Jenipapo de Minas, MG (AE) - Na festa de inauguração da barragem do rio Setúbal, ontem, no castigado Vale do Jequitinhonha, a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) não perdeu tempo. Assumiu com a voz embargada sua origem mineira e partiu para o confronto com a oposição, a quem acusou de planejar o fim no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mais ambicioso projeto de Lula.
Sérgio Neves / AE
Durante a inauguração de escola técnica em Minas Gerais, presidente Lula vincula eventual vitória da oposição a um retrocesso
"Muitas pessoas tem dito nos últimos dias, aliás o próprio presidente do partido de oposição disse que acabaria com o PAC porque o PAC não existe e ele acabaria com essa história do PAC", disse a ministra. "É muito grave", ela insistiu. "Porque nós estamos aqui justamente inaugurando uma obra concreta e real que todos vocês sabem que existe e que está aqui ao lado."
A festa foi a primeira agenda de Dilma em território mineiro e tucano no ano em que pode sair candidata à sucessão do presidente Lula. Embalada, a ministra falou grosso e insistiu no cerco aos oponentes. "Vira e mexe querem acabar com algum programa do governo Lula. Em 2006, foi a época que eles queriam acabar com o Bolsa Família. Agora o objetivo é acabar com obras como essa que estamos inaugurando."
Chamou os adversários para a briga, mas a Aécio dirigiu afagos. "Os prefeitos aqui de Minas e o governador Aécio Neves tem sido parceiros exemplares e republicanos do governo federal. Conosco eles têm enfrentado esse desafio que é mudar o Brasil. A barragem é uma obra do PAC com uma parceria muito produtiva e muito bem sucedida com o governo de Minas, com o governador Aécio Neves."
Ministra promete liberar verba Diante de três mil pessoas, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a acompanhava e a deixou à vontade, a ministra Dilma Rousseff atendeu ontem ao apelo que havia sido feito minutos antes pelo prefeito Marlio Geraldo Costa (PDT), de Jenipapo de Minas, município de 7 mil habitantes, e prometeu imediata liberação de verbas federais para asfaltar dois trechos da BR 367, rodovia que corta parte de Minas e vai até a Bahia.
Não falou em valores, mas jurou que vai cumprir o prometido. Ovacionada, teve seu nome gritado em coro. Lula sorria. Aécio Neves, do PSDB, governador de Minas e com índices elevados de popularidade por estas bandas, não estava no palanque. Mas era como se estivesse, tantas foram as vezes que a ministra e o presidente citaram seu nome amavelmente, o elogiaram e lhe desejaram um governo cheio de realizações, sucesso e "com muitas obras inauguradas".
Lula contou ter recebido segunda-feira carta de Aécio. Nela, o governador justificava sua ausência no evento por causa de compromisso "em outro lugar". Frases de efeito permearam o pronunciamento da pré-candidata na corrida ao Palácio do Planalto. "Vamos com isso (a barragem) perenizar as águas do rio Setúbal. Vamos ter aqui água de beber, água de criar gado, água de plantar, água para garantir a saúde das crianças e, sobretudo, água para viver." Rebateu provocações de correntes do próprio PT, que dela exige assumir que é de Minas, e se emocionou. "Eu nasci em Belo Horizonte. Eu passei a minha infância inteira em Belo Horizonte". lembrou.
Lula provoca adversários ao afirmar que fará o sucessor Araçuaí, MG (AE) - Após a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disparar contra a oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou para provocar ontem os adversários, afirmando que tem certeza de que fará o seu sucessor. Durante a inauguração da Escola Técnica do Instituto Federal Norte de Minas, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, Lula vinculou eventual vitória da oposição na eleição presidencial de outubro a um retrocesso e disse que "ninguém precisa acreditar em fantasias e em promessa de última hora".
Depois de falar em "revolução na educação" brasileira durante sua gestão, o presidente disse que espera que seu sucessor invista ainda mais na construção de escolas profissionalizantes. "Deus queira que quem vier depois de mim - eu fiz 214 -, que faça 300, que faça 400, que invista muito mais", afirmou Lula, para em seguida cutucar os opositores. "Sabem que eu não posso discutir eleição. A única coisa que eu tenho certeza é que nós vamos fazer a sucessão presidencial. Que me desculpem os adversários, mas nós vamos ganhar para poder ter continuidade essas coisas".
Para uma plateia em sua maioria de petistas, o presidente argumentou que "se para tudo que está acontecendo no Brasil", o País irá retroceder. "Todo mundo sabe como é que é. Portanto, ninguém precisa acreditar em fantasias e em promessa de última hora. Quem sabe faz, quem não faz, promete". Antes, Dilma, a virtual presidenciável petista, já havia reiterado os ataques contra o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), acusando-o de planejar o fim do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Além da ministra Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou ontem para a inauguração em Minas Gerais outros três ministros: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), foi representado pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Duque Portugal.
Porém, outro Aécio presente, o prefeito da cidade, Aécio Jardim (PDT), não escapou das vaias da plateia todas as vezes que seu nome era anunciado. Na política local, o prefeito sofre oposição do PT e seu partido é aliado do governador tucano. Ao mesmo tempo, o público presente ovacionou a ex-prefeita, a petista Maria do Carmo Ferreira Silva, muito à vontade no palanque.
A situação incomodou o presidente, que reclamou que a divergência política local poderia servir de munição para a imprensa não "enaltecer" a inauguração da escola técnica. "As divergências políticas têm que se manifestar na democracia, mas num ato institucional, a gente está dando um pretexto para os adversários falarem mal de nós". A unidade consumiu investimentos de R$ 4 milhões e até o fim do ano serão oferecidas 520 vagas para cinco cursos técnicos.
Porém, diante de um sol escaldante, o evento acabou esvaziado. Cerca de 500 pessoas compareceram à inauguração, mas boa parte do espaço reservado para os populares permaneceu vazio. Lula chegou a reclamar com sua equipe, observando que o ato poderia ter sido feito no ginásio ou na área urbana da cidade, "aonde a chance do povo ir a pé, sem precisar pegar ônibus, era muito maior".