Decisão do STF foi o estopim da revolta

Publicação: 24 de Março de 2013 às 00:00

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Fortalecido pela participação na campanha da legalidade que garantiu a posse de João Goulart em 1961, o movimento dos sargentos decidiu lançar, na campanha eleitoral do ano seguinte, candidatos em três estados onde eles tinham maior poder de mobilização e influência política: São Paulo, Rio Grande do Sul e Guanabara. De acordo com o pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil,  Fundação Getúlio Vargas, Sérgio Lamarão, “se na Guanabara, o sargento do Exército Antônio Garcia Filho elegeu-se deputado federal e, apesar do impedimento constitucional, tomou posse em 1º de fevereiro de 1963, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os candidatos eleitos – respectivamente Aimoré Zoch Cavalheiro e Edgar Nogueira Borges, ambos sargentos do Exército - foram impedidos de assumir os mandatos de deputado estadual e vereador.”

Lamarão lembra: “A questão da elegibilidade mobilizou a classe em 1963. No dia 12 de maio, cerca de mil graduados reuniram-se no Rio de Janeiro para discutir a situação. Durante a reunião, o subtenente Gelci Rodrigues Correia declarou que a categoria não podia se comprometer a defender a ordem reinante no país, pois ela “beneficiava uns poucos privilegiados” e referiu-se à possibilidade de os graduados “lançarem mão de seus instrumentos de trabalho (...) para exigir as reformas de base do governo federal”. Em 23 de maio, o ministro da Guerra Amauri Kruel puniu Gelci com 30 dias de prisão.”

No dia 11 de setembro, o Supremo confirmou a sentença do TRE gaúcho sobre o impedimento da posse do sargento Aimoré, o que implicava que sargentos, suboficiais e cabos eram declarados definitivamente inelegíveis. Está aceso o estopim para o levante.


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