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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 22:58

Consagração longe de casa

Publicação: 29 de Dezembro de 2009 às 00:00
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Michelle Ferret - Repórter

Capitão Marinho é um contador de histórias que ao reencontrar sua concha perdida resolve partir em busca do Mar, e começa uma nova vida. Um dia ele encontra uma sereia e a acompanha num mergulho, se dividindo entre o sonho e a realidade. A princípio ele fica encantado, mas logo irá perceber que, apesar de toda beleza, aquele não é o seu lugar...

Pablo PinheiroFazendo o caminho inverso da maioria dos grupos do RN, Clowns de Shakespeare busca fora de casa o reconhecimento pelo trabalho. No meio de 500 novos espetáculos, o grupo se destacou com  'O Capitão eFazendo o caminho inverso da maioria dos grupos do RN, Clowns de Shakespeare busca fora de casa o reconhecimento pelo trabalho. No meio de 500 novos espetáculos, o grupo se destacou com 'O Capitão e
Este foi o enredo - em meio a selva de prédios da grande São Paulo - contado no espetáculo "O Capitão e a Sereia" do grupo potiguar Clowns de Shakespeare que acaba de ser eleito pela crítica especializada do jornal "Folha de São Paulo como o terceiro melhor espetáculo do ano de 2009 em cartaz. 

Assim como o personagem do livro ilustrado de André Neves, adaptado pelo encenador Fernando Yamamoto e pelos atores, os Clowns estão conseguindo se firmar, enquanto grupo, longe de sua cidade Natal. "Para nós é fundamental sair de Natal e a gente acaba trabalhando mais fora do que dentro de casa. Fazendo as contas, passamos a maior parte do ano fora da cidade. Por um lado isso é bom, ver como o trabalho chega para outros públicos; e por outro lado é ruim pois não temos políticas públicas de trabalho aqui em Natal que é o que gostaríamos. A própria classe que não tem nenhum nível de articulação, passam a jogar o jogo que o governo e a prefeitura propõe que são políticas pontuais. E pelo tempo que temos de estrada, percebemos que isso não vai mudar nunca", disse Fernando Yamamoto diretor do grupo.

Um em 500 na cidade grande

Yamamoto lembra que este ano em São Paulo aconteceram cerca de 500 estréias, e estar entre os três melhores é um incentivo sem tamanho. Esta é a terceira vez que o grupo conquista a atenção de críticos em São Paulo. A primeira vez foi com "Fábulas" e a segunda em 2005 com o espetáculo "Muito Barulho por quase nada".

Quanto ao espetáculo "O Capitão e a Sereia", o grupo fez um caminho inverso do que geralmente fazia. Eles estrearam a temporada por dois meses em São Paulo sem antes estrear em Natal. "Havia uma expectativa muito grande em relação a nossa próxima estréia. E como o espetáculo já estava maduro resolvemos começar ao contrário. E logo na temporada de estreia a gente já conseguiu um lugar de destaque nos jornais e isso foi muito importante para o grupo", contou o diretor.

Na avaliação do espetáculo o crítico da Folha de São paulo, Luiz Fernando Ramos escreveu: "Teatralidade nordestina com sofisticação experimental" e a repórter do guia da Folha de São Paulo Milena Emilião, disse: "Poesia alegre, música e simplicidade que relembram por que o teatro é único".

"A gente recebe a crítica como forma de reconhecimento do nosso trabalho. É uma certeza que estamos no caminho certo. Esse tem um sabor diferente pelo fato de ter sido estreia", comemora o diretor.

Lamentar e trabalhar

O caminho percorrido pelo grupo é o inverso a maior parte dos grupos do RN. Com 16 anos de existência, Os Clowns estão há três anos conseguindo sobreviver apenas do teatro. "A nossa condição é uma exceção e não uma regra. Amadurecemos nosso trabalho e conseguimos hoje sobreviver somente de teatro. É um caminho árduo, mas possível. A política no RN infelizmente é de autos. É um absurdo ter três autos na cidade, enquanto os atores ficam à míngua durante o ano", comentou o diretor.

Na visão de Yamamoto, o que acontece com os artistas em Natal é a luta pela sobrevivência. A maior parte se mobiliza por questões pontuais e deixam de lutar por questões maiores como o fomento à cultura.  "O que percebemos são micro mobilizações para reivindicar cachês não pagos, autos cancelados e no fim das contas se mobilizam apenas por causas próprias. Todo mundo está preocupado realmente em garantir os cachês em pequenos ganhos ao invés de pensar no trabalho artístico como um todo. É lamentável. A gente anda muito desgostoso em relação a isso. É um retrato de uma classe, de uma cidade", desabafou.

Seu desabafo aconteceu em meio a felicidade do grupo ser reconhecido com seu espetáculo mais recente. "Não dá para falarmos da felicidade e esquecer a tristeza de nossa cultura no Rio Grande do Norte", afirmou.




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comentários

alexandrehomestudio@...29/12/2009 @ 09h42
Fernando Yamamoto está coberto de razão fazer cultura no Rio Grande do norte é complicadíssimo. depender de governo e prefeitura é humilhante. parabéns ao grupo pelo sucesso, tudo isso é o resultado de longos anos de trabalho e ralação. em 2009 por exemplo, o edital Chico Villa da Fundação José Augusto não vingou, e dos 29 projetos contemplados nenhum foi apresentado (ninguém recebeu). é preciso união da classe artística potiguar antes que seja mais tarde....
Tribuna do Norte