O fortalecimento do poder de compra das classes sociais mais baixas está sendo determinante para o crescimento do setor supermercadista brasileiro em 2010, que acumulou alta nas vendas reais de 5,7% durante os cinco primeiros meses deste ano e incremento de 3,82% em maio passado, em comparação com iguais períodos de 2009, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Aqui no estado, a expectativa da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn) é de que o crescimento anual do setor ultrapasse os 6,5%, previstos para o cenário nacional em 2010.
aldair dantas
Resultados demonstram recuperação do setor após os primeiros meses da crise financeira
Segundo o diretor da Assurn, Eugênio Medeiros, o crescimento ao longo deste ano foi provocado pelo maior poder de compra da classe C após o período mais forte da crise financeira internacional e não é nenhuma surpresa para o setor de supermercados. Ele diz que o incremento neste ano demonstra uma recuperação do setor, uma vez que nos primeiros meses de 2009 os efeitos da crise foram sentidos com bastante força, provocando retração no consumo dos mais variados produtos. "Entre o final de 2008 e meados de 2009, a economia mundial passou por dificuldades e como as pessoas estavam receosas em comprar, o nosso crescimento foi tímido", lembra.
Medeiros explica que por ter grande parte da população incluída na classe C, o Nordeste do Brasil começa a chamar a atenção de empresas nacionais que começam a investir nesse público. "Há pouco tempo, um produtor de geléia me procurou por ter a intenção de começar a vender aqui no estado e esse interesse demonstra o crescimento da força na região", exemplifica o diretor da associação.
Para os próximos meses, a Assurn acredita que o movimento positivo será mantido, com o RN acompanhando a região Nordeste do país e crescendo além da média nacional, estimada em 6,5% para todo o ano de 2010. "A Copa do Mundo aumenta as vendas de bebidas e petiscos nos supermercados e aqui no Nordeste o São João é muito forte, então as pessoas compram bastante produtos típicos nessa época do ano. Esses dois fatores devem alavancar as vendas já a partir do final do primeiro semestre do ano", avalia o presidente da Assurn, Geraldo Paiva.
De acordo com o Índice Nacional de Volume, pesquisado pela Nielsen para a Abras, todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento no volume vendido durante os quatro primeiros meses de 2010.
Cesta básica cai 1,04% em NatalA cesta básica comercializada nos supermercados e hipermercados de Natal manteve-se praticamente estável na quarta semana de junho, quando foi registrado um aumento médio de 0,11%, em relação à semana anterior. Já nas quatro últimas semanas, a cesta acumula variação negativa de 1,04%. Os dados são da pesquisa semanal realizada pelo Procon Municipal, junto a seis supermercados e seis hipermercados da capital potiguar, incluindo 40 itens básicos de alimentação e limpeza.
O levantamento realizado entre os dias 17 e 24 de junho mostrou que dentre os 40 itens pesquisados, 19 subiram de preço e 21 sofreram redução. Além disso, o custo médio da cesta básica para consumo mensal de uma família de seis pessoas passou de R$ 338,37 na semana anterior, para R$ 338,33.
A maior alta de preços foi verificada nos legumes, frutas e verduras, com um aumento médio de 4,18%, seguido pelos produtos industrializados e semi-elaborados, que subiram 0,16%. Por outro lado, os produtos de higiene e limpeza sofreram forte redução, com uma média de 6,71%.
Em relação aos produtos, as maiores reduções da semana foram observadas na carne bovina de primeira, sabonete comum, jerimum leite, repolho branco, creme dental, cebola pêra e laranja pêra. Já os principais aumentos ocorreram no filé de merluza congelado, macaxeira, batata comum, cheiro verde, tomate e queijo de coalho.