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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Dez delegados investigam chacina

Publicação: 17 de Novembro de 2009 às 00:00
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Roberta Trindade - Repórter

Uma comissão de dez delegados da polícia civil, alguns deles ligados à área de inteligência e outros com funções em delegacias especializadas, vai investigar a chacina de São Gonçalo do Amarante. A forma como os quatro jovens foram mortos e dois outros feridos, no domingo de madrugada, caracteriza os "crimes de grupos de extermínio", segundo um desses delegados, e reforça a suspeita de que   matadores estão agindo na Grande Natal, na maioria das vezes a serviço das quadrilhas de traficantes de drogas.

Emanuel AmaralOs velórios dos quatro jovens mortos na madrugada de domingo, em São Gonçalo do Amarante,  atraiu a atenção de um grande número de curiosos. O velório foi no ginásio de esportes da cidadeOs velórios dos quatro jovens mortos na madrugada de domingo, em São Gonçalo do Amarante, atraiu a atenção de um grande número de curiosos. O velório foi no ginásio de esportes da cidade


O delegado Demontier Falcão, titular da Delegacia de São Gonçalo do Amarante, já havia dito que não tem como investigar, sozinho, as mortes dos rapazes e estava disposto a solicitar apoio à Degepol (Delegacia Geral de Polícia Civil) para que os policiais da Dehom (Delegacia Especializada em Homicídios) atuassem no caso.

O pouco efetivo policial, a quantidade de inquéritos em andamento e a complexidade do  crime são fatores que colaboram para o delegado pedir que a investigação transcorra na  Especializada. "O crime tem autoria desconhecida, o que já torna mais difícil a elucidação. Nós poderemos dar apoio às diligências", diz Demontiê.

A chacina ocorreu  na rua Joaquim Rodrigues da Silva, distrito de Santo Antonio dos Barreiros (município de São Gonçalo do Amarante) e registrada na Delegacia de Plantão da Zona Norte através dos Boletins de Ocorrência de números: 1324/09,  1325/09, 1326/09 e 1327/09.

De acordo com a polícia foram mortos:    Clécio Viana de Araújo, 17, José Cássio do Nascimento de Araújo, 20 (embalador da fábrica Guararapes), Anderson Clayton Cunha do Nascimento, 21, e Valtércio Barbosa do Nascimento, 24 (tratorista). Estão em estado grave no Hospital Walfredo Gurgel Márcio Viana de Araújo, 21, conhecido como Riquinho,  e Mailton Viana de Araújo, 16. No  Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim está internado Eliano Viana do Nascimento, 53, conhecido como Fernando. O estado de saúde de Eliano é estável. Segundo parentes, no momento dos tiros, Eliano acordou e, ao abrir a porta de casa  para ver oque acontecia, foi baleado. Com exceção de Valtércio, que trabalhava em uma obra como tratorista,   as demais vítimas pertencem à mesma família.

"Ele estava comendo um churrasquinho na porta de nossa casa quando os assassinos chegaram. Levaram o rapaz para os fundos e atiraram nele. Valtércio morava aqui há pouco tempo. Não sabemos nada da vida dele", frisa Edileuza Viana do Nascimento, parente das cinco vítimas.

Demontiê Falcão diz que a hipótese mais provável da chacina pode ter sido um acerto de contas motivado por envolvimento de algumas vítimas com drogas. "Alguns deles tinham envolvimento com o tráfico, mas, entre as vítimas, havia pessoas de bem. Anderson e Riquinho tinham passagem pela polícia".

Edileuza disse que Clécio foi atingido com dois tiros que acertaram coxa e cabeça. José Cássio foi vitimado com dois disparos nas costas e um na cabeça. Anderson, Valtércio, Márcio e Mailton foram mortos  com  tiros na cabeça. Eliano foi atingido na virilha.  

A perícia técnica não  encontrou nenhum vestígio que pudesse elucidar o crime no local onde os rapazes foram mortos.  Apenas se sabe que os criminosos utilizaram  armamento de grosso calibre para matar. Um indício é dado no depoimento de dona Edileuza: "Eles chegaram aqui com armas que tinham lazer.  Miravam na cabeça das pessoas e aparecia aquela luzinha vermelha", explica.


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