São Paulo (AE) - A delegada do 9º Distrito Policial, Renata Pontes, afirmou em depoimento ontem que Alexandre Nardoni, acusado de matar a filha dele, Isabella, em março de 2008, questionou o trabalho da perícia desde a noite do crime. O segundo dia do julgamento terminou com o depoimento do médico legista Luiz Eduardo Carvalho, arrolado como testemunha de acusação. Ontem, também foi ouvido o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo Alves. Os trabalhos foram suspensos pelo juiz Maurício Fossen e serão retomados hoje pela manhã no Fórum de Santana, em São Paulo
Ernesto Rodrigues/AE
Durante todo o dia, manifestantes e jornalistas fazem vigília na porta do Fórum em São Paulo
Renata disse que esteve presente no prédio onde o casal Nardoni morava, na noite do dia do crime, e que não encontrou com Alexandre ao chegar no local. A delegada, então, conversou com seis moradores do condomínio que disseram que o pai de Isabella havia informado que o apartamento tinha sido arrombado. Depois, Alexandre chegou ao prédio acompanhado do pai, Antônio Nardoni, e questionou o trabalho feito pela polícia. Ele teria perguntado: "Já prenderam o ladrão? Já pegaram as impressões digitais?".
A delegada disse ainda que, embora Alexandre tenha afirmado que o apartamento tivesse sido invadido, ele não contou isso à polícia quando prestou depoimento. Na ocasião, ele disse que alguém teria usado uma cópia da chave para entrar no apartamento. Pontes destacou que os legistas constataram que Isabella sofreu asfixia por esganadura e que ela tinha um ferimento na testa, sendo que nenhum desses ferimentos foi proveniente da queda que ela sofreu do 6º andar.
O juiz Maurício Fossen perguntou se podia dispensar Renata, mas o advogado de defesa do casal, Roberto Podval, disse que ela precisaria ficar à disposição da Justiça.
O depoimento de Renata durou quatro horas e terminou às 14h10, quando os trabalhos do julgamento foram suspensos para almoço.
CertezaRenata Pontes afirmou que já esteve em 136 locais de crime em sua carreira e que só indiciou Alexandre e Anna Carolina porque "tem 100% de certeza que eles cometeram o crime".
No depoimento, o promotor Francisco Cembranelli pediu para que a delegada relatasse onde havia marcas de sangue visíveis no apartamento. Ela respondeu que elas estavam na entrada do apartamento e no lençol do quarto dos filhos do casal O restante das manchas - encontradas no carro e perto do sofá - só foram visíveis com o uso de reagente químico.