As condições insalubres e a falta de um banheiro para uso dos 50 presos, levaram a Coordenadoria Municipal de Vigilância Sanitária a interditar, às 16 horas de ontem, o prédio onde funciona a Delegacia de Plantão da Zona Sul e a 10ª Delegacia de Polícia, na avenida Ayrton Senna, no conjunto Jiqui.
Marcelo Barroso
Os 50 presos da Delegacia serão transferidos para a 8ª DP, no bairro de Cidade da Esperança
O Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) já havia pedido a interdição do prédio há duas semanas na Covisa, informou a sua presidente, Vilma Marinho: "A situação era insustentável e inaceitável do ponto de vista da saúde dos presos", disse ela, a respeito das condições sub-humanas em que vivem os presos, que não têm onde fazer necessidades fisiológicas.
Vilma Marinho disse que essa situação vinha se arrastando há mais de dois meses, "mas por inoperância dos gestores públicos", nenhuma providência foi tomada: "Nem animal pode ser tratado desse jeito, os direitos humanos inexistem para os presos".
Titular da 10ª DP, o delegado César Rodrigues disse que a questão deixou de ser de estrutura física e passou a ser de saúde pública. "Os presos urinam em garrafas pet ou na rampa, de frente para a rua", disse ele, para também reportar que os presos defecam em marmitas descartáveis, popularmente chamada de "quentinhas" e a jogam no patio externo do solário, que é voltado para a rua.
Os 36 presos que estão no solário e os 14 que se encontram numa cela única, onde só cabem quatro, deverão ser transferidos para a 8ª Delegacia de Polícia, na na avenida Paraíba, 385, Cidade da Esperança (Zona Oeste), local onde passa a funcionar a Delegacia de Plantão da Zona Sul.
Já a 10ª DP, segundo Rodrigues, vai funcionar a partir de hoje na 2a Delegacia em Nova Parnamirim. Ele informou que enquanto os presos não forem transferidos para outro local, uma decisão que tem de ser tomada hoje pela Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), "eles ficariam custodiados por dois soldados Polícia Militar", que já era uma praxe dentro da Delegacia e um agente da Polícia Civil.
A interdição das duas delegacias feitas por dois agentes da Covisa, foi acompanhada por dois representantes do Ministério Público Estadual, os promotores Wendell Ribeiro Agra e Fernando Batista de Vasconcelos.
Rodrigues explicou que os policiais lotados nas duas delegacias fizeram um abaixo-assinado denunciando as más condições de trabalho junto ao Sinpol, que também contou com apoio da população dos conjuntos Pirangi e Jiqui, que não suportava mais a fedentina causada pela falta de saneamento das delegacias, ao ponto de 160 moradores assinarem um documento pedindo a remoção dos presos para outro local, vinculado ao sistema prisional do Estado: "Os policiais estavam trabalhando de máscara", completou o delegado, porque não estavam mais suportando o odor.
Situações semelhantes coexistem na 2ª Delegacia de Policia de Parnamirim e na Delegacia de Plantão da Zona Sul. A Covisa já inspecionou a situação da Delegacia de Parnamirim e falta apenas divulgar o relatório.