irônico, mobilizam-se, reivindicam, lutam e exigem por melhorias no circular.

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comentários

alextst.alves@...25/11/2011 @ 14h40
Sou deficiente físico, pretendo ingressar na faculdade.Até agora, antes de ler este texto, eu achava que meu maior obstáculo fosse passar no vestibular, mas fiz a seguinte análise: Minha condição física é bastante limitada, e diante da minha atual condição financeira minha única opção é o transporte público, isso não seria um problema tão grave se as pessoas fossem educadas, ou melhor, humanizadas o suficiente para ceder o lugar para pessoas portadoras de deficiência, mas não é assim que funciona, e não é uma questão de educação, é egoísmo, maudade falta de caráter,assim, diante de um sistema de transporte público precário e de "cidadãos" que fazem vista grossa para as necessidades alheia, o vestibular é o meu menor obstáculo.
Tribuna do Norte