O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) interditou no início da noite de ontem (24) as duas unidades de terapia semi-intensiva (UNIT) do Hospital Estadual Walfredo Gurgel. O documento oficial chegou ao hospital às 18h30, segundo a assessoria do Imprensa do HWG. A interdição ética das unidades, decidida em reunião dos conselheiros do Cremern no início da tarde de ontem, foi consequência da falta de médicos plantonistas para cuidar dos 18 pacientes internados - todos em estado grave e a maioria respirando com a ajuda de aparelhos.
Elisa Elsie
Falta de médicos provoca a interdição das unidades e os pacientes precisarão ser transferidos
Segundo o diretor de fiscalização do Cremern, Jean Carlo, o Walfredo Gurgel terá que, imediatamente, transferir os pacientes para outro hospital ou remanejar médicos de outras unidades para atender os internados. "Havia apenas um médico diarista que passava pela manhã, mas o resto do dia os pacientes eram assistidos apenas por enfermeiros", explica Jean Carlo.
O diretor de fiscalização informou ainda que, ao meio-dia de ontem, quando a interdição foi confirmada, a UNIT 1 estava com 11 pacientes, onde 10 deles respiravam com a ajuda de aparelhos. Na 2, eram oito, sendo três tendo a chamada ventilação mecânica. À noite, quando a equipe da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com o Walfredo Gurgel, apenas 10 pacientes estavam na unidade 1. Segundo informação de um funcionário do hospital um paciente teria ido a óbito.
"Alguns vão a óbito porque realmente são pacientes em estado grave e, por isso, precisam de constante atenção médica", completou Jean Carlo. A fiscalização que resultou na interdição ética hoje foi feita há cerca de 10 dias. No início da tarde, porém, a situação foi exposta em votação do Conselho do Cremern e ficou decidido interditar as duas unidades.
Segundo a assessoria do hospital Walfredo Gurgel a diretora da unidade, Dra. Hélida Maria Bezerra, esteve durante toda a tarde, em reunião com o secretário de Saúde, George Antunes. A assessoria não tinha informações sobre o resultado da reunião e as medidas que serão adotadas a partir de hoje. Segundo a assessoria do Walfredo Gurgel há mais de 4 meses a direção do hospital vem informando a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) das dificuldades em relação à superlotação do hospital e à falta de médicos plantonistas. Em nenhum momento, disse um dos assessores, o hospital foi omisso e irresponsável.
Segundo a assessoria, praticamente todos os dias, o HWG encaminha documentos à Sesap alertando para a necessidade de contratação de mais médicos. A TRIBUNA DO NORTE tentou contato com a diretora do hospital, mas ela não atendeu às ligações até o fechamento desta edição. A reportagem então fez contato com a Assessoria de Comunicação do Governo do Estado, que tentou localizar o secretário de Saúde, George Antunes, e a diretora do hospital, e retornou, minutos depois, com a informação de que ninguém havia sido localizado.