Cúpula das Nações Unidas reconhece acordo climático
Publicação: 20 de Dezembro de 2009 às 00:00
Ao participar sexta-feira de cerimônia no último dia da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está "um pouco frustrado" com o rumo das negociações para um acordo global em Copenhague (Dinamarca). "Gostaria de sair com o documento mais perfeito do mundo mas, se não conseguimos fazer até agora esse documento, não sei se algum sábio ou anjo descerá nesse plenário e conseguirá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou", disse o presidente.
No discurso, Lula anunciou que o Brasil poderá contribuir para um fundo internacional que financie medidas para a redução de gases de efeito estufa em países pobres. "Se for necessário o Brasil fazer um sacrifício a mais, estamos dispostos a participar do financiamento", disse.
Ele voltou a elogiar a proposta apresentada pela delegação brasileira em Copenhague, destacando que apenas "com meias palavras e com barganhas" não se é possível encontrar uma solução para as alterações climáticas. "Quando pensarmos no dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, que estamos dando uma esmola. Porque o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento das emissões de gases de efeito estufa de dois séculos de quem teve o privilégio de se industrializar primeiro", acrescentou.
Copenhague (AE) - A cúpula climática da Organização das Nações Unidas conseguiu evitar um fracasso total para o encontro, após concordar, neste sábado em reconhecer um acordo político mediado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, com a China e outros países emergentes. A decisão foi tomada após uma sessão plenária que se estendeu durante toda a madrugada, na qual um pequeno grupo de países bloqueou o "Acordo de Copenhague", nome que foi dado ao texto, porque este não contava com objetivos específicos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Após um breve recesso, o presidente da cúpula tomou a decisão de considerar o "Acordo de Copenhague", especificando, no entanto, quais eram os países consensuais com o título do documento.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o acordo constitui uma primeira "etapa essencial" para a adoção de um tratado de luta contra o aquecimento global. "Talvez, não seja tudo o que esperávamos, mas essa decisão da conferência das partes é uma etapa essencial", declarou Ban, em entrevista coletiva concedida neste sábado.
O "Acordo de Copenhague" foi forjado por chefes de Estado e governos de 30 países industrializados, emergentes, em desenvolvimento e validado após um procedimento especial pela cúpula. Vários países em desenvolvimento, incluindo a Bolívia, Cuba, Sudão e Venezuela, classificaram como inaceitável o acordo por não ter objetivos específicos de redução de gases.
O acordo prevê US$ 30 bilhões em financiamento ao longo dos próximo três anos aos países pobres para combater a mudança climática. Pela proposta apresentada, os EUA vão contribuir com US$ 3,6 bilhões no período de três anos, 2010-12. No mesmo período, o Japão vai contribuir com US$ 11 bilhões e a União Europeia com US$ 10,6 bilhões. O texto do acordo, divulgado na sexta-feira, diz que os US$ 30 bilhões prometidos virão de "recursos novos e adicionais", não da ajuda existente. O financiamento de longo prazo virá de fontes públicas e privadas.
Não foram estabelecidas metas para redução de emissão de CO2, embora as nações tenham se comprometido a fazer cortes em seus níveis. De acordo com o anúncio de Obama, os países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram em listar suas ações nacionais e compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Haverá um mecanismo para enviar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a pagar por tecnologia e projetos para se ajustarem às mudanças climáticas, como a elevação dos níveis dos mares.