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Natal, 04 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 14:09

Da criatividade à espera pela patente

Publicação: 29 de Novembro de 2009 às 00:00
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Ellen Rodrigues - Repórter

Uma máquina de estacionamento inteligente, que indica onde há vagas disponíveis. Um guia multimídia que ajuda o turista a desvendar a cidade gratuitamente. Uma casa que custa a metade do preço de mercado construída com garrafas pet. Essas são algumas invenções potiguares que estão em fase de obtenção de registro demarca e de patente. Elas têm algo em comum: reúnem inovação com praticidade, itens cada vez mais desejados em tempos modernos.

Mas até que seus inventores obtenham o registro de marca e a patente definitiva de seus produtos, há um longo caminho a ser percorrido, entre adequação aos requisitos para iniciar o processo de detenção da marca ou produto (desenhos técnicos, laudos que atestem funcionalidade, etc) e investimento financeiro. Para patentes a média é de R$2,5 mil, sendo R$1,4 para a marca.

Vale lembrar que dependendo do tipo de patente, ela pode se valorizar com o passar dos anos. O registro definitivo de uma marca demora, em média, dois anos para ser publicado. No caso da patente, o tempo é ainda maior: cinco a sete anos. Resolvidos estes pontos, os  inventores aguardam a análise do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Mais espera:

"São poucos especialistas para a alta demanda de pedidos de todo o país", comenta o assessor de registro de marcas, Luiz Rodrigues. Para se ter uma ideia da procura, que cresce a cada ano, em 2007 o Instituto publicou 2.419 pedidos de patentes e em 2008 chegou a 3.681 processos deferidos. A previsão é que no ano que vem, o volume seja de 4.250 novas patentes.

"Falta material humano no INPI para dar conta dos pedidos. A função exige muita responsabilidade, ser bilíngue e outros critérios. É comum que nos concursos realizados sobrem vagas", explica Luiz Rodrigues. O processo de patente e registro de marca geralmente é feito por empresas especializadas no assunto.

Além disso, para iniciar o processo de patente da parede de concreto com garrafas pet, o eletricista Antônio Duarte precisou da ajuda de uma arquiteta. "Ela desenhou uma planta do protótipo e teve que demonstrar a projeto em diferentes perspectivas", diz.

A invenção alia bem-estar e respeito ao verde, começou a ser desenvolvida há dois anos. "Tive que conciliar as horas vagas do trabalho para conseguir todos os documentos e laudos necessários e iniciar o pedido de patente.  O nome da parede é longo e detalhado para evitar que a ideia seja roubada".

Isso porque a patente protege o produto de competidores que o copiem e vendam a preço inferior, uma vez que eles não arcaram com os custos da pesquisa e desenvolvimento do produto. A proteção é valiosa e imprescindível para que a invenção possa se tornar um investimento rentável.

De acordo com o assessor Luís Rodrigues, existem dois tipos de patentes: de Invenção (PI) e Modelo de Utilidade (MU).  "A primeira diz respeito a algo exclusivo, e a segunda é um melhoramento consistente do que já existe no mercado".

O registro de uma marca exige uma pesquisa prévia para evitar duplicidade de nome para empresas de um mesmo segmento. Já a patente não exige pesquisa, parte-se do pressuposto que o inventor é o idealizador do produto. 

"Dada a entrada do pedido, o processo fica 18 meses em sigilo e não pode ser acessado por pesquisa. Nesse tempo, o inventor pode fazer alguma alteração no projeto", diz o assessor de patentes, Antônio Carlos Moraes.

Terminais turísticos multimídia e estacionamento

A missão da empresa dos engenheiros da computação Wilson Lima e Sérgio Varella é ousada: "Facilitar o dia a dia das pessoas, criando soluções inovadoras". A busca por melhorar o que já existe no mercado tem rendido criações inteligentes. Uma delas foi o terminal turístico para quem visita a cidade, que oferece informações gratuitas.

Com um simples clique touch screen é possível obter informações de hospedagem, previsão do tempo, restaurantes e agenda cultural da cidade. No guia multimídia da cidade está um catálogo de bares, passeios, hospedagem, restaurantes, mergulhos, hospitais, clínicas, e outras informações de que o turista geralmente precisa.

"Vi um terminal parecido no aeroporto de São Paulo, mas que não funcionava. Daí passamos a desenvolver um que deu certo", comenta Wilson. O modelo de autoatendimento já é de domínio público, mas os dois desenvolveram um software exclusivo para a máquina, que já foi registrado.

Hoje existem 19 terminais espalhados na cidade e um na praia de Pipa, em Tibau do Sul. Mas Wilson e Sérgio querem melhorar ainda mais o serviço. Com uma verba ganha no edital de Inovação Tecnológica da Fapern, eles trabalham na instalação de um sistema de ligação gratuita para a empresa, direto do terminal (VOIP).   

A verba da Fapern tamnbém permitiu implementar os serviços de previsão do tempo, consulta de voos, agenda cultural, sistema de publicidade bluetooth e sistema de impressão de cupons promocionais.

Paralelamente às melhorias dos terminais turísticos, os "inventores de soluções" trabalham em outro grande projeto: um estacionamento inteligente. A ideia é acabar com as longas buscas por uma vaga em estacionamentos de shoppings. "Na entrada do estabelecimento e em cada andar que percorrer, o cliente será informado sobre o número de vagas que existem e onde elas estão evitando assim, que o cliente  fique dando voltas para achar uma vaga".

Os inventores não dão mais detalhes da ideia, que ainda não está registrada, mas adiantam que haverá indicação por sensores de luzes em cima de cada vaga, sinalizando onde está ocupado ou não. A invenção ainda não está disponível no mercado, mas será lançada em formato de franquia no primeiro semestre de 2010.

"Estamos buscando parcerias com shoppings locais e de estados vizinhos para fazer um teste gratuito por um ano".  Eles estudam pequenos ajustes para baratear o sistema e a partir do ano que vem pretendem começar os testes com um protótipo. "Nosso foco são os shoppings, mas o sistema pode ser usado em supermercados e outros tipos de estabelecimentos".

A ideia será publicada no Livro Nacional de Inovação Tecnológica 2009 do Sebrae.

Garrafas podem tornar casas populares mais acessíveis

Beneficiar o meio ambiente reutilizando plástico. Viabilizar casas populares pela metade do preço que são financiadas hoje, ampliando o acesso a um imóvel próprio por famílias de baixa renda. Esses são os objetivos de Antônio Duarte, criador da parede de concreto vibrada com garrafas pet.

Segundo ele, uma casa popular no padrão de 45 metros quadrados sairia por R$7 mil se construída com sua ideia. "Será mais vantajoso pagar uma prestação dela  do que viver de aluguel". O valor não inclui pintura e acabamento. O primeiro protótipo começou a ser construído na primeira quinzena de novembro, no município de Espírito Santo, a 76 quilômetros da capital potiguar, onde ele mora.

A casa tem banheiro, sala, cozinha e dois quartos.  Os estudos de resistência na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) mostraram que as paredes são mais resistentes do que as de tijolo comum. O motivo, segundo Duarte, é que a parede convencional não tem coluna. A redução no valor é resultado de um custo menor com mão-de-obra e matéria-prima.

"As paredes já são entregues prontas, não precisa quebrar para instalar a tubulação elétrica e hidráulica, elas já vêm incluídas. Assim, a casa fica pronta mais rápido, e economiza tempo e dinheiro". No centro do teto da casa serão concretadas garrafas pet cheias de água. "Durante o dia, elas vão conduzir luz solar para o interior da casa, dispensando o uso de energia elétrica".

Ele destaca que as garrafas têm ainda funções térmica e acústica.  Outro detalhe destacado pelo inventor é a homogeneidade da massa usada na parede. "A mesa vibratória é imprescindível nesse processo". A vibração acaba com as bolhas de ar entre a massa e as garrafas, o que diminui a resistência da parede. 

"E a massa mantém um padrão, diferente de paredes tradicionais, em que cada pedreiro bate na betoneira de um jeito".  Antônio calcula que os blocos sejam produzidos em formatos de 1,5m X 3m e 3m X 3m. O tamanho de cada parede será adaptado de acordo com a planta do imóvel. "Até os espaços de janelas e portas estarão definidos". O protótipo deve ficar pronto até dezembro.

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