Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 26°Natal - 26°

esportes

abc alecrim america santacruz

Derrocada nordestina, qual o motivo?

Publicação: 11 de Outubro de 2009 às 00:00

A derrocada do futebol nordestino no cenário nacional é evidente, nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro são raros os exemplos de sucesso das equipes da região. O maior destaque é o Ceará, que se encontra na briga por uma das vagas na divisão de elite do próximo ano, além do Vovô, apenas o Vitória, na série A, aparece numa situação tranquila já que está praticamente livre do risco de rebaixamento.  Qual o motivo dessa queda geral que vem se pontificando ao longo dos anos? As respostas são várias, mas a principal delas é a falta de investidores de peso, problema que o ABC pretende resolver através de uma parceria com a Traffic.

O conselheiro do América, Ricardo Bezerra, acusa uma espécie de complô da arbitragem contra os clubes nordestinos visando beneficiar principalmente os clubes médios de São Paulo. Por sua vez o presidente do ABC, Judas Tadeu, descarta a questão de complô focando mais a questão da falta de grandes investidores  para que o futebol nordestino comece a dar certo novamente. "Nós estamos distantes da realidade dos clubes dos grandes centros. O ABC não tem cacife para pagar R$ 50 mil de salários a nenhum jogador ou dar luvas de R$ 100 mil a quem quer que seja. Em São Paulo, clubes sem torcida como São Caetano, Barueri conseguem fazer isso com a maior naturalidade. O que nós necessitamos mesmo são de bons investidores", destacou.

Após se tornar um dos clubes mais estruturados da região, o Alvinegro natalense vem buscando meios para se equiparar, ao menos, com os clubes médios paulistas. Visando gerar condições para tamanho salto, a diretoria do clube revelou estar negociando uma espécie de parceria com a Traffic, uma empresa gestora de talentos no futebol. "A empresa tem planos de se expandir para o Nordeste e o ABC está na lista deles. Estamos negociando, mas a situação emperrou num único ponto. Eles pensam numa co-gestão na administração do nosso clube, enquanto nós queremos apenas uma parceria. A diretoria não abre mão de controlar os destinos do clube, o parceiro pode até ter participação, só não pode ter a palavra final", ressaltou Tadeu.

Em recente entrevista à TRIBUNA do NORTE, o presidente do América José Rocha admitiu que com a política atual será difícil equipes nordestinas prosperarem nas competições nacionais, ao contrário dos emergentes clubes de São Paulo, que prosperam mediante a patrocínios fortes ou por servirem de "barriga de aluguel" para os empresários, uma categoria que ganhou bastante força no futebol nacional após a Lei Pelé.

José Rocha, acha que o problema foi criado propositalmente pela CBF, a quem taxa de "madrasta para os  nordestinos". Ele usa como exemplos o fato de a entidade ter acabado com o Campeonato do Nordeste - competição que se tornou mais rentável para os clubes da região que a própria Copa do Brasil e a série B -, considerando com a pá de cal para situação caótica dos nordestinos a briga que acabou retirando da Futebol Brasil Associados (FBA) o controle sobre a gestão financeira da série B.

O golpe promovido pela CBF para assumir o controle total da segundona, gerou logo um prejuízo  de R$ 160 mil aos participantes, verba que para equipes como ABC e América, bem como para grande maioria dos clubes da região, costuma fazer muita falta no momento de fechar as contas.

Cearenses apontam a má gestão

No Ceará, onde ocorre os dois extremos na série B, com o Vovô lutando pelo acesso a série A e o Fortaleza tentando escapar do rebaixamento, também não existe percepção de complô. A situação está atrelada a má gestão apenas.  "A arbitragem andou sendo discutida aqui por causa daquele gol de mão com o qual o Paraná conseguiu bater o Ceará no Castelão, mas  esfriou", disse o repórter Ivan Bezerra, do Diário do Nordeste.

A questão do Fortaleza, a crônica cearense considera ser mais um problema de mau planejamento do clube, que contratou mal. "A questão é grave e foi criada uma campanha 'Fica Fortaleza', onde a diretoria vai reduzir o valor do ingresso baseado no número de vitórias que o clube necessita para escapar da degola. Contra o Figueirense quando precisava de 6 vitórias, o ingresso teve preço único de R$ 6,00. Contra o Vasco a entrada no Castelão vai custar R$ 1,00", exemplificou o repórter.


Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

anlmicro@...12/10/2009 @ 07h33
É EVIDENTE A INFERIORIDADE DO FUTEBOL NORDESTINO, A CBF DEVERIA DIVIDIR A COMPETIÇÃO EM FAZENDO UM CAMPEONATO PARALELO NORTE/NORDESTE , ABRINDO VAGA PARA TIMES DO SUL SUDESTE A PARTICIPAR DA SEIRE A
leonora20081@...12/10/2009 @ 06h29
Sou uma das pessoas que mais leio esse jornal tenho certeza disso.
nivaldo10@...12/10/2009 @ 12h37
O ABC não fez uma boa equipe pra esse ano e isso ajuda ajustificar a pessima campanha, mas não é de hoje que a arbitragem vem aqui em Natal e "rouba" descaradamente os nossos clubes. Gosto muito de futebol, mas já não vou mas aos estados pela violencia e principalmente pelos absurdos que já vi aqui em nossos estádios praticados pela arbitragem contra nossos clubes, que parece não ter geito!!!!
edcar1811@...12/10/2009 @ 12h35
Ocorre que o futebol brasileiro está trabalhando com salários de jogadores e técnicos completamente fora da realidade. Como justificar salários de R$ 60.000,00 para jogadores apenas medianos? O resultado dessa insanidade é o monstruoso défict orçamentantário em quase todos os clubes brasileiros, levando-os a um indevidamente crescente, chegando ao ponto da total incapacidade de honrar os seus compromissos, como é o caso do Vasco, que chegou ao inacreditável débito de R$ 330 milhões de reais. Os grandes clubes dependem vexatoriamente das vendas de suas revelações de base para o exterior, como bem disse recentemente um diretor do Grêmio. Como os clubes nordestinos não têm a tradição de formação de atletas de base - lembrem como o ABC está necessitando desesperadamente dos 10% do passe do Wallinson -, e na falta de patrocinador de peso, ficam na completa dependência da renda dos jogos, que infelizmente sofrem uma concorrência desleal com os clubes do Rio/São Paulo, graças ao péssimo costume dos nordestinos em torcerem por Flamengo, Vasco, São Paulo, Palmeiras, em detrimento dos clubes da terra. Sem patrocinador e com uma média de público de 5.000 pagantes não há como contratar jogador de R$ 60.000,00. O resultado é a formação de um elenco sofrível, que somada à incapacidade gerencial de dirigentes amadores, que não têm a coragem de fazerem uma autocrítica, ficam querendo culpar os árbitros pelos resultados negativos de suas agremiações
Tribuna do Norte