Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 24°Natal - 24°

Diário do Avoante

Natal, 22 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 23:53

DE NATAL A SALVADOR NO MALAIKA II

Publicação: 29 de Janeiro de 2012 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

Nelson Mattos Filho - Velejador-avoante1@gmail.com

Quando programamos a viagem no veleiro Malaika para levá-lo de Natal até Salvador no início do ano, não fizemos nenhuma previsão de chegada, até por que não queríamos criar expectativas falsas. O Malaika estava há muito tempo sem navegar e quando isso acontece o mar cobra pedágio e paciência.

Não queríamos quebrar a cabeça cruzando contas de milhas e nós, deixamos essa parte para o barco, o mar e o vento, éramos apenas tripulantes e observadores desse trio que se entende como velhos amigos.

Não tínhamos data marcada para chegar, mas também não estávamos a passeio, estávamos cumprindo o compromisso de entregar o Malaika em Salvador nas melhores condições e pronto para navegar com o proprietário, comandante Noronha, assim que chegasse.

Ás 165 milhas de Natal a Recife demonstrou que estávamos no comando de um grande barco. Entramos na capital pernambucana para recolocar a antena do VHF, substituir a correia do motor e revisar as bombas de porão, nada que gerasse insegurança a bordo, mas que tinham que estar em ordens para segurança da boa navegação.  

Um dia em Recife, atracado no Cabanga Iate Clube, foi o suficiente para colocar ordem no barco e retomar a velejada. Às vinte e três horas e quarenta e cinco minutos da Quinta-Feira, 05/01, deixamos para trás a capital do frevo e aproamos a alagoana Maceió. O vento não mudou em nada, continuava leste e soprando tão macio quanto o mar que navegávamos.

Com a gente estava o casal Marcos e Elilza, que nunca havia feito uma viagem de veleiro em mar aberto e estava adorando a velejada. Marcos e Elilza embarcaram em Natal e fariam parte da tripulação até Maceió, para um excelente teste de mar. Essa é uma boa maneira para os que sonham um dia comprar um veleiro de oceano, fazer parte de uma tripulação e assim ver se realmente é aquilo mesmo o que querem.

Eles tiraram a viagem de letra e até já estão se programando para uma nova velejada com a gente a bordo do Avoante. Ficamos felizes e certos que em breve teremos mais um casal cruzando os mares a bordo de um veleiro.

Chegamos a Maceió na noite da Sexta-Feira, 06/01, depois de 23 horas de mar e debaixo de uma forte chuva para lavar a nossa alma coberta de sal. São momentos assim que traduzem a forma de vida dos que trocam o conforto do telhado de uma casa numa noite de chuva, pelo prazer de receber toda aquela chuva no corpo sem a preocupação com o frio nem com a roupa molhada. A natureza é soberana e nada é mais importante do que a certeza de estar fazendo a manobra correta e ter a tripulação e o barco em segurança.

Assim que ancoramos o Malaika a chuva se foi, ela estava ali apenas para nos dar boas vindas e também ajudar na lavagem do convés. Abrimos um vinho para comemorar a chegada e brindar o primeiro cruzeiro do casal, que desembarcariam para retornar a Natal.

Passamos mais dois dias em Maceió para rever amigos e dar uma costura na vela de proa. É sempre uma alegria chegar à capital de Alagoas e receber o carinho e atenção dos que fazem a Federação Alagoana de Vela e Motor, mas os problemas no desembarque continuam agravados. Nenhuma autoridade alagoana consegue resolver o mal que a sujeira trazida pelo rio Salgadinho representa para a cidade. Aquilo é um verdadeiro esgoto a céu aberto e diariamente espalha toneladas de imundices nas praias da capital. Uma pena, mas não se resume apenas a Maceió, pois outras cidades também têm o seu Salgadinho. 

Deixamos Maceió na enluarada noite da Segunda-Feira, 09/01, com a promessa meteorológica de uma virada no tempo, mas nada tão significativo que forçasse o prolongamento de nossa ancoragem. A bordo apenas eu e Lucia, que é igual a São Tomé e não acredita muito nas previsões dos satélites. O vento continuava bom, mas o mar estava meio amuado!


Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres
Tribuna do Norte