Depois de firmar o pré-acordo com o Partido dos Trabalhadores para o pleito nacional de 2010, o PMDB parte agora para uma nova etapa do projeto de sucessão no próximo ano. O líder do partido na Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves, afirmou que a cúpula peemedebista fará reuniões para discutir a situação em cada Estado.
Dida Sampaio/AE
Líderes e dirigentes saem do Palácio do Alvorada, em Brasília, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
No encontro da última terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os petistas, foram listados cinco Estados prioritários para a aliança PMDB-PT: Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. "Semana que vem começamos a discussão Estado por Estado. Esses são os cinco prioritários que iremos resolver as questões da aliança PT-PMDB", destacou o deputado federal Henrique Eduardo Alves, que participou do encontro das lideranças peemedebistas e petistas.
O parlamentar potiguar observou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de levar todo PT para a reunião. "Michel Temer falou de forma discreta, Ricardo Berzonini propôs a aliança de forma discreta, mas o presidente Lula foi o mais contundente. Ele (Lula) disse que precisava logo ser resolvido e a aliança já poderia ser anunciada", lembrou Henrique Eduardo.
Sobre a ministra Dilma Roussef, ele observou que o discurso da pré-candidata foi primeiro de agradecimento pela aliança com o PMDB e depois de ressaltar que a formação da unidade não é um projeto eleitoral, mas a "garantia da continuidade de um Governo, com melhoria do povo brasileiro".
"Essa (PMDB-PT) é uma aliança de grande patrimônio para ser ratificada de maneira responsável. Vamos cuidar agora dos nossos Estados e a aliança no plano nacional sinaliza para as bases uma maior compreensão, maior respeito e segurança", destacou o líder do PMDB na Câmara.
Ele comentou que, durante a reunião, foi acertada a criação de um bloco, integrado por todos os partidos que apoiarão a candidatura da ministra chefe da Casa Civil Dilma Roussef.
Projeto nacionalPresidente estadual do PMDB, o deputado Henrique Eduardo disse que o partido no Rio Grande do Norte estará no palanque da candidata do PT, Dilma Roussef. "Quanto a isso não há dúvidas. Por questão de lealdade, fidelidade partidária apoiaremos a chapa da aliança PMDB e PT", destacou Henrique Eduardo. Ele lembrou que as definições do pleito local ainda não ocorreram. "Há algumas discordâncias sobre o plano (aliança) local. Mas é certo que o PMDB estará, nacionalmente, no palanque do presidente Lula", completou.
Lula pede palanques unificados O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu às direções do PT e do PMDB que enquadrem as seções estaduais dos dois partidos, com o objetivo de garantir uma ampla rede de apoio em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto em 2010. O pedido de Lula foi feito durante jantar que selou a aliança entre os dois partidos, na terça-feira (20), em Brasília.
"Como eu vou fazer campanha em dois ou três palanques?", perguntou o presidente, segundo relato de participantes do jantar. Lula lembrou a trajetória do PT para argumentar que muitas vezes um partido somente se consolida nacionalmente entrando em confronto com posições de diretórios estaduais, que desejam lançar candidatura própria para "marcar posição".
No diagnóstico do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), a articulação para compor palanques nos Estados exige "fé e perseverança". "É uma coisa de médio prazo. Não é nada para a semana que vem", insistiu. Mas para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que participou da reunião, os diretórios nacionais não deveriam intervir nos regionais, impondo candidaturas comuns sem que houvesse consenso.