O cenário do desmatamento onde será construído o primeiro trecho de 4,7 quilômetros da chamada Via Metropolitana, que interligará Natal à rodovia federal BR-101 a partir da avenida Omar O’Grady, popularmente denominada de “prolongamento da Prudente de Morais”, é desolador: árvores inteiras de Mata Atlântica estão encostadas ou amontoadas em toras à margem do percurso carroçável da futura estrada que custará aos cofres públicos cerca de R$ 28 milhões.
Marcelo Barroso
Madeira denuncia o desmatamento sofrido naquela área
Durante a inspeção da área, ontem à tarde, o próprio promotor de Defesa do Meio Ambiente, Márcio Luiz Diógenes, surpreendeu-se com a cena: “Não conhecia isto aqui”, resumia ele, que informou ter sido feito acordo com o órgão executor da obra, o Departamento Estadual de Estrada de Rodagem (DER-RN) e mais os órgãos responsáveis pela concessão das licenças ambientais e de desmatamento, respectivamente o Idema e o Ibama, para ser elaborado, no prazo de dez dias, um novo estudo para se encontrar uma alternativa à construção da Via Metropolitana no fragmento de Mata Atlântica situado entre a Cidade Satélite e a comunidade de Emaús, em Parnamirim.
O diretor-geral do DER, Jáder Torres, disse que já houve o desmatamento de 90% de todo o trecho a ser desmatado, enquanto os 10% que restam ficam praticamente na área urbanizada da Cidade Satélite, onde quase não existem resquícios de Mata Atlântica.
Já o diretor técnico do Idema, Fábio Silva Góis, confirmou que na época de realização dos estudos ambientais que resultaram na concessão das licenças ambientais da obra, constatou-se que existiam três opções para a construção da Via Metropolitana, mas dessas, a que apresentava condições para um menor índice de desmatamento, era justamente esse trecho que foi objeto de suspensão temporária da obra por parte do Ibama, decisão tomada a partir de denúncias feitas por organizações de defesa do meio ambiente: Associação Potiguar dos Amigos da Natureza (Aspoan), Instituto Reação Periférica e Movimento Pró-Pitimbu.
Para Torres, se a suspensão da obra perdurar por dez ou 15 dias, “tem como compensar o atraso ao longo da obra”, cuja próxima etapa a ser executada é a terraplenagem da estrada.
O promotor Márcio Diógenes diz que, se realmente for encontrada outra alternativa para a construção da Via Metropolitana, também deve ser feito um estudo para a recuperação da área de Mata Atlântica que foi degradada, por replantio, reflorestamento ou regeneração, que é quando ocorre o renascimento da mata nativa.