A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, acusou os senadores José Agripino Maia e Rosalba Ciarlini de mudar de discurso devido a aprovação do governo federal. "Com o reconhecimento e uma grande aprovação do presidente (Lula), eles mudam de fantasia. Ai me desculpa mas isso não é correto nem com o povo do Rio Grande do Norte nem com o povo Brasileiro", afirmou, durante entrevista à Rádio Difusora de Mossoró, ontem, na véspera de cumprir uma agenda no Rio Grande do Norte. Hoje, a ex-ministra vai à 62º Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, e faz uma caminhada no bairro de Alecrim.
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Dilma Rousseff afirma que não haverá privilégio entre candidatos dos partidos aliados
A ex-ministra destacou, na entrevista de ontem, que a atitude de parlamentares do Democratas é um "desrespeito" com a população do Rio Grande do Norte. "Eles têm sido contra a quase todos os projetos do governo federal. Foram contra o Bolsa Família", comentou. Ela enfatizou ainda que os integrantes do Democratas tiveram um atitude de destruição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lutaram contra tudo, inclusive tiveram uma atitude que não foi oposicionista, mas sim de destruição e, em alguns momentos, até de destruição da pessoa do presidente Lula", destacou a candidata. E acrescentou: "Então, a mim surpreende imensamente esse tipo de dupla conduta. Aqui (no Rio Grande do Norte) e no Brasil todo mundo sabe que o DEM é a oposição mais negativista que o governo do presidente Lula teve".
Críticas a SerraA candidata do PT disse também que seu principal adversário, José Serra (PSDB), é o verdadeiro responsável pelas acusações de Indio da Costa (DEM), candidato a vice-presidente na chapa do tucano, contra o PT e sua suposta ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dilma afirmou que Serra usou Indio para atacar sua candidatura. "Por isso não vou responder ao vice, vou responder ao ex-governador José Serra", disse ela. "É lamentável que a eleição tenha descido a esse nível por parte do meu adversário "
Dilma afirmou que as acusações sobre a suposta ligação entre o PT e as Farc ocorrem em razão do "mau desempenho" de Serra nas pesquisas eleitorais. "Não acho que haja justificativa para acusações desse tom. O povo brasileiro não merece, não merece mesmo esse tipo de discussão", disse. "Esse é um dos debates mais desqualificados de toda a história das campanhas eleitorais desde a redemocratização.".
Aliados Dilma Rousseff prometeu tratamento igualitário para os candidatos Iberê Ferreira (PSB) e Carlos Eduardo (PDT), que, embora sejam concorrentes, apoiam a candidatura do PT à Presidência da República.
"Nós tiramos uma resolução da coordenação de campanha integrada por todos os partido, eles inclusive que apoiam o Carlos Eduardo e o Iberê. Qual é a resolução? É que eu teria uma atitude igual com os dois candidatos, não privilegiarei nenhum deles", comentou a petista.
Ela evitou polemizar sobre o fato de contar com o apoio dos dois candidatos e foi contundente ao destacar que "não irei privilegiar nenhum, pois eles fazem parte da base de apoio de nossa candidatura".
Carlos Eduardo reagiu com naturalidade a declaração da candidata Dilma Rousseff. "Acho que isso nós sabíamos. Tinha sido anunciado por ela e pela campanha dela", restringiu-se a afirmar.
Agripino e Rosalba reagem com cobrança de obras Mesmo afirmando que não iria comentar as declarações da candidata Dilma Rousseff, que criticou a oposição feita pelo DEM, o senador José Agripino Maia voltou a cobrar da ex-ministra explicações para obras e projetos aguardados pelo Rio Grande do Norte. "Não vou comentar nada. Esperava que ela viesse ao Estado do Rio Grande para justificar por que a refinaria foi para Pernambuco, por que o aeroporto de são Gonçalo caminha a passo de tartaruga e por que a barragem de oiticica não foi feita. Esse tipo de coisa é o que interessa ao RN. Essa declaração (de Dilma Rousseff) fica com ela própria", disse José Agripino Maia.
O senador frisou que que realiza uma "oposição consciente na defesa do interesse do povo brasileiro". "No lugar de tratar de coisas do Rio Grande do Norte, ela faz esse tipo de impropério a senadores que disputam a reeleição", destacou Agripino, que é presidente estadual do DEM.
A senadora Rosalba Ciarlini, candidata ao governo pelo DEM, apresentou um tom de indignação às críticas de Dilma Rousseff. "Lamento muito que ela esteja perdendo tempo com esse tipo de ataque. O povo quer saber por que o Rio Grande do Norte não ganhou a refinaria, enquanto ela era ministra. A nossa refinaria foi para Pernambuco, outra para o Ceará e nós não ganhamos. Queria que ela explicasse por que o Estado não está beneficiado com o projeto da Transnordestina. Queria saber por que o aeroporto de São Gonçalo, mesmo com ela ministra, andou a passos de tartaruga", disse Rosalba Ciarlini.
A candidata do DEM ao Governo disse ainda: "A obra que conheço na região de onde ela falou (Oeste) concluída do Governo Federal e inaugurada pelo Governo estadual foi o presídio federal".
Marina Silva apresenta plano de Governo A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, apresentou ontem na capital paulista as diretrizes para seu plano de governo caso seja eleita. Elas estarão disponíveis a partir de amanhã no site de sua campanha para que os eleitores interessados possam sugerir alterações. O programa final deverá ser apresentado apenas no início de setembro. A candidata elegeu a educação integral como o principal ponto de seu programa.
A primeira versão das diretrizes do plano de governo do PV foi apresentada em 10 de junho na convenção do partido. A primeira fase de consulta pública culminou na incorporação de 980 sugestões dos internautas. A segunda versão foi consolidada em 25 de julho. Entre os adendos às metas, a candidata incluiu propostas na área de turismo e eventos esportivos (Jogos Olímpicos e Copa do Mundo), aprofundou propostas em educação e cultura e enfatizou o compromisso da campanha com a área de segurança. "Essa é uma demanda legítima da sociedade", afirmou Marina.
Educação integral A base do plano de governo é a educação integral e a criação de um sistema nacional de educação, com a criação de cursos técnicos com foco para economia verde. A coordenadora do programa de educação, Neca Setubal, disse que a ideia não é reduzir o Ensino Médio ao Ensino Técnico, mas criar oportunidades de aprimoramento voltados ao mercado verde. A campanha do PV rechaça a criação de metas de abertura de vagas na rede pública. "Isso é absolutamente cair no vazio", disse Neca. "Temos de pensar o ensino técnico de uma forma que responda aos desafios de uma economia verde", complementou. Marina falou de propostas que vão desde a criação de uma inspetoria nacional de direitos humanos ao cadastro único dos programas sociais. Segundo a candidata, a ideia não é acabar com o programa Bolsa Família, mas criar uma terceira geração de programas sociais. "Vamos manter as conquistas, corrigir os erros e enfrentar os novos desafios", disse Marina.
No âmbito econômico, Marina Silva defendeu a contenção do aumento anual dos gastos correntes a uma taxa equivalente a metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ela prega também a redução do nível de endividamento do setor público e a profissionalização da máquina do Estado.