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Política

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

CPI do MST terá maioria governista

Publicação: 23 de Outubro de 2009 às 00:00
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Brasília (AE) - Criada com o apoio de parlamentares aliados ao Planalto, a CPMI do MST só "vingará" se contar com a rebeldia dos governistas. Caso contrário, correrá o risco de ter convocações e pedidos de quebra de sigilo boicotados pela maioria de seus integrantes representados, nas duas Casas, pelos partidos governistas. Na Câmara, o placar é de 13 a 5 votos a favor do Planalto. No Senado, a oposição preencherá 8 vagas contra as 10 destinadas aos governistas. Ou seja, a base terá 23 dos 36 assentos.

Um dos autores do requerimento de criação da comissão, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), reconhece que a disputa será intensa, mas que a oposição tem um trunfo: barganhar a votação de temas importantes para o governo, como os projetos do pré-sal ou obstruir as votações na Câmara e no Senado.

"Vamos tentar pelo caminho da negociação, mas se houver radicalização, saberemos reagir", alerta. Da parte do governo, o mote principal contra a oposição é o de acusar seus representantes de usarem a CPMI como palanque eleitoral. "É muito ruim para o País, é a aposta no conflito, é a ideia da oposição liderada por setores que querem reeditar o conflito entre a UDR (União Democrática Ruralista) e o MST", acusa o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).

Para o líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), a investigação "não tem nada de eleitoral. "A população quer saber aonde vai o dinheiro público e o que está caracterizado é o uso indevido para financiar um movimento que não tem pessoa jurídica e está envolvido em vários crimes", rebate.

A favor da realização da CPMI há um número grande de parlamentares da base apoiando a investigação, algo em torno de 30%. Um caso específico é o do senador Wellington Salgado (PMDB-MG), conhecido por agir sempre, sobretudo nas CPIs, nas linhas de frente montadas pelo governo para impedir as investigações.

Salgado assinou a CPMI do MST, segundo ele, para atender a reivindicação da sua base eleitoral do Triângulo Mineiro, região agrícola. "A região todinha me cobrou depois daquelas cenas agressivas de tratores destruindo laranjais", afirma, referindo-se ao ato do MST de acabar com pés de laranja no interior de São Paulo. "Deu ideia de desordem total, que ninguém sabe aonde vai parar, imagine... derrubaram árvores que não estão fazendo mal a ninguém, cheias de fruto", disse.

As destruições provocadas pelo MST, inclusive de órgãos públicos, também são apontadas pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), da base aliada, como motivo para apoiar a comissão. "É preciso investigar tudo; tenho situações concretas no meu Estado em que pessoas do MST abateram o gado, usaram o trator e deixaram a família dois ou três anos sem propriedade", afirma. Ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) diz que assinou o requerimento de criação da CPMI em reação ao não cumprimento da lei pelo movimento.




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