Cresce o registro de casos de violência nas escolas
Publicação: 12 de Março de 2010 às 00:00
A Secretaria Estadual de Educação registrou, em 2009, 1.563 denúncias e reclamações de pais e alunos das escolas públicas e privadas do RN. Desse total, 10% estão relacionadas à violência. Foram 12 agressões físicas, dois casos de assédio sexual, apreensão de armas de fogo e facas. Os outros 90% foram reclamações administrativas e indisciplina dos alunos, por exemplo.
“Esses dados são de 2009, mas a gente vem observando que a violência nas escolas tem aumentado bastante. O alerta surgiu depois que recebemos uma denúncia de que uma aluna queria matar a colega da escola com arma de fogo. Hoje não existe mais aquele respeito do alunos para com o professor e com os colegas”, disse a coordenadora do setor de direito dos alunos, da Secretaria de Educação - responsável pela pesquisa- Eurilene Balbino.
Ainda segundo Eurilene, a maioria das denúncias de violência é registrada em escolas que não estão na periferia da cidade. “Diferente do que muita gente pensa, temos poucas denúncias na zona Norte de Natal e se engana quem pensa que só acontecem nas escolas públicas. Acredito que 50% da denúncias sejam de escolas particulares”, disse a coordenadora, que preferiu não citar os nomes dessas escolas.
As escolas da rede pública que registraram mais denúncias foram Atheneu, Winston Churchil e Anísio Teixeira - relacionadas à briga de gangues e torcidas organizadas – e Manoel Dantas e João Tibúrcio tiveram casos de agressão entre alunos.
Na Escola Estadual Professor João Tibúrcio, que fica no Alecrim, uma aluna tentou esfaquear um colega de turma. “Esse foi o caso mais grave que nós tivemos, mas graças a Deus conseguimos evitar uma desgraça porque eu passei na hora e tomei a faca da mão da aluna”, disse a vice-diretora da escola, Iraci Fonseca.
Depois do ocorrido, os dois alunos foram transferidos para outra instituição. Mas passado um ano do ocorrido, alguns alunos não se sentem inseguros dentro da escola. “Às vezes tenho medo de estar aqui porque ninguém sabe o que pode acontecer”, disse Jean Cláudio Oliveira, de 14 anos.
Presença de drogas nas escolas é preocupante
Além da violência física e moral, outra questão que preocupa bastante é a presença, cada vez mais constante, das drogas nas escolas do Estado. A última pesquisa sobre o tema- realizada em 2004 - mostrou que dos 1.663 estudantes entrevistados, 25% dos meninos e 16.8% das meninas já tinham feito uso de algum tipo de droga.
Para o presidente em substituição do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), Vantuil Carvalho, esse número deve ter aumentado, mas não existe estatísticas recentes que comprovem esse aumento.
“Estamos tentando atualizar esses números, principalmente para ter uma noção do universo que devemos trabalhar. Mas o ano de 2010 está de intensificação no combate e prevenção ao consumo de drogas. O objetivo é promover a pesquisa, prevenção, tratamento, reinserção social, redução da oferta e demanda e redução do dano”, disse Vantuil.
Esses seis eixos temáticos fazem parte do programa nacional de políticas sobre drogas, que estão sendo aplicados no RN. Um dos principais problemas é a falta de informação e apoio das famílias.
“Estamos tentando massificar as políticas sobre drogas tanto para as autoridades quanto para a população. Mas é preciso entender que as escolas, o Conen e outros órgãos são apenas complemento da educação dessas crianças e adolescentes. A base de tudo está na família, que é a responsável pela educação”, disse o presidente do Conen.
Estão sendo criados vários grupos técnicos, cada um especializado em algum dos seis eixos temáticos. “Estamos formando uma grande rede, inclusive em outros Estados, para atuar no combate e prevenção ao uso de drogas”, disse Vantuil.
Mas as dificuldades não estão apenas no combate e na prevenção, mas também no tratamento para os usuários. Isso porque o Rio Grande do Norte dispõe de poucas unidades de atendimento a esses usuários. “Nós temos os Hospitais João Machado e Onofre Lopes, que fazem esse atendimento, e dois Centros de Atenção Psico-social (Caps), um na zona Norte e outro na zona Leste de Natal e duas clínicas particulares. A deficiência é tão grande que não existe uma unidade para atendimento a mulheres”, disse Vantuil.