Delegada ouve acusados de fraudar seguros no RN
Publicação: 23 de Outubro de 2009 às 00:00
A delegada Adriana de Araújo Correia, que comanda as investigações do esquema de fraude ao seguro-desemprego no RN, já ouviu todas as pessoas presas na Operação São Caetano, realizada quarta-feira em quatro cidades do estado. A força-tarefa desbaratou grupos criminosos que geraram um rombo de R$ 2,5 milhões no erário, fraudando o benefício concedido a desempregados.
“Amanhã (hoje) devemos iniciar uma triagem no material apreendido, analisando o que vai realmente servir para a investigação”, disse a delegada. A Operação São Caetano foi desencadeada em Natal, Mossoró, São Gonçalo do Amarante e Guamaré, cumprindo doze mandados de prisão e 34 de busca e apreensão.
Segundo a polícia investigava, empresários, contadores e técnicos em contabilidade recrutavam trabalhadores e usavam empresas fantasmas ou de fachadas para simular o vínculo empregatício. Depois os trabalhadores tinham registrado um aumento nos três últimos salários para valorizar o seguro-desemprego que eles iriam receber. O registro de emprego era falso, assim como o salário recebido e o pedido do seguro. Os valores do benefício eram divididos com os contadores. “O que analisamos é que essas pessoas escolhidas são humildes, mas não há inocência. Até porque, para solicitar o benefício eles precisavam comparecer pessoalmente, retirar o Cartão do Cidadão e cadastrar uma senha”, explicou.
Um outro indício de culpabilidade dos “laranjas” é o fato de muitas vezes o salário indicado na carteira de trabalho não condizer com a qualificação ou a realidade social deles. Muitas vezes os contadores registravam um salário de R$ 1.100, quando alguns dos envolvidos não sabem sequer ler ou escrever. A delegada informou que no decorrer da investigação outras pessoas podem ser ouvidas