Custo da reforma cai cerca de 15%

Publicação: 2012-09-16 00:00:00 | Comentários: 1
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Andrielle Mendes - Repórter

O governo federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção em 2009 e, no final de agosto deste ano, além de ter prorrogado o incentivo para até dezembro de 2013, inseriu novos produtos na lista de beneficiados. Para especialistas, o benefício tem feito diferença para o consumidor na hora de reformar ou construir em casa. Estima-se, segundo afirmam, que o custo chegou a cair entre 15% e 20%. Quem buscou crédito no banco para comprar os materiais também recebeu um empurrãozinho. As taxas de juros foram reduzidas na Caixa e no Banco do Brasil.
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A pesquisadora Graça Cavalcante, 55, e o técnico industrial Nilton Rocha, 59, vão gastar R$ 20 mil na reforma da casa - incluindo material de construção e mão de obra. Há duas semanas, começaram a trocar o piso, construir uma nova caixa d’água, reformar a calçada e o muro e pintar as paredes. A obra deve durar três meses, estimam. O valor que irão investir pode parecer alto, mas seria maior, se Graça e Nilton tivessem decidido reformar há três anos, dizem especialistas. A redução do IPI para materiais de construção - adotada em 2009, prorrogada e estendida a outros itens este ano - e a queda das taxas de juros para aquisição de material de construção por clientes de bancos como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ajudaram a baratear o custo final de uma obra.

Para Biokice Neves, arquiteta contratada pelo Armazém Pará, material de construção, em geral, está pelo menos 20% mais barato após a adoção das medidas. O engenheiro civil Maurílio Lucena, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Potiguar (UnP), fala numa redução de 15%, em média. Luiz Carlos Cavalcanti, diretor da construtora Tecnart, acredita que o impacto das medidas tenha sido bem menor.
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Arnaldo Gaspar Júnior, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon), prefere não arriscar um percentual, mas concorda que comprar material de construção está mais barato. Segundo ele, a tendência é que os preços caiam ainda mais com a redução da tarifa de energia elétrica a partir de 2013 - anunciada nas últimas semanas - e com a redução de impostos de alguns setores da indústria da construção civil. De acordo com Josué Rosado, diretor comercial da rede A Construtora/Saci, fatores como retração do mercado e concorrência também ajudaram a segurar os preços.

Dados extraídos do site CUB Brasil, que reúne informações de todos os sindicatos da Indústria da Construção Civil do país, mostram que o custo unitário básico por metro quadrado (cub/m²) – indicador macroeconômico dos custos do setor – de uma residência de padrão normal (com três quartos, sendo um suíte) passou de R$ 801,98, em agosto de 2009 – antes de o IPI ser reduzido para o setor – para 1.037,06 em agosto de 2012 – o dado mais recente.
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O avanço de 29,3% poderia ser maior, segundo Arnaldo Gaspar Júnior, não fosse a redução do IPI do material de construção, mantida até hoje. “Os materiais de construção incluídos no pacote da redução - como cimentos, tintas e bacias sanitárias - registraram crescimento abaixo da inflação. Se não menor, pelo menos muito próximo”, observa. O cimento, por exemplo, caiu de preço no acumulado de janeiro a agosto. A queda pode ser um pouco maior este mês. Em agosto, um saco com 50 quilos custava, em média, R$ 19,50. Hoje pode ser encontrado por menos de R$ 18, segundo Ana Adalgisa, engenheira civil e diretora do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio Grande do Norte.

O engenheiro civil Maurílio Lucena ressalta o peso do material de construção no custo final de uma obra. O cimento, item fundamental, chega a representar até 13% numa construção. Ele foi um dos itens incluídos na lista da redução de IPI pelo governo federal. De acordo com Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o custo de produção – e consequentemente o preço final – do material de construção poderia subir até 10% se a redução do IPI não tivesse sido prorrogada até 2013. “Por isso pedimos a prorrogação”.

Segundo Arnaldo Gaspar Júnior, presidente do Sinduscon/RN, o custo para reformar ou construir só não ficou ainda menor porque os gastos com mão de obra – outro fator que pesa na conta – subiram com o aumento do salário mínimo.

Nos bancos, juros ao consumidor também recuam

Quem optar por financiar a obra vai notar que as taxas de juros estão mais baixas. No rastro da queda da taxa básica de juros, a Selic, Banco do Brasil e Caixa Econômica anunciaram novas reduções, inclusive para quem quer reformar ou construir, aumentando a procura por produtos ‘da casa’.

O Construcard – linha de crédito para financiamento de materiais de construção da Caixa, por exemplo, cresceu 409% no volume de contratação mensal no período de abril a agosto. A contratação do produto aumentou de R$ 127 milhões/mês, em abril, para R$ 647 milhões em agosto. Em relação ao volume médio de contratação diária, desde a última redução de juros, em 23 de julho, a média diária de contratação aumentou quase cinco vezes.

Obter crédito é, no entanto, apenas o primeiro passo.  “Procurar orientação profissional na hora de preparar a lista de materiais de construção é outro passo fundamental”, orienta Biokice Neves, arquiteta do Armazém Pará. Quem não pode pagar um arquiteto pode pedir ajuda a alguém com experiência na área. Pesquisar os preços em várias lojas é outra recomendação. “O que importa é preço e qualidade”, diz a equipe do site Material de Construção. Net.

Medidas não conseguiram baratear a casa própria

Para as construtoras, as medidas não trouxeram grandes mudanças. A redução do preço dos materiais de construção foi neutralizada, dizem os construtores, por outros fatores que impactam no custo final de uma obra – como aumento do salário mínimo e encarecimento do frete. Carlos Luiz Cavalcanti, diretor da construtora Tecnart Engenharia, reconhece que a redução do IPI ajuda a baixar os custos de produção, mas afirma que a diferença é pequena quando chega na ponta.
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Para Carlos Luiz, que está construindo nove empreendimentos, as medidas adotadas pelo governo federal são pontuais e os efeitos limitados. Gustavo Langassner, gerente de obras da Guaporé Empreendimentos – empreiteira que também vende imóveis avulsos – concorda. Segundo ele, as medidas não surtiram efeito. “Falaram que os preços caíram, mas eles só não subiram muito”, afirma.
 Gustavo, que entrega, em média, dois edifícios e até 30 casas populares por ano, diz não conseguir repassar a diferença no preço - mesmo pequena – para o consumidor final. “A mão de obra está mais cara. Diminui de um lado e sobe de outro. Se o custo da mão de obra caísse, aí sim daria para repassar”.





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Comentários

  • mmoura.arq

    Construir ou reformar ficou realmente mais acessível com a maior oferta de materiais e lojas, além dos preços e crédito mais acessíveis. Agora falta vencer o mito da contratação do arquiteto. O trabalho do arquiteto não é caro. Ele pode auxiliar o cliente com um projeto melhor, que traga mais conforto, com harmonia estética, especificar materiais de acordo com o padrão econômico da obra e, também, evitar dúvidas (fazer e desfazer), entre outras vantagens. E para isso sua remuneração raramente ultrapassa 5% do valor total do investimento. Portanto, a afirmação que Arquiteto é caro é um Mito. Caro é o que se paga e não se tem retorno. Sugiro a TN complementar essa reportagem ouvindo os arquitetos, o IAB e o CAU.