Um curto-circuito em uma TV de plasma, dentro de uma clínica de oftalmologia, no edifício Harmony, localizado na rua Joaquim Manoel, em Petrópolis, por volta das 14 horas de ontem causou desespero nas pessoas que estavam dentro do prédio. O princípio de incêndio, na sala 108 do primeiro andar foi contido com extintores. Duas viaturas, além do resgate do Corpo de Bombeiros foram acionadas. Funcionários da Secretaria de Transporte e Trânsito Urbano (STTU) controlavam o trânsito que permaneceu lento em uma das principais vias da cidade. Populares se aglomeravam nas calçadas do edifício Harmony e do Hospital Médico Cirúrgico. Os soldados do Corpo de Bombeiros evacuaram o prédio até que fosse descartada a possibilidade de explosão ou proliferação do incêndio causado pelo curto-circuito no eletroeletrônico.
Marcelo Barroso
O incêndio provocou desespero nas pessoas que estavam no prédio. Todos foram retirados às pressas para evitar uma tragédia
Segundo Waldemar Pamplona Tavares, 75 anos, ele esperava para ser atendido pelo médico acupunturista quando foi avisado que havia um princípio de incêndio. "Todos desceram pelas escadas. Houve pânico. Muita gente ficou assustada", afirmou o aposentado que disse: "Não tenho medo de morrer, por isso, não me apavorei".
Jocicleide Martins é recepcionista do Harmony. A funcionária explicou que, ao perceberem o fogo, o porteiro utilizou o extintor para apagar as chamas. A médica Evelise Andrade contou que havia muita fumaça, mas que o incidente ocorreu em uma sala (clínica) isolada. "Não houve o toque do alarme porque a situação foi contida rapidamente".
O terapeuta Júlio Ricardo contou que deixou a sala onde trabalhava por causa do incêndio. "O pai de uma criança que estava no meu consultório correu para ajudar com o extintor". Júlio lembrou que a sala ficou aberta. "Deixamos tudo lá. As funcionárias largaram até as bolsas. Todos correram. As crianças choravam".
De acordo com o síndico do prédio, Roberto Menezes, o incidente ocorreu em uma área isolada. "Não tem nada a ver com o condomínio. É importante dizer que o habite-se está em dia".
Segundo o capitão Kleiber Bandeira, coordenador de Serviço do Corpo de Bombeiros o curto-circuito na TV causou um grande prejuízo material na clínica de oftalmologia. "Tudo foi destruído. Não tivemos vítimas, apenas danos materiais".
Algumas pessoas desciam as escadas tossindo por causa da fumaça, mas não foi necessário acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
No ambiente onde ocorreu o acidente havia material de queima fácil. "Foi uma ocorrência isolada". O capitão explicou que o prédio não oferece ventilação natural, motivo pelo qual, os soldados tiveram mais trabalho. "A nossa dificuldade foi escoar a fumaça. Conseguimos abrir algumas pequenas janelas".
O serviço técnico de engenharia do Corpo de Bombeiros verificou que o habite-se do edifício estava em dia. "Constatamos que foi uma fatalidade".
ManualO engenheiro eletricista e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRN), Augusto César Fialho Wanderley disse que, pela primeira vez, ouviu falar em curto-circuito em TV de Plasma. "É necessário observar a ligação da tomada. Normalmente, um aquecimento na conexão de condutores mal dimensionados pode provocar um curto".
O professor explicou que todo equipamento requer cuidado, no uso, manutenção e na área de ventilação. Segundo Augusto, geralmente, as pessoas não leem o manual. "É uma questão cultural".
Augusto lembra que é de grande valia a leitura das instruções para uso do eletroeletrônico. "Não sei o que ocorreu no edifício. Estou me referindo de forma geral".